Combate aéreo do futuro: F-15EX e caça não tripulado MQ-28 voam integrados

F-15EX Eagle II e MQ-28 Ghost Bat voam integrados durante exercício multinacional no Pacífico (PACAF/Divulgação)

Pela primeira vez, o caça não tripulado MQ-28 Ghost Bat, da Boeing Australia, voou ao lado do F-15EX Eagle II da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF). A atividade ocorreu durante o exercício multinacional Valiant Shield 2026 e representa mais um passo rumo ao emprego operacional dos chamados Collaborative Combat Aircraft (CCA), conceito que prevê a atuação integrada entre aeronaves tripuladas e drones de combate autônomos.

Os CCA figuram hoje entre as principais apostas das grandes forças aéreas para ampliar a capacidade de combate sem aumentar proporcionalmente o número de pilotos e aeronaves tripuladas. Além de atuarem como sensores avançados, plataformas de guerra eletrônica ou vetores de ataque, esses drones também integram o conceito dos futuros caças de sexta geração, concebidos não como uma única aeronave, mas como uma família de sistemas conectada.

A importância do voo foi destacada pelo próprio Comando das Forças Aéreas do Pacífico (PACAF), que divulgou imagens da missão e classificou a atividade como uma demonstração da integração que deverá caracterizar o futuro do poder aéreo. “Sistemas não tripulados atuam como multiplicadores de força, ampliando o alcance e a eficácia dos pilotos humanos”, afirmou o comando norte-americano.

F-15EX Eagle II e MQ-28 Ghost Bat voam integrados durante exercício multinacional no Pacífico (PACAF/Divulgação)
F-15EX Eagle II e MQ-28 Ghost Bat voam integrados durante exercício multinacional no Pacífico (PACAF/Divulgação)

Primeira aeronave militar desenvolvida na Austrália em mais de 50 anos, o MQ-28 também é o programa aeroespacial mais avançado já produzido no país. O Ghost Bat está entre os projetos de CCA mais maduros do mundo e já alcançou marcos importantes, como tornar-se o primeiro caça não tripulado a lançar um míssil ar-ar AIM-120 AMRAAM.

Sua participação no Valiant Shield – treinamento com presença de vetores e militares dos EUA, Japão, Canadá, Nova Zelândia e  a própria Austrália – também marcou a estreia do modelo em um grande exercício multinacional no teatro do Indo-Pacífico.

Segundo o portal The War Zone, ainda não foram divulgados detalhes sobre o nível de integração alcançado entre o F-15EX e o MQ-28 durante os voos. A expectativa, porém, é que o Eagle II desempenhe justamente uma das funções para as quais foi concebido: controlar e coordenar aeronaves não tripuladas por meio do operador instalado no assento traseiro.

O conceito não é exclusivo dos Estados Unidos. Rússia e China já estudam empregar versões bipostas dos caças Su-57 e J-20 como plataformas de comando para drones de combate, enquanto a Saab também destacou essa capacidade durante a apresentação do Gripen F.

Outro exemplo foi a recente é a integração bem sucedida entre o jato de treinamento avançado Leonardo M-346 e o caça não tripulado Baykar Kizilelma. Assim como o MQ-28, o Kizilelma turco também é um modelo que demonstra avançado desenvolvimento entre os CCA’s, já tendo realizado disparo de mísseis de longo alcance e emprego de bombas inteligentes. 

Assim, muito mais do que uma tendência, a integração entre caças tripulados e aeronaves autônomas caminha rapidamente para se tornar um dos pilares da aviação de combate nas próximas décadas.

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