USAF quer aposentar jatos U-2 e A-10 Thunderbolt em 2027

A-10 Thunderbolt II empregando o canhão GAU-8 Avenger de 30mm. (Foto: Sgt. Parker Gyokeres/USAF)

Na proposta de orçamento para o ano fiscal de 2027, a Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) quer acelerar a renovação de sua frota. O plano prevê a retirada de quase 150 aeronaves, incluindo todos os aviões de reconhecimento U-2 Dragon Lady e cerca de metade dos A-10 Thunderbolt II, ao mesmo tempo em que solicita recursos para a compra de 108 novos vetores, no maior orçamento já apresentado pela instituição.

Essa não é a primeira vez que a USAF tenta aposentar o U-2. Ícone da Guerra Fria, o modelo – que não tem substituto claro indicado pela Força Aérea – segue em operação graças à sua capacidade única de voar em altitudes extremas e realizar missões de inteligência de longa duração.

Recentemente, a aeronave foi empregada na Operação Epic Fury e em outras ações no Oriente Médio, segundo o Comando Central dos EUA. Em 2024, o Congresso estadunidense já havia barrado uma proposta semelhante de retirada da frota, que hoje é formada por 23 aeronaves.

No caso do A-10, a aposentadoria avança de forma mais concreta, ainda que em ritmo mais lento que o planejado anteriormente. Apesar de ter formado sua última turma de pilotos recentemente, a USAF decidiu manter o “Warthog” em operação até 2030.

USAF quer aposentar todos os seus U-2 Dragon Lady. (Lockheed Martin/Divulgação)

A nova proposta, porém, reduz a frota para 54 aeronaves, número suficiente para equipar três esquadrões, afirma a Air & Space Forces Magazine. Mesmo considerado vulnerável em cenários de alta intensidade, o jato segue ativo em operações no Oriente Médio, em ações contra milícias iraquianas apoiadas pelo Irã.

Desde que entrou em operação nos anos 1970, a Força Aérea já tentou “se livrar” do modelo inúmeras vezes, mas sempre foi impedida pelos congressistas. A USAF alega que o avião  já não é mais compatível com os conflitos modernos, mas a aeronave tem atuado fortemente no Oriente Médio nos últimos anos. Assim como o U-2, o A-10 também está vendo ação no Oriente Médio. No contexto da Epic Fury, o jato tem atuado contra milícias iraquianas apoiadas pelo regime iraniano.

Além desses modelos, o plano inclui a retirada de 20 aviões-tanque KC-135 Stratotanker, 16 cargueiros C-130H Hercules e cerca de 40 outras aeronaves entre treinadores T-6 Texan II, T-38 Talon e caças F-16 Fighting Falcon. Segundo a Força Aérea, a idade avançada dessas plataformas é o principal fator para a desativação.

Novos investimentos

O orçamento proposto para 2027 chega a US$ 338,8 bilhões, 38% a mais que os US$ 246 bi. do ano passado. Desse total, US$ 30,7 bilhões serão destinados à aquisição de novas aeronaves, incluindo 38 F-35A Lightning II, 24 F-15EX Eagle II, 23 T-7A Red Hawk e 15 KC-46 Pegasus.

(Boeing/USAF/Divulgação)

Segundo o secretário da Força Aérea, Troy Meink, a nova proposta orçamentária é uma mudança estratégica fundamental. “Este orçamento se distancia das práticas anteriores e prioriza conscientemente o investimento em modernização e prontidão, reconhecendo ambos como essenciais e inegociáveis”, afirmou.

O plano também amplia os investimentos em capacidades futuras. Estão previstos US$ 2,9 bilhões para o desenvolvimento do B-21 Raider, US$ 1,1 bilhão para aeronaves de combate colaborativas (CCA), além de recursos para armamentos como o JATM e o AIM-120 AMRAAM. Ao todo, US$ 57,6 bilhões serão destinados a pesquisa, desenvolvimento, testes e avaliação, incluindo US$ 5 bilhões para o futuro caça de sexta geração F-47, um aumento de US$ 1,5 bilhão em relação a 2026. 

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