US Army oferece C-23B Sherpa ao Exército Brasileiro

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(Imagem: US Army)

O Exército Brasileiro (EB) está se preparando para reativar sua aviação de asas fixas, capacidade perdida em 1941 com a criação do Ministério da Aeronáutica e a Força Aérea Brasileira (FAB), e a transferência para a nova força de todo o material aéreo.

O Projeto 32 ou a expansão das instalações do Comando de Aviação do Exército, localizado em Taubaté (SP), foi implementado observando também os requerimentos colocados pelo EB para um bimotor de transporte para cargas e pessoal (dotado de porta rampa), e capaz de voar nas imensidões amazônicas da região norte.

A frota de C-23B Sherpa retirada de serviço no US Army encontra-se estocada em condições de voo (23 exemplares) em Fort Sill, Oklahoma. (Imagem: US Army)
A frota de C-23B Sherpa retirada de serviço no US Army encontra-se estocada em condições de voo (23 exemplares) em Fort Sill, Oklahoma. (Imagem: US Army)

O Comando Logístico da Força Terrestre, segundo publicado no Boletim do Exército nº 38 está nos Estados Unidos da América para reunião de acompanhamento do contrato de manutenção e upgrade de 32 obuseiros autopropulsados M-109A5 BR, além de uma visita à Exposição Internacional de Produtos de Defesa da Association of the United States Army (AUSA), em Washington, e um encontro para verificar a situação da aeronave C-23B Sherpa e uma possível negociação direta dos estoques do United States Army (Exército Norte Americano).

Desativados no início de 2014 após duas décadas de serviços na Guarda Nacional (16 exemplares), os C-23B Sherpa continuam sendo reconhecidos pela robustez, capacidade de carga, porta rampa, excelente alcance e independência operacional em áreas remotas desprovidas de serviços básicos de apoio em solo para aeronaves. Este é exatamente o perfil operacional que o EB procura para operar em segurança na Amazônia, e com uma vantagem, o custo de aquisição menor frente a uma aeronave nova de fábrica.

A proposta norte-americana poderá incluir a venda (por um valor vantajoso via FMS) de todo o ferramental, material de apoio e manutenção, sobressalentes, motores reservas, componentes, manuais e documentação, mais a entrega das aeronaves na condição em que se encontram, com ou sem a realização de serviços necessários para recolocá-las em condições de voo.

Um C-23B Sherpa passa por serviços de manutenção nas instalações da M7 Aerospace em San Antonio, Texas (EUA)
Um C-23B Sherpa passa por serviços de manutenção nas instalações da M7 Aerospace em San Antonio, Texas. (Imagem: US Army)

O C-23B Sherpa da Guarda Nacional difere dos empregados pela United States Air Force (USAF) pelas janelas nos dois lados da fuselagem, e pelos motores, dois Pratt & Whitney Canada PT6A­65AR com 1.425 HP

Este certamente é o ponto de maior interesse dos militares brasileiros, pois esse grupo propulsor possui uma longa e confiável tradição em serviço militar no Brasil, e existe um bem montado parque MRO preparado para apoiá-lo com custos atraentes.

O C-23B Sherpa pode transportar 30 soldados equipados, com tripulação formada por dois pilotos e mestre de carga/mecânico de voo, dependendo da missão. O alcance máximo é de 1.240 Km, com velocidade média de quase 400 km/h (cruzeiro).

Dentre os remanescentes de uma frota declarada de 43 exemplares, existem pelo menos duas dezenas estocados no Aerospace Maintenance and Regeneration Group em Tucson, no Arizona.

O Fator M7 Aerospace e os contratos do C-23B Sherpa

O C-23B Sherpa emprega motores PT-6, conhecidos pelos militares brasileiros, e possui cauda dupla com porta rampa de carga que permite ao mesmo transportar inclusive turbinas de helicópteros da Aviação do Exército.
O C-23B Sherpa emprega motores PT-6, conhecidos pelos militares brasileiros, e possui cauda dupla com porta rampa de carga que permite ao mesmo transportar inclusive turbinas de helicópteros da Aviação do Exército. (Imagem: US Army)

O Aeroporto Internacional de San Antônio é a base da M7 Aerospace, subsidiária da israelense Elbit Systems nos Estados Unidos, e local da visita do general-de-exército Theófilo Gaspar de Oliveira e do coronel-QMB Washington Rocha Triani.

A M7 Aerospace presta serviços de manutenção, reparos, manufatura de aeroestruturas, serviços de suporte logísticos governamentais, apoio e suporte/gerenciamento de cadeias de suprimentos/aquisições, etc.

Dentre outros contratos sob sua responsabilidade, está o trabalho de reconstrução e upgrade dos Grumman C-1A Trader adquiridos pela Marinha do Brasil para futuramente serem operados no NAe São Paulo (A-12) empregando motores turboprop Honeywell TPE331.

No caso dos C-23B do US Army, a M7 Aerospace venceu, no final de 2011, contrato de mantenimento (ciclo de vida) da frota de Sherpa que acabou desativada três anos depois. Este contrato, de US$ 27,7 milhões, tinha previsão de cumprimento até o final de 2014.

A M7 possui acordo com a distribuidora exclusiva de partes e componentes de aeronaves Shorts 330, da qual o Sherpa é derivado, e garante disponibilidade e suporte customizado com custos reduzidos de entrega para usuários do C-23B que adquirirem esses serviços, peças e componentes em San Antônio.

Roberto Caiafa