O carro de combate Kaplan será demonstrado no Brasil

A empresa turca FNSS Savunma Sistemleri (uma “joint venture” da Nurol Holding com a BAE Systems) e a belga John Cockerill Defense deverão trazer ao Brasil uma viatura blindada de combate (VBC) Kaplan-MT, um carro de combate equipado com a torre Cockerill® 3105.

A viatura se encontra atualmente em processo de trâmites aduaneiros, com previsão de chegada ao país entre março e abril, para participar da Festa da Cavalaria, a tradicional solenidade nacional Alusiva ao patrono da Arma de Cavalaria, o Marechal Osório, que ocorre na cidade de Tramandaí (RS), em maio.

Após a solenidade é prevista que a viatura seja enviada ao Centro de Instrução de Blindados (CI Bld), em Santa Maria (RS), para fazer demonstrações, como ocorreu com o CV90 no ano passado.

CONCEITO DE FAMÍLIA

Kaplan-MT (Fotos FNSS)

O Kaplan-MT (“Medium Tank”) é uma viatura de combate projetada para atender às necessidades emergentes da guerra moderna, com peso reduzido e grande mobilidade, dentro do conceito Medium Main Battle Tank (MMBT), e que poderá nortear boa parte dos blindados de combate da próxima geração, incluindo o Exército Brasileiro (EB), que acompanha atentamente estas tendências visando a substituição de seus atuais carros de combate Leopard 1A5BR.

Foi desenvolvido a partir de uma parceria entre a FNSS e a empresa PT Pindad, da indonésia, de um acordo entre os dois países, e entrou em serviço Exército da Indonésia neste ano, com o nome de “Harimau” (*).

Está equipado com uma torre modular Cockerill® 3105, com proteção STANAG 4569 level 5 e  armada com um canhão de 105mm e 53 calibres, de alta pressão (HP), sistema de carregamento automático (“autoloader”) e com uma elevação de tiro entre -10º e + 42º. Possui ainda uma metralhadora coaxial de 7,62x51mm e pode receber uma metralhadora de 12,7x99mm (.50 BMG), ou lançador de granadas de 40mm, em reparo manual ou em sistema de armas remotamente controlado (SARC), um moderno sistema de lançamento de granadas fumígenas, com oito cargas para pronto emprego, e com a tripulação dispondo de grande suíte de sensores, em uma arquitetura eletrônica completamente digital, permitindo o engajamento contínuo do alvo e acompanhamento automático (“auto tracking”) e a função “caçador-matador” (“hunter-killer”), que possibilita ao comandante trazer o armamento para a direção em que estiver observando, mantendo-o em seu controle e efetuando o disparo, sem a interferência do atirador.


Essa torre é uma das mais modernas de sua categoria, podendo receber diferentes armamentos, de diferentes calibres, e atualmente equipa diversas viaturas de combate, dentre ela o LAV 700 Assault Gun (que participou da concorrência do VBC Cav) e o Leopard 1A5 demonstrado na Eurosatory de 2022.

O Kaplan possui uma tripulação de três ocupantes (motorista, artilheiro e comandante) e um peso de combate da ordem de 30 toneladas, que devido a sua motorização, um Caterpillar C13, de 711CV e montado na parte traseira, com suspensão por barras de torção e uma transmissão automática Allison X300, garante uma grande mobilidade, permitindo alcançar uma velocidade final de 78km/h (em estradas), capacidade de atravessar valas de 2m e obstáculos verticais de 0,9 m, com uma autonomia de 450km.

Kaplan-30 NG, equipado com um canhão de 30x173mm

A FNSS está investindo no desenvolvimento de toda uma família baseada na plataforma do Kaplan, como transporte de tropas, plataformas para sistemas anticarro e viaturas de combate autônomas, mas, para o EB, os projetos para viaturas blindadas de combate de fuzileiros (VBC Fuz), com diferentes configurações de armamento e peso, e podem ser interessantes opções no futuro projeto de aquisição desse novo sistema de armas para a Força Terrestre, dentro do Programa Estratégico do Exército Forças Blindadas (Prg EE F Bld), e outros fabricantes, em breve, deverão anunciar demonstrações de suas viaturas no Brasil.

 

(*) KAPLAN e HARIMAU significam TIGRE em seus respectivos idiomas.

 

 

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Comentários

24 respostas

  1. Em opinião pessoal julgo ser a melhor opção para o CFN, pela questão custo. O CV90 seria o melhor acredito eu, porém o custo é maior e este veículo aí não ficaria devendo nada, visto oque a força tem!

  2. na minha modesta opinião, ja ta na hora de trocar esse 105mm ja deu o que tinha que dar. Ta na hora de passar pro 120mm vamo virar a pagina. Mas eu acho excelente a iniciativa da FNSS Savunma de querer demonstrar seu produto ao EB.

    1. Concordo.
      Comprar um veículo novo com canhão 105mm é uma insanidade, ainda mais para o EB que irá usá-lo por uns 50 anos. Ou seja, lá por 2080 estaríamos usando um canhão que foi abolido dos MBTs 100 anos antes.

  3. Eu pensei que estava ficando cada vez mais difícil encontrar munição para essa torre de 105 uma vez que, se não me engano, já foi dito que cada vez menos fabricantes estão fazendo essas munições, dependendo de munições estocadas à tempo, talvez deterioradas? Se esse é o caso, por que insistir nelas?

  4. Essa viatura é perfeita para o CFN da marinha,espero que eles avaliem e consigam chegar a um acordo para sua aquisição no lugar dos SK-105 Kurasier.

  5. Engraçado a BAe System tá envolvida em 4 famílias de blindados IFV’s diferentes: CV90 (BAe System Hägg lunds) Bradley(Bae USA) Kaplan (Joint Venture) Lynx (Joint Venture BAe System Land -40% Rheinmetall AG-60%)…o que também quer dizer que há 2 MBT e 2 MMBT

  6. Esse pelo menos deve ter preço bom ao contrário do CV90-120T.
    Mas ainda prefiro o VT4 da Norinco, um MBT de verdade com blindagem pesada, canhão de 120 mm e relativamente barato custando cerca de U$ 6 mi.

    1. O VT-4 usa canhão de 125mm muito provavelmente sua blindagem lateral é limitada pelo carrossel de munição…fora a taxa de sobrevivência menor nesse tipo de armazenamento de munições…em questão de IFV acho o VN-17 superior ao VN-20 tendo em vista que o ultimo é um MBT adaptador para IFV, a família Type-15 (VT5&VN17) já foi pensada em família diferente do binômio VT4&VN20

      1. é melhor ter um blindado com alta taxa de sobrevivência no campo de batalha que consiga continuar em operação por mais tempo do que um que não consegue mas a tripulação só iria perder um braço em vez da vida, por isso o vt4 é superior

        1. Acho que você não entendeu a diminuição da blindagem por causa do carrossel pode não ser contornada caso se escolha outro tipo de torre/armamentos fora que não se há um local para guardar as munições de forma “mais segura” como em outros MBT que tem locais específicos para essa finalidade. Fora que essa blindagem mais “fina” mais a munições “ao lado” tende a torna um evento castrastrófico!
          O sistema do leclerc é superior por mais que tenha vendido “pouco” teve filhos (Type 90 e Type 10 no Japão; K2/Altay Coreia/Turquia)

      2. Sim mas a Norinco ofereceu ao Brasil o VT-4 com canhão de 120 mm.
        120 mm padrão Otan é requisito do EB. Por mim eu não vejo problema em usar o 125 mm desde que possamos produzir as munições aqui ou que tenhamos acesso às melhores munições do calibre.
        O VT-5 já é um MBT leve ou mmbt.
        É cerca de 10 toneladas mais leve. Ainda prefiro o VT-4.

        1. A NORINCO NUNCA ofereceu ao Brasil o VT-4 com canhão de 120 mm“, até por que a concorrência ainda nem foi lançada.
          A empresa disse a mim, durante entrevista, que “pode fazer a integração da torre Leonardo HITFACT Mk2 no VT4, conforme questionamento do EB, ou adaptar um canhão de 120 mm em sua torre…” e foi isso que foi publicado.
          Outra coisa, em nenhum documento do EB afirma que “120 mm padrão Otan é requisito do EB“.
          O requisito que existe at´o momento é: “Possuir, como armamento principal, um canhão com calibre entre 105 mm a 120 mm(cento e cinco milímetros a cento e vinte milímetros)“.

          1. Caro Paulo, desculpe ter interpretado seu texto de forma erronea, imaginei que já haviam oferecido, quando na verdade falaram apenas da possibilidade.
            Sobre o requisito de 120 mm foi o que entendi ao ler sua matéria, segue trecho:

            “No caso da VBC CC, os requisitos que mais se destacaram foram em relação ao seu peso, que os estudos apontaram para possuir peso inferior a 50 toneladas, o que facilitaria seu transporte com os meios já disponíveis, bem como a possibilidade de ter como armamento principal um canhão de 120 mm, com tubo de alma lisa, e uma grande gama de optrônicos de aquisição de alvos e computadores, permitindo o combate em qualquer tempo, com grande probabilidade de acerto no primeiro tiro, e completa suíte C4I.”

            https://tecnodefesa.com.br/china-aposta-nos-blindados-pesados-para-o-exercito-brasileiro/

          2. Bastos, bom dia, existe a mínima e remota chance do EB vir a selecionar um MBT ou M’MBT com canhão de 105 mm na sua visão e ou com base nos dados e informações que vc possui ???

          3. De acordo com os documentos publicados, esta possibilidade existe, porem, em minha opinião, isso não deverá ocorrer.
            Lembrando que os projetos da VBC CC Futuro e a VBC Fuz ainda estão em fase de definições, ou seja, em seu inicio.

          4. Se o objetivo é a tecnologia no estado da arte, seria possível o Brasil adquirir o projeto ARMATA Russo, agora que eles com o problema da guerra abdicou de continuar, Ele é sensacional no que se refere a proteção da sua guarnição e a torre é alimentada automaicamente. Para nós poderia ser um carro de combate de século XXI. Como os portugueses diziam “navegar é preciso …”

  7. Seria bom pro CFN no lugar do SK-105 , no caso do EB ele caberia mais como complemento a um MBT , metade da frota MBT e a outra metade MMBT principalmente em regiões com pouca infraestrutura .

  8. Eu acredito que na atual guerra eletrônica, um carro de combate hoje te que possuir uma torre de interferência de drones ou capitação de sinal para drones próximos, que poderiam vir a atacar o blindado, hoje isso seria essencial numa guerra, que atualmente estamos bem próximos

  9. Na minha opinião, o EB deve colocar como requisito básico o calibre de 120 mm para o Carro de Combate a ser escolhido. Com o Centauro já estando equipado com canhão desse calibre, nada mais lógico a padronização, além do poder de fogo bem maior frente ao 105 mm.

    1. Sim e acredito que o EB fará isso, afinal, é um veículo para durar, no mínimo m 40 anos em suas fileiras.

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