ÁREA DO CLIENTE

VBCOAP 155 SR – Excalibur e AVIBRAS formam parceria para promover o Zuzana 2

A Excalibur International, uma agência comercial e de exportação do Czechoslovak Group (CSG), da República Tcheca (ou Tchéquia), que representa a linha de negócios do grupo e de outras empresas, informou a T&D que assinou um memorando de entendimento (MoU) com a Avibras Aeroespacial e Defesa para promover o Zuzana 2 8X8, no âmbito do projeto de obtenção de 36 viaturas blindadas de combate obuseiro autopropulsado 155mm sobre rodas (VBCOAP 155mm SR) do Exército Brasileiro (EB).

De acordo com a Excalibur, esta parceria permitirá sua produção local, através de montagem final, em processo CKD (“completely knock-down”), e a criação de um centro de manutenção, reparo e revisão (MRO) utilizando a infraestrutura fabril da Avibras e garantindo o suporte logístico nacional, caso seja adotado pelo EB.

Procurada, a empresa brasileira confirmou “tratativas com a Excalibur para futuras parcerias”, mas não deu maiores detalhes à nossa reportagem (posteriormente afirmou que publicará uma nota após a publicação deste artigo).

Essa notícia é interessante, pelo fato de, durante a Eurosatory de 2014, a Avibras e a Nexter francesa anunciaram uma parceria para o desenvolvimento conjunto de uma versão do sistema de artilharia CAESAR, chamado Tupã, que utilizaria a plataforma TATRA 6X6 e os sistemas de controle do sistema ASTROS II. Apesar de diversos estudo terem sido efetuados, o projeto não foi adiante e acabou cancelado poucos anos depois.

OBUSEIRO ESLOVACO

O Zusana 2 é um é um sistema de artilharia autopropulsado, autônomo,  com sistema de carregamento automático e capaz de fornecer fogo efetivo,  direto e indireto, de longo alcance e alta precisão e cadência, possuindo grande mobilidade e rapidez na entrada de posição, disparo e evasão, e produzido pela empresa Konštrukta Defence, pertencente ao DMD Group, da Eslováquia.

Destaca-se dos demais competidores do projeto VBCOAP 155 SR pela proteção da tripulação contra os efeitos das armas leves e fogo de artilharia (STANAG 4569 level 3) e no maior número de munições transportadas (40 granadas e 40 cargas), porém isso faz dele o mais pesado (com peso de combate na ordem de 33.800kg) e de maior volume dentre os concorrentes, que dificulta sua logística de transporte. Todavia, de acordo com o fabricante, suas inovações, como os sistemas eletrônicos de diagnósticos e automação aplicados nas operações de carregamento e disparo, o classificam como um dos mais avançados do mundo.

Em sua parte traseira está montada uma superestrutura (torre), onde fica localizado seu armamento principal, uma peça de 155mm e 52 calibres, e seus operadores (que não precisam sair da viatura durante as operações). A arma é estabilizada, está equipada com sistemas de navegação inercial e radar de velocidade inicial,  possui um alcance superior a 50km para projeteis de longo alcance com velocidade aprimorada (VLAP) e pode disparar em um azimute de ±60º e elevação de -3,5º a +75º.

O sistema de carregamento é automático (“autoloader”), do tipo mecânico e hidráulico, controlado por comandos elétricos, que permite disparos únicos ou seqüenciais, possuindo capacidade tipo MRSI (Multiple Round Simultaneous Impact,  ou “impacto simultâneo de múltiplas rodadas”, em portugês), sendo compatível com todas as munições padrão OTAN e podendo utilizar quaisquer outras com comprimento de até 1000mm.

A plataforma é a T 815 8X8, da TATRA Defence (pertencente ao GSG e um dos requisitos desejáveis do projeto do EB), está equipada com um sistema central de calibragem dos pneus, que permite ao motorista alterar sua pressão enquanto dirige, que facilita sua mobilidade por terrenos variados, atingindo a velocidade máxima de 90km/h em estradas e podendo atravessar  obstáculos de até 1,2m de profundidade. O motorista possui um sistema passivo de visão noturna para sua operação a noite de forma discreta.

Este sistema de armas está em uso nos exército eslovaco e no ucraniano, onde participa ativamente da defesa do país diante da invasão russa.

A Excalibur International, que representa a Konštrukta, também ofereceu o sistema Bia 6X6 para o projeto VBCOAP 155 SR, porém este foi desclassificado na Fase 1A por não estar em  “produção seriada”, fator determinante na escolha do sistema a ser adquirido pela Força Terrestre.

Zuzana 2

 

PARA SABER MAIS SOBRE O ASSUNTO

VBCOAP 155mm SR – Uma análise do mercado

VBCOAP 155mm SR – As primeiras propostas foram entregues

VBCOAP 155 SR – Os primeiros eliminados

VBCOAP 155 SR – Os quatro finalistas

 

Copyright (c) 2024 Raffer Editorial / Tecnologia & Defesa
Todos os direitos reservados
Todos os textos, imagens, gráficos, vídeos e outros materiais são protegidos por direitos autorais e outros direitos de propriedade intelectual pertencentes à Raffer Editorial e seus respectivos autores.

COMPARTILHE

Respostas de 19

  1. Uma curiosidade. Em 2021, a Excalibur ofereceu e ganhou contrato com a República Tcheca para fornecer o Caesar, em parceria com a francesa Nexter.

    Essa parceria com a Avibrás deve ajudar a Excalibur. Pode não ser suficiente, mas ajuda.

  2. Não consigo ver praticidade alguma neste bichão enorme. Vejo qualquer dos outros competidores levando a concorrência menos este justamente por ser enorme e 8×8.

    1. Uma vantagem clara é que ninguém da tripulação precisa sair do veículo e se expor para que ele possa disparar.

      E tenho a impressão que para tirar um desses de combate com um IED deve ser mais difícil do que um veículo 6×6.

    2. Isso porque você não viu os videos dele em operação. Tomcat, o Centauro 2 é 8×8 e nem por isso teve problemas por causa de sua quantidade de “patas”, e ainda carrega um canhão de 120mm. Então não é de se estranhar que a arma de 155mm em um 8×8 seja exagero. Tem videos mostrando o desempenho do Suzana ao disparar o projétil, recomendo a pesquisa. Com o brasileiro é 8 ou 80! Sem trocadilho com a quantidade de eixo.

      1. Eu vi video André, observando o ponto de vista de alguns comentários sobre a questão da proteção da tropa ai vejo vantagem no grandão. Minha questão maior é sobre o tamanho do bicho e não sobre ser 8×8.

        1. Disse sim Tomcat, releia seu comentário no final quando você diz ser “enorme e 8×8”. O fato dele ser grande não quer dizer desengonçado ou ineficiente. Lembrando que tudo dependerá da estratégia tática do Exército ao operá-lo, ainda mais levando em consideração seu tamanho. Por exemplo, ele pode ser usado para ocultar uma viatura menor, como um Gepard, surpreendendo o inimigo com uma artilharia antiaérea bem do seu lado (com o acréscimo de que o Gepard também engaja algo terrestre com seus 30mm!, ou seja, acrescenta um poder de artilharia de curto/médio alcance ao obuseiro enquanto esse atinge um alvo de longo alcance). Claro, isso é apenas uma ideia mas o volume da arma também pode ser um meio de combate dependendo da situação. Na Segunda Guerra foi usado blindados falsos contra os alemães para enganá-los, quer dizer, o Exército pode usar justamente o tamanho da arma como uma forma de enganar um inimigo.
          A praticidade dele está justamente no modo de armar o sistema de disparo, no controle de ar das rodas e principalmente na proteção da guarnição.
          Tamanho também significa imponência, ou seja, o impacto visual também pode causar um efeito intimidatório como acontece com a viatura lançadora de mísseis intercontinentais da Rússia com aquela plataforma cheia de rodas com cabines separadas.

          1. Realmente André eu mencionei o 8×8 com a cabeça ainda no ser aerotransportável(que nem faz mais parte dos requisitos).

  3. A guerra na ucrania me fez enxergar a artilharia de um jeito diferente, eu sequer imaginava a quantidade de projéteis gastos por operações, então penso que um sistema que permite levar mais munições (em tese) teria uma maior disponibilidade.
    Percebe-se tambem neste conflito a importância do acesso às munições especiais maior alcance permitindo engajamentos de uma posição mais segura, que também afeta na sobrevivência da bateria.
    Uma tripulação de um ceasar/atmos/sh15 precisa desembarcar durante o tiro refletindo em um momento de grande vulnerabilidade, o tiro embarcado parece, mais adequado ao combate moderno….essas questões me chamam muito mais atenção do que a mobilidade de transporte no KC-390 por exemplo.

  4. É o meu preferido por ter alto nível de proteção para tripulação e assistência técnica nacional a pronto emprego para o conjunto motriz.

  5. Eu gostei bastante do Zuzana 2.

    Ele é provavelmente o mais moderno dos 4 finalistas do EB.

    Possui 40 munições, contra 36 do Caesar e 27 do Atmos e do SH-15.

    Possui blindagem capaz de suportar 12,7 mm (.50) e estilhaços de artilharia enquanto os outros três possuem apenas proteção contra 7,62mm.

    É o único com recarga totalmente automatizada, os outros 3 são semiautomáticos, exigindo um municiador alimentando o braço de recarga, já no Zuzana 2 a recarga ocorre sem necessidade da tripulação deixar o veículo.

    É o mais rápido para entrar em posição de tiro e disparar, ação que ocorre em menos de 1 minuto.

    Claro que possui desvantagens, por ter a maior proteção blindada e levar mais munições, é também maior e mais pesado, sendo o único 8×8 (os demais são 6×6) e pesando 33 toneladas o que inviabiliza o transporte pelo KC-390.

    De qualquer forma o SH-15 também parece que não pode ser transportado pelo KC-390, mesmo sendo mais leve e pesando 25 T.

    Neste quesito o Atmos e o Caesar levam vantagem por serem mais leves e poderem ser transportados pelo KC-390. Mas no campo de batalhas possuir 40 munições, ter blindagem superior e carregamento totalmente automático acho que compensa essa pequena desvantagem.

    O Zuzana 2 também esta entre os mais caros com custo de cerca de U$ 6 mi, enquanto que Atmos e Caesar devem custar muito próximo, na faixa de U$ 5 mi e apenas o SH-15 que destoa custando cerca de Metade disso, algo próximo de U$ 2,5 mi. O Paquistão pagou U$ 2,1 mi em cada SH-15 mas foi uma compra maior de mais de cerca de 230 unidades.

    Eu acho que todos devem cumprir o requisito de que a munição seja produzida no Brasil, com transferência de tecnologia, porém com este MOU a Excalibur está indicando que os obuseiros também seriam montados no Brasil e as manutenções futuras também seriam feitas aqui, na Avibras. Achei excelente.

    1. Também gosto do Suzana 2 Luiz Henrique, ele me lembra o “Gran Titan” dos Flashman na versão caminhão (não robô), pesquise e verá! Por isso que tanto defendo sua aquisição, embora o importante seja o que ele tem a entregar em termos operacionais e não estético.
      Ser caro é algo muito relativo, já que ser barato também tem seu peso. Por exemplo, um submarino nuclear é mais caro porque ele tem mais vantagem cujo custo compensa. Outro exemplo de que barato sai caro, ou caríssimo, é outro exemplo naval como o porta-avião São Paulo. Enfim esse acréscimo do custo tem a obrigação de compensar seu valor. Além disso todos tem suas vantagens e desvantagens independente do preço.

    2. perfeito Luis Henrique! virei fã do obuseiro exatamente por estes motivos que você citou, além do sistema ter sido concebido desde o início em um chassi tatra.

    3. Praticamente 50% a mais de munição.
      Claro que tem a limitação de não poder estar em 3 lugares diferentes, mas o poder de fogo de 2 Zuzana equivale ao de 3 dos concorrentes. Ou 36 Zuzanas disparam a mesma quantidade de obuses que 54 dos concorrentes. Só isso já justifica o preço mais elevado. Só não sabemos o quão mais caro é.

  6. Qual o impedimento para adquirirmos 2 sistemas distintos?
    1 – Obuseiro pesado 8×8 que não cabe no KC-390 porém possui carregamento automatico, e já se fala em uma parceria com uma empresa nacional (até pode ser produzido aqui);
    2- Obuseiro “leve” 6×6 que caiba no KC-390 para facilitar a locomoção, também deveriamos forçar a parceria com alguma empresa nacional.

    Mesclar 2 variantes não é um problema, desde que se tenha estrutura de operação, treinamento e manutenção.

    1. Custo.
      É muito mais caro comprar, treinar a tripulação e mecânicos e manter dois sistemas diferentes.
      Fora a parte que seria até ridículo uma compra de meras 36 unidades ser dividida em dois veículos diferentes.

    2. Wellington a necessidade, em si, de transportar essa arma para lá e para cá deve ser totalmente viável e de preferência distribuí-los em diversos setores possíveis por todo o país (teoricamente), tanto que o próprio Exército não determina essa condição de transporte desse material quando não é possível. O deslocamento de todo esse peso pelo território nacional e principalmente internacional tem que ser viável economicamente, se não é perigoso demais. E logística é um setor que exige muito planejamento – inclusive no setor civil! Existem 3 riscos que devem ser considerados em transportá-lo via aérea, um deles é o financeiro:
      1 Ataque
      2 Acidente
      Perceba Wellington que no caso de acidente tanto o avião como o obuseiro são perdidos de uma só vez (claro! os membros da tripulação também mas estou me referindo mais especificamente com a perda do material). Já começou ruim! No caso de uma ameaça de ataque, tal operação exigiria a escolta de algum caça. Aí a estratégia adotada teria que pesar a viabilidade desse deslocamento todo que dependendo da situação não vale a pena tanto do ponto de vista do risco como orçamentário, considerando a distância percorrida também. Por exemplo, a composição do comboio seria o seguinte: o KC390 transporta o obuseiro + duas escoltas [pelo menos] + o KC30 para reabastecer em voo tanto os caças como o cargueiro. É caro em !!!!! Imagina a hora de voo dos três principais aviões da FAB somados! De uma só vez !! Vamos excluir o combustível e manutenção ou qualquer outra despesa dessa conta, apenas as horas! Três categorias de avião por causa de 1 obuseiro! 3 jatos!!
      Isso nos leva a seguinte conclusão se vale a pena o transporte desse tipo de material a curta, média e longa distância: se for um transporte de curto alcance, seria viável ir a pé mesmo (ou seja, por seus próprios meios) porque mesmo a curta distância seria necessário o emprego dos dois cargueiros citados (fora a escolta) já que só para decolar com todo aquele peso mais o do próprio avião não compensa. Já descartamos curta distância! Portanto só é prático deslocamentos de média distância se (e somente se) não tiver outra alternativa. Fica a dúvida cujo custo talvez não compensa por via aérea podendo ser substituído por trem, balsa ou até navio! O que nos leva a conclusão de que só se deve transportar esse material a longa distância para valer a pena (e com ressalvas!). Claro que isso que estou dizendo Wellington é muito teórico, na prática pode ser ainda pior! Enfim, são várias condições a se pensar quando se trata de mudar essa arma de lugar.
      O mais aceitável é transportar esse obuseiro via fluvial, trem ou em navio, e o caso da logística do Exército para guarnecer o norte do país é um exemplo. Assim como os Leopard operam em áreas condizentes com seu peso e uso de esteira, o mesmo devemos esperar dos obuseiros, ainda que sobre rodas. O custo tem que compensar!

      1. Caro André, parabéns pela sua postagem. Concordo integralmente. Imagino um determinado caso em que depois de transportar um unico obuseiro – com todo esse aparato aéreo – o mesmo é detonado pelo inimigo por estar isolado e sem apoio bélico e de logistica…
        Entendo que o TO destes obuseiros é basicamente o sul do Brasil…mas poderíamos alocar pelo menos 6 deles em Roraima. Aumentar a quantidade de 36 para 42, por que não?
        Acredito que a melhor solução técnica é o Suzana 2

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *