CAESAR, o imperador da Artilharia

Com a finalização do projeto VBC Cav, cuja assinatura do contrato foi publicada no Diário Oficial da União, sacramentando um dos mais importantes programas militares brasileiros, Tecnologia & Defesa da inicio a uma nova etapa, destacando e apresentando, de forma séria e confiável, os importantes projetos que se desenvolverão a partir de agora. E para começar, apresentamos o CAESAR, um dos principais concorrentes do projeto VBCOAP 155 SR, prioridade do Projeto Estratégico FORÇAS BLINDADAS.

Por Paulo Roberto Bastos Jr.

A França sempre teve uma grande tradição na arma de Artilharia e isso vem desde tempos mais antigos. Dos “trebuchet”, que atiravam pedras de quase uma tonelada, aos canhões primitivos, a Artilharia começou a ter destaque em todos os conflitos tornando-se uma das principais armas na contemporaneidade, tendo na figura de Napoleão Bonaparte, um ex-oficial artilheiro, uma das principais influências.

No final do século 19, desenvolveu o canhão de 75 mm Modelo 1897 (75mm Mle 1897), ou simplesmente “soixante-quinze” (“setenta e cinco”) que, com um revolucionário sistema de recuo hidropneumático, é considerado a primeira peça de Artilharia moderna e que mudou completamente a forma de como os combates eram travados. Devido à velocidade de seus disparos foi chamado de TR (“tir rapide”, ou “tiro rápido” em português), estabelecendo um padrão que é seguido até os dias de hoje.

Depois da Segunda Guerra Mundial foram desenvolvidos diversos tubos no calibre 155 mm, culminando no 20M621, do obuseiro AMF3, que dotaram os autopropulsados 155 GCT AUF1 e o rebocado 155 TRF1.

O canhão 75 TR é considerado o primeiro sistema de artilharia moderno e foi utilizado por diversos exércitos, incluindo o brasileiro (acervo pessoal do autor)

Nasce um imperador

As peças rebocadas, apesar das facilidades logísticas, alinham desvantagens operacionais, pois exigem um grande aparato humano para entrar em posição, gastam muito tempo para isso e, principalmente, apresentam uma baixa capacidade de sobrevivência em caso fogo de contra bateria. E continua a ser assim, tanto que nos combates na Ucrânia é comum os artilheiros abandonarem suas peças, temendo serem alvejados pelos adversários, retornando após algumas horas para recolher o equipamento.

Buscando encontrar uma nova solução para o campo de batalha europeu, na primeira metade dos anos de 1990, o Groupement des Industries de l’armée de Terre (GIAT), atual Nexter, iniciou os estudos de um obuseiro sobre rodas que unisse um tubo de 155 mm com uma plataforma mais leve, com características de grande mobilidade, versatilidade, facilidade de operação, prontidão para combate e maior capacidade de sobrevivência; Assim surgiu o acrônimo de “CAmion Équipé d’un Système d’ARtillerie”, ou CAESAR.

A principal inovação era a utilização de uma liga de alumínio, bem mais leve, no lugar do aço em quase toda a estrutura, à exceção do tubo, o qual, aliado a um sistema de amortecimento, permitiu que viaturas mais leves pudessem operá-lo (com o sistema todo pesando menos de 20 toneladas), quando comparado aos similares da época, como o ShKH vz. 77 DANA, da antiga Tchecoslováquia, e o G6 Rhino, da África do Sul, ambos superando as 30 toneladas.

Um dos requisitos era poder apoiar todos os tipos de unidades motorizadas, mecanizadas e blindadas, incluindo forças de ação rápida, disparando, com precisão e agilidade, todas as munições de 155 mm disponíveis no arsenal da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), seja para 39 ou 52 calibres, e para isso foi utilizado o 20M621, do AMF3.

Produção do Tubo na unidade fabril da Nexter em Bourges (Imagens: Nexter)

Com comprimento de 8,2 metros (52 calibres) e peso de 1.850 kg, o tubo é construído com uma liga metálica, desenvolvida especificamente para este fim, e é totalmente fabricado pela Nexter, na cidade de Bourges, na região Centre-Val de Loire. Para se ter uma idéia da dureza e resistência, somente para a usinagem das raias são necessárias 52 etapas em dois dias de trabalho, além dos processos de encruamento do material no tubo semipronto.

Em 1994 foi apresentado o primeiro CAESAR, sobre o chassi de um caminhão Mercedes-Benz Unimog 6X6 modificado. Basicamente um demonstrador de tecnologia para exibir a possibilidade de se montar um sistema de Artilharia de calibre 155 mm em um caminhão leve e, no ano seguinte, construiu-se um segundo exemplar, de pré-produção, com modificações na carroceria, destinado a testes, avaliado no mesmo ano pelo Exército da Malásia.

No final de 1998 o sistema passou pelo crivo do Exército Francês, o que resultou, pelo sucesso alcançado, em setembro de 2000, com a “Direction Générale de  l’Armement” (DGA) francesa adjudicando à empresa um contrato para o fornecimento de um lote piloto de cinco exemplares. Também foram contemplados desenvolvimentos complementares com os requisitos do Exército, qualificação, manutenção e suporte por um período de três anos, confiado ao contratado.

Essas unidades foram integradas nas instalações fabris de Bourges, com uma cabine dupla fornecida pela LOHR (SOFRAME), softwares de computador atualizados e montados sobre chassis Mercedes-Benz Unimog 2450 6X6, exclusivos para o sistema, coma incorporação das experiências adquiridas com os franceses e malaios.

Entre o final de 2002 e inicio de 2003, foram entregues ao Exército Francês e formaram um grupo de Artilharia completo, com quatro CAESAR (o quinto sendo usado para treinamento e reserva) que foi utilizado para avaliar os procedimentos operacionais para a implantação.

No final de 2003, concluídas análises detalhadas, que comprovaram a eficiência e as vantagens em relação a outros sistemas, o Exército Francês decidiu adquirir mais CAESAR para substituir obuseiros rebocados, em detrimento da modernização dos autopropulsados AUF1, que se encontrava em um programa de elevação para o padrão F2. Com isso, em dezembro de 2004, a DGA concedeu à empresa um contrato no valor de 300 milhões de euros para 72 sistemas, a serem entregues entre 2007 e 2011, mais munições um pacote de apoio logístico de cinco anos, que garantia uma taxa disponibilidade operacional de 80%, com total responsabilidade pela gestão de peças e reparos, além da atualização dos veículos do lote piloto.

Essas unidades do CAESAR foram baseadas no novo chassi da Renault Trucks Defense (RTD) Sherpa 10, 6X6, com uma cabine dupla, também fornecida pela Renault, e algumas pequenas mudanças em relação ao lote piloto, como a posição do radar de velocidade de tiro. O primeiro sistema de verificação de produção foi concluído em meados de 2006 e no momento equipam seis regimentos de Artilharia.

 

O Sistema

A atual cabine é totalmente blindada e está localizada à frente. A estrutura é construída em aço balístico e janelas em vidro temperado de 26 mm, oferecendo proteção contra munições de até 7,62x51mm e estilhaços de projéteis (NATO AEP-55 STANAG 4569 nível 1), com assentos individuais para a tripulação de cinco pessoas e ar condicionado.

Montado na parte traseira, sobre um falso chassi, está a versão atualizada do obuseiro de 155 mm e 52 calibres, equipada com um mecanismo de culatra de parafuso (que abre automaticamente para cima), mecanismo de alimentação automático giratório, disparo elétrico e freio de boca defletor duplo. Transporta até 18 obuses em compartimentos protegidos e o controle de fogo utiliza o sistema Atlas, da Thales.

Quando o CAESAR é colocado em posição de disparo, uma pá grande é abaixada hidraulicamente na traseira, fornecendo uma plataforma de tiro mais estável, o que faz as quatro rodas traseiras levantarem do solo, protegendo a estrutura e a suspensão do veículo e fazendo que a pá grande absorva toda a energia do recuo. Pode entrar em ação em menos de um minuto e sair em tempo semelhante, necessitando de menos de dois minutos para disparar seis projéteis, sair da posição e começar a se deslocar, evitando o fogo de contrabateria.

O motor é o Renault dCi 6, diesel, de 215 HP, acoplado a uma caixa de câmbio manual com oito marchas à frente e uma à ré. Pode atingir uma velocidade máxima de estrada de 90 km/h, ou 50 km/h em condições “off-road”, com um alcance máximo de cruzeiro de 600 km, com capacidade de superar rampas de inclinação frontal de mais de 40%, lateral de 30% e vãos de 1,20 m de profundidade sem preparação. Como o CAESAR é montado em um chassi sobre rodas, os custos de ciclo de vida são menores do que um veículo de esteira, algo de importância crescente, pois muitos usuários estão analisando os custos totais, ao invés de apenas o custo inicial de aquisição.

É um sistema de Artilharia autopropulsado autossuficiente, com um radar de velocidade de boca Intertechnique RDB4 que alimenta informações para o computador de controle de fogo Matra CS 2002-G, instalado na cabine junto com a impressora, recebendo informações do alvo do posto de comando da bateria. Os sistemas do Exército Francês são equipados com os rádios Thales PR4G.

O computador principal de controle de tiro está na cabine, mas na parte traseira, à esquerda, está a unidade de exibição de armas para a tripulação quando o sistema é implantado na posição de tiro. Isso fornece informações como elevação, transversal, projétil, carga e tipo de espoleta.

O CS 2002-G executa uma série de outras funções, incluindo exibição em 3D da situação local de amigos ou inimigos. Com a ajuda de sensores integrados, pode realizar gerenciamentos de status de munição, de arma e reabastecimento de munição. Há um dispositivo de controle de temperatura que avisa a temperatura do tubo.

Para reduzir a carga de trabalho da tripulação e aumentar a cadência de disparos, um carregador de projéteis automático é montado no lado direito da culatra. As cargas propulsoras, que podem ser do tipo convencional ou modular, são carregadas manualmente. A taxa máxima de tiro é de seis tiros por minuto (TPM), mas, de acordo com a Nexter, uma taxa de disparo de três rodadas em 18 segundos é possível.

O giro e elevação e a travessia são hidráulicas, com controles manuais sendo fornecidos como “backup”. Para disparos indiretos, a elevação usual varia de +17 a +66° e giro de 17° para a esquerda e para a direita. Para os diretos, a elevação varia de -3 a +10°, com deslocamento entre 21° à esquerda e 27° à direita. A mira é realizada automaticamente através do computador de bordo, mas as miras ópticas são fornecidas.

CAESAR do Exército da Tailândia em ação

O alcance máximo depende da munição utilizada e do sistema de carga, sendo disparando um uma munição de alcance estendido (“extended range full bore-base bleed”) pode alcançar um alvo a distâncias superiores a 50 km.

Munições modernas têm sido testadas, homologadas e já utilizadas no CAESAR, como a anticarro BONUS Mk2, a M982 Excalibur (fabricada pela BAE Sytems/Raytheon, mas cujo projeto pertence ao Exército dos Estados Unidos), que em testes obteve um recorde de atingir diretamente dois alvos a uma distância de mais de 46 km, ou a Vulcano, da Leonardo, que alcançou a marca de 70 km recentemente. A Nexter está em fase de qualificação da munição Katana, de 155 mm, com características similares à Excalibur, com maior quantidade de material explosivo e com domínio de tecnologia totalmente europeu (ou seja, sem depender das restrições de exportação dos EUA).

As principais vantagens do CAESAR são o poder de fogo semelhante aos sistemas de artilharia rebocados e autopropulsados ​​existentes, com maior mobilidade estratégica e tempos de ação mais rápidos. O último recurso também aumenta a capacidade de sobrevivência de combate do sistema para combater o fogo da bateria. O TRF1 padrão de 155 mm tinha uma tripulação de oito homens, enquanto que no CAESAR são apenas cinco, incluindo o comandante e o motorista.

Seu design é modular para que o cliente possa selecionar qual rádio, sistema de controle de fogo ou medição de velocidade inicial e tipo de cabine. Pode ser transportado por via aérea (por aeronaves do porte de um C-130 Hércules), embarcações de desembarque anfíbio, navios de superfície ou vagões ferroviários.

Um CAESAR durante um exercício de embarque em um C-130-30 Hércules da Força Aérea da Indonésia, em abril deste ano (Imagens: Exército da Indonésia)

 

Apesar de este sistema ter sido desenvolvido para ser utilizado de forma completamente autônoma, realizando ataques rápidos e precisos, retirando-se da posição no menor tempo possível e retornando para posições de ressuprimento, (tática conhecida como “shoot and scoot”), a Nexter Systems também desenvolveu, para os países interessados, um veículo de remuniciamento para transporte de contêineres de munição (projéteis e cargas), e estes podem ser descarregados rapidamente usando um guindaste hidráulico a bordo, sendo seis contêineres que comportam um total de 72 cartuchos (projéteis e cargas) de munição de 155 mm, porem, conforme a estratégia a ser utilizada, esta mesma função pode vir a ser realizada por uma viatura não especializada.

Evoluindo

O CAESAR 8X8 sendo produzido na fábrica da Nexter em Roanne (Imagem: Nexter)

Em 2015 foi apresentada uma versão mais pesada e poderosa do CAESAR, com o mesmo sistema de armas, mas sobre um chassi Tatra Force T 815-7 8X8. Tem maior proteção balística (NATO AEP-55 STANAG 4569 nível 2) e capacidade de carga útil que a versão anterior, podendo transportar até 36 obuses.

O motor é um Tatra V8, diesel turbo alimentado, de 410 HP, com tração total e suspensão independente, exclusiva da Tatra, com estrutura de tubo de espinha dorsal e semieixos oscilantes. Cada roda se move para cima e para baixo de forma independente, o que confere uma mobilidade excepcional e velocidades mais altas em estradas irregulares, junto a estar equipado com um sistema central de enchimento de pneus.  O peso de combate é de 32 toneladas, que permite o deslocamento em aeronaves maiores, como o europeu Airbus A400M, o norte-americano Boeing C-17 Globemaster III ou o russo Ilyushin Il-76.

No início de 2022 a Nexter anunciou um contrato com a DGA para o CAESAR 6X6 Mark II de nova geração (NG). Está prevista uma fase inicial de desenvolvimento e qualificação de quatro anos, após os quais entrará em produção. Em 2024, a DGA terá duas opções: ou lançar a produção de 109 novos Mark II, ou produzir apenas 33 novos, complementados pela modernização dos 72 em serviço. Assim, 109 CAESAR 6X6 Mark II serão entregues até 2031.

Imagem 3D do novo CAESAR 6X6 Mark II, já adquirido pela Bélgica (Imagem: Nexter)

O contrato compreende um serviço inicial de suporte a preço fixo para os futuros sistemas de Artilharia por dois anos. A nova geração CAESAR 6X6 mantém a configuração atual que se comprovou nas operações (mais de 100.000 disparos operacionais desde 2009) e um sucesso na exportação. As principais melhorias dizem respeito à proteção e mobilidade da tripulação e, para isso, a Nexter está acrescentando uma proteção a minas de nível II e uma cabine blindada balística, resistente a artefatos explosivos improvisados ​​e munições de pequeno calibre. A mobilidade do veículo foi totalmente redesenhada pela empresa Arquus (empresa que sucedeu a RTD).

O CAESAR 6X6 Mark II será equipado com um motor de 460 HP (contra 215 HP do anterior), novos caixa automática e chassi. Finalmente, vai carregar o modelo mais recente do software de controle de fogo. A cabine está preparada para acomodar o rádio Contact e o “jammer” Thales Barage poderá ser instalado.

Ao lado do Exército Francês, o CAESAR 6X6 está em uso na Guarda Nacional da Arábia Saudita (76), e nos Exércitos da Indonésia (6), Tailândia (37), Ucrânia (18, porém mais  exemplares estão para serem entregues) e Marrocos (36), e a versão 8X8 na Dinamarca (19), além de Tchéquia (62, 8X8) e Bélgica (28, do tipo Mark II) estarem aguardando suas entregas. Outros países estão avaliando e negociando o sistema, com destaque para os Estado Unidos (programa “Next Generation Howitzer”), Lituânia (18), Colômbia (12) e o Brasil (36).

Em ação

A primeira ação real do CAESAR ocorreu no Afeganistão, em 2009, quando oito sistemas, seguidos de mais cinco, foram enviados para apoiar as tropas francesas naquele conflito. Foram operados pelo 3e Régiment d’Artillerie de Marine (3e RAMa) nas bases de Tora, Tagab e Nijrab. O Exército Francês também os utilizou no sul do Líbano, como parte da força de manutenção da paz da “United Nations Interim Force in Lebanon” (UNIFIL). Durante a Operação Serval, no Mali, e nas ocupações do Iraque e da Síria forneceram apoio de fogo em diversas batalhas.

CAESAR francês executando um exercício de tiro em Bagram, Afeganistão, em 2009 (Imagem: Exército Francês)

Em abril de 2011, durante uma disputa fronteiriça com o Camboja, o Exército Tailandês utilizou o CAESAR para atacar lançadores de foguetes múltiplos BM-21 “Grad” do adversário, alegando ter destruído dois ou mais desses. Os sauditas os utilizaram em combate no conflito contra o Iêmen.

Em abril deste ano, a França anunciou oficialmente a doação de 12 sistemas CAESAR, com suporte logístico, treinamento e munições, para as Forças Armadas ucranianas, que estão combatendo a invasão russa.  Foram retirados das reservas do Exército Francês e entregues no mês seguinte, onde têm realizados ataques de longo alcance e precisão contra a retaguarda inimiga, notadamente concentrações de tropas, veículos blindados, centros de comando e controle e depósitos de munição e armamentos. Em junho foi anunciado o envio de mais seis sistemas para reforçar a capacidade combativa ucraniana, seguido com o anúncio de mais um contrato com a Nexter, para repor as unidades francesas cedidas.

Um CAESAR ucraniano castigando posições russas (Imagem: internet)

No Brasil? 

Em 2018, o Estado-Maior do Exército (EME) aprovou os requisitos do projeto viatura blindada de combate obuseiro autopropulsado 155 mm sobre rodas (VBCOAP 155 SR) e a criação da equipe para a realização do estudo de viabilidade do projeto (EB20-D-04.005), publicada na portaria Nº 427-EME, visando à obtenção de um total de até 36 unidades desse sistema de Artilharia, com capacidade de engajamento de alvos de forma rápida, eficaz e sistêmica a distâncias de até 40 km, para equipar de dois a três grupos da Artilharia divisionária e brigada mecanizada.

Os principais requisitos obrigatórios para este projeto são:

  • Possuir como armamento principal obuseiro de calibre 155 mm (padrão OTAN), comprimento igual ou superior a 52 calibres, com alcance igual ou superior a 20 km, utilizando munição convencional, e a 30 km, com munição assistida;
  • Capacidade de atingir alvos com precisão de área (“circular error probable” – CEP) menor que 80, para disparos de 20 km, e 120 metros, para 30 km;
  • Deve ter capacidade de entrar em posição e realizar o disparo em menos de três minutos e sustentar uma cadência de tiro contínua de, pelo menos, quatro TPM;
  • Possuir sistema de pontaria em direção e alcance, com capacidade de ser utilizado tanto para o tiro direto como para o indireto e de realizar tiros diretos à noite;
  • Possuir autonomia, em estrada pavimentada, superior a 500 km sem utilização de reservatórios complementares;
  • Possuir capacidade de conduzir e abrigar toda a guarnição, equipada e armada, durante os deslocamentos;
  • Possuir tração em todas as rodas, facilitando trafegar em todo tipo de terreno, e sistema de direção, freios e amortecimento adequados para atingir a velocidade máxima de 70 km/h em estradas pavimentadas, com dispositivo montado em todas as rodas, que permita seu deslocamento em condições de segurança, mesmo quando os pneus forem perfurados;
  • Possuir condições de serem embarcados nas balsas chatas orgânicas utilizadas atualmente, navios orgânicos da Marinha do Brasil e por meios rodoferroviários disponíveis no território nacional;
  • Possuir blindagem básica que ofereça proteção para o compartimento habitado à penetração de projéteis de calibres 7,62x51mm; e
  • Possuir radar de medição instantânea da velocidade inicial e condições de receber dispositivo de pontaria automático e independente para cada peça, dotado de busca de norte verdadeiro e um meio alternativo de inserção manual, em caso de falha da transmissão de dados, sistemas de navegação inercial e de posicionamento global por satélites (GPS ou equivalente) integrados a equipamentos capazes de fornecer dados por rede sem fio da posição e condições da peça.

Como o esperado, diversos fornecedores internacionais demonstraram interesse, similar ao ocorrido no projeto da viatura blindada de Cavalaria (VBC Cav), e a Nexter vem investindo bastante, através de demonstrações e apresentações do CAESAR, um dos favoritos e atendendo a todos os requisitos obrigatórios apresentados e, devido as suas dimensões, poderá ser transportável por aeronaves KC-390, o que é muito desejável no projeto.

Após a definição do modelo a ser adotado como VBC Cav, o projeto VBCOAP 155 SR deverá ser uma das prioridades do Exército, pois é fundamental para a operacionalização completa das brigadas mecanizadas, e o CAESAR poderia ser uma excelente aquisição.

Imagem: Nexter

Matéria publicada na edição nº 167 da revista Tecnologia & Defesa

 

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Comentários

26 respostas

  1. É um modelo realmente muito bom, principalmente devido a grande mobilidade que possui, o que a guerra na Ucrânia demonstrou ser muito importante, rápido e certeiro.

  2. Aquele projeto do “Tupã” da Avibras em parceria com a Nexter será abordado nesta série de artigos ?

    1. Este projeto foi cancelado e não existe mais o acordo entre as empresas Nexter e Avibras, mas, se ele retornar, será pauta em T&D.

    1. Dificilmente Silvio, já que esta não é uma questão pública em programas militares (na verdade é um dos temas mais “reservados”), porem você irá encontrar na internet muitos sites e canais de YT tratando do tema, mas com dados que tiram de lugares que não seria elegante de falar 😉
      E lembre-se: programas de forças diferentes, mesmo para sistemas similares, tem variações de custos extremamente elevadas em função de seus requisitos, ou seja, os custos só são apresentados nas propostas finais (BAFO).

  3. Excelente matéria, baita veículo ,mas estou ansioso pela matéria sobre o Atmos(meu favorito na disputa).

  4. Os dois veiculos São excelentes,o que for escolhido pelo exército vai elevar o nivel do exercito para outro patamar!!!

  5. Paulo, seria possível a instalação no mesmo chassis do ASTROS, já que é da Tatra, padronizando a logística de manutenção ou esta customização seria tão cara que anularia a relação custo-benefício de se utilizar a idéia?

    1. Sim, tanto que o projeto Tupã era isso, a questão é se é realmente necessário utilizar ESTA plataforma, se a Força terrestre deseja e, principalmente, se a economia da comunabilidade logística supera os custos de desenvolvimento, engenharia e homologação do novo sistema.

      1. Obrigado Paulo pela resposta. Esta próxima LAAD será incrível. Tenha um Feliz natal e um 2023 repleto de realizações. Gostaria muito de conhecê-lo pessoalmente no stand da T&D na LAAD 2023. Sempre dou uma passada por lá para dar um abraço no Chico Ferro!! Abs!

  6. Excelente matéria. Entre CAESAR e ATMOS minhas fichas estão no ATMOS. Será uma ”peleia” boa entre esses dois. Agora Bastos podemos dizer que a escolha da VBCOAP será mais rápida em relação ao VBV Cav?

    1. Tudo dependerá da disponibilidade dos recursos, mas os cerca de dois anos de duração d um projeto como o VBC Cav é considerado muito rápido.

  7. Último parágrafo do texto (excelente, por sinal), ressalta a necessidade de “operacionalização completa” de nossas Brigadas Mecanizadas.
    Nenhuma de nossas brigadas, mecanizadas ou blindadas, está com meios modernos de ponta a ponta.
    E nem estarão em um futuro próximo.
    Só vejo uma solução: Unificar a estrutura das Brigadas de Inf. e Cav. Mecanizadas.

  8. ola Paulo Bastos. o sistema Caesar pode ser transportado pelo KC-390 como diz no texto. Mas as versões atuais não estão pesando na ordem das 30 toneladas? Ou essa nova versão Mark 2 será mais leve?

    1. As versões 6X6, incluindo a Mark II, por requisitos, são aerotransportaveis por aviões do porte do C-130 Hércules (o KC-390 se enquadra nesta categoria).
      Já as 8X8, por serem maiores, mais protegidas e que transportam mais munição (portanto mais pesadas) necessitam de aeronaves do porte do A-400M, conforme descrevi no texto.

  9. Boa tarde senhores,
    Pelo que vejo já temos um vencedor para a concorrência do EB. O ideal é fazermos uma carta para o EB falando sobre o CAESAR e encerrar a concorrência. Israel e outros países foram desclassificados sem maiores explicações. Se eu fosse o CEO dessas empresas de material de defesa nem mandaria proposta para a concorrência.
    Se formos falar em Artilharia e História deveríamos nos lembrar da Turquia que derrubou os muros de Constantinopla com o maior canhão construído até 154 e encerrou a Idade Média.
    Nesse tipo de canhão movido por viatura existem várias outra opções tão boas ou melhores do que essa da França. Inclusive temos que ver o que vai ser feito com o maravilhoso Porta aviões que a frança vendeu para o Brasil e que hoje é uma sucata ao largo da costa brasileira que ninguém quer nem como sucata.

    1. Boa tarde Ribeiro.
      Tomarei como elogio sua sugestão de manifestação para a aquisição do equipamento francês, pois imagino que isso se deveu a qualidade do meu texto, não é mesmo?
      Se isso for de fato verdade, acho que encaminharei esta sugestão a diversas empresas que pagaram verdadeiras fortunas para alguns profissionais da área fazerem suas propostas e que não foram bem sucedidas 😉
      Mas pode ficar tranquilo, pretendo escrever sobre todos os principais concorrentes deste programa, como fiz para o programa VBC Cav, desde de que as empresas me municiem com informações, e quanto maior a qualidade destas informações, melhor será o texto final, prometo 😀
      Sobre o caso do NAe São Paulo, acho que não dá para comparar uma compra de oportunidade, onde foram apresentados todos os problemas da embarcação e suas possíveis soluções, com um programa de longo prazo como este, não é? Se for assim, posso apresentar problemas resultantes deste tipo de transação, seja no Brasil ou com nossos vizinhos, de todos os países (ou fabricantes) dos possíveis candidatos a este programa.
      Brincadeiras a parte, este será um programa que levará um bom tempo, permitindo apresentar diversos textos relativos ao tema e que sejam do interesse de vocês (e espero que com a mesma qualidade do CAESAR).

    2. E obrigado sobre a sugestão de derrubada dos muros de Constantinopla, tentarei utiliza-la quando for escrever sobre as soluções da Aselsan ou MKE (caso apresentem proposta), usando um pouco da minha “licença poética”. Eu só tinha uma ideia para o SH15, dizendo que pólvora veio da China, mas sobre Israel e as quase duas dezenas de possíveis países candidatos, terei que me superar 🙂

  10. Ribeiro, a segunda temporada de império otomano vai começar na Netflix. Mais
    Conhecimento para você comentar aqui!

  11. Paulo Roberto, você apesar de não ser um militar é um pesquisador e estudioso das novidades militares e seus textos são sempre muito bem concatenados e as matérias atuais, meus parabéns.
    Porém a grande maioria que opina não fez cursos na Escolas Militares, muito menos nas de Altos Estudo Militares como a ECEME, então são palpiteiros.
    Quanto a China não ter ganho nem Israel e sim uma empresa de origem italiana veremos o que o futuro nos reserva.
    Pelo cronograma de entrega dos 8×8 que será de 7 por ano quando entregarem o último a frota já existente já terá mais da metade dos seu blindados ultrapassados e em muitos casos indisponíveis.
    Creio que a maioria não teve a oportunidade de ser Ordenador de Despesas (OD) então pode falar o que quiser que o seu CPF não ficará pendente por muitos anos até as contas serem aprovadas. Espero sinceramente que o OD do COLOG depois não se arrependa.
    Espero também o mesmo entusiasmo com as matérias do concorrente do CAESAR.
    Quanto a série da NETFLIX não é necessário. O Exército atual da Turquia é muito bom e tem excelentes materiais, inclusive eu os conheço. Para a repotencialização dos Leopard eles têm vários armazéns cheios de peças sobressalentes, até muito mais que a Alemanha.
    Quanto a China é o maior parceiro comercial do Brasil queiramos ou não e na área de defesa eles não ficam atrás de ninguém. É só conhecer a matéria um pouco mais.
    Desejo a todos um Feliz Ano Novo e tudo de bom a todos.

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