Navistar MaxxPro MRV-PK, o novo blindado socorro do Guarani

O Exército Brasileiro (EB) vai receber vinte viaturas blindadas especiais de socorro (VBE Soc) 6X6 MaxxPro MRV-PK, fabricadas pela empresa estadunidense Navistar Defense e adquiridas em fevereiro de 2019, via o programa de vendas militares estrangeiras (“foreign military Sales” – FMS), para equipar suas unidades logísticas das brigadas de Infantaria mecanizada.

De acordo com o EB, chegada destas viaturas, que já foram produzidas e se encontram no pátio da empresa nos Estados Unidos, era prevista para o final deste ano, mas foi postergada para o primeiro semestre de 2023, sendo que o curso de capacitação de seus operadores ocorrerá no Parque Regional de Manutenção da 5º Região Militar (Pq R Mnt/5), em Curitiba (PR).

Imagens das viaturas do EB nos Estados Unidos

 

O MaxxPro Recovery Vehicle – Performance Kit (MRV-PK) é uma versão atualizada do M1249, adotado pelas forças armadas dos EUA em 2010. Trata-se de uma viatura de padrão CAT I MRAP, ou seja, com proteção blindada resistente a disparos de armas de infantaria (5,56 e 7,62mm), estilhaços de artilharia, minas e artefatos explosivos improvisados (“improvised explosive device” – IED), o que o torna apto a realizar resgates no campo de batalha.

Está equipado com um motor MaxxForce 9.3D, turbo, com 450 hp a 2.000 rpm e torque de 186,64 kgfm  a 1.200 rpm, uma transmissão automática de seis velocidades e a suspensão independente DXM ISS, a mesma montada nos MRAP M1235A1 Dash.

Possui capacidade de 42 ton para reboque (PBTC); 22,6 ton de arraste no cabo de aço; 15,8 ton com o uso da “asa delta” traseira; e 27,2 ton de içamento de carga no guindaste, com lança hidráulica, ou seja, atende perfeitamente as viaturas da família Guarani.

Um M1249 MRV, do US Army, mostrando sua força ao auxiliar na construção de uma base em Kandahar (Foto: US Army)

 

Especificações técnicas

  • Comprimento:  10,947 metros;
  • Altura:              3,28 metros;
  • Largura:           2,63 metros;
  • GVWR:              47.728 kg / 94,199 lbs.

 

Esclarecendo os fatos

Em junho de 2018, Tecnologia & Defesa publicou uma nota informando que o EB estava negociando a aquisição de 10 viaturas 8X8 Oshkosh HEMTT (Heavy Expanded Mobility Tactical Truck) M984 exatamente para atender as demandas das Brigadas Guarani. Isso se deu em função de informações vindas diretamente do EB  de uma publicação do Centro de Instrução de Blindados.

Em março de 2019 foi publicado (através do despacho decisório nº 22/2019) que o EB havia adquirido 20 VBC Soc para o Programa Guarani, porém sem anunciar o modelo, o que levou a confusão que se tratava do mesmo modelo negociado anteriormente, tanto que esta confusão também se deu em militares do próprio EB. Porem, rapidamente a Comissão do Exército Brasileiro em Washington (CEBW) entrou em contato com a revista esclarecendo que o modelo a ser adquirido não seria mais aquele.

 

Nota da redação: Tecnologia & Defesa registra seus agradecimentos Agência Verde Oliva  pelos esclarecimentos e disponibilização das informações que permitiram a confecção desse trabalho.

 

Copyright © 2022 todos os direitos reservados

Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida ou transmitida em qualquer forma ou por qualquer meio, eletrônica ou mecanicamente, exceto nos termos permitidos pela lei, sem a autorização prévia e expressa do titular do direito de autor.

Artigos Relacionados

Formulação Conceitual dos Meios Blindados do Exército Brasileiro ESTADO-MAIOR DO EXÉRCITO-PORTARIA Nº 162-EME, DE 12 DE JUNHO DE 2019 Documento...

Pela primeira vez no Brasil, foi realizado o reabastecimento em voo (REVO) por helicóptero, foi a chamada Operação MANGA. Na...

No dia de hoje, 17 de abril, no Quartel General do Exército (QGEx), o general de exército Fernando José Sant’ana...

Nesta segunda-feira, dia 15 de abril, o Destacamento de Aviação do Exército no Comando Militar do Norte (Dst Av Ex/CMN)...

Começou no ultimo domingo, dia 14 de abril, a Operação “Jeanne d’Arc 2024”, exercício realizado pela Marinha do Brasil (MB)...

Santiago Rivas (*) Na manhã de hoje, 16 de abril, foi finalmente assinado o contrato de aquisição das 24 aeronaves...

Comentários

23 respostas

    1. Moisés, ASTROS é o sistema de artilharia. O chassis, motor, transmissão, ou seja, a parte mecânica do sistema do ASTROS, atualmente, é TATRA. Então, você deve querer saber o preço da versão de Socorro baseado na plataforma mecânica TATRA.

    2. a situação do astros e a mesma dos possíveis P-8s caso a FAB venha adquirir

      ia custar muito dinheiro e anos para ambos ficarem prontos, sem falar em certificação de sistemas, homologação testes, aceitação pela força, atualização de produto, isso sem falar em possíveis cortes de orçamento nos programas se eles existissem. no final de contas nem sempre vale a pena ficar 5/10 anos desenvolvendo coisas localmetes

    1. Esta versão de socorro 8×8 da família ASTROS não é utilizada pelo EB. Algum cliente que adquiriu o ASTROS também adquiriu esta versão de socorro?

    2. “e do por que mais uma vez o EB não quis a solução nacional?” A resposta esta exatamente no link.
      “Devido aos constantes cortes nos recursos destinados à área da defesa, o projeto da versão 8×8, que também contemplava um veículo de reconhecimento munido de um canhão de 105 mm, acabou paralisado por prazo indeterminado.”
      “Isso obrigou o EB a buscar outras alternativas, dentre elas uma versão socorro, 8×8, baseado no caminhão do sistema ASTROS II MK5, da Avibras. Esta opção não vingou, tanto devido ao seu alto custo unitário.”
      Sem contar que via FMS pode parcelar em ate 10 anos se não me engano.

    3. Acorda Maria Bonita, o chassi 8×8 da Tatra é fabricado na República Tcheca, a Avibras coloca o sobre chassi nele e instala o container do Astros. É tão importado quanto o Max Pro.

    4. “FMS”, devem ter chegado baratinho bem mais em conta do que a versão Astros que até onde sei não existe, teria que desenvolver.

  1. Não queria os 8×8 proposto anteriormente mas com a Tatra no Brasil lá em Ponta Grossa PR queria uma viatura nacionalizada dos já conhecidos 8×8 que estão nos pelotões de engenharia para transporte de plataforma de pontes flutuantes mas a versão recovery
    enfim vamos fazer o melhor com o que temos enquanto não temos condições melhores de fazer melhor ainda

    1. “… queria uma viatura nacionalizada dos já conhecidos 8×8 que estão nos pelotões de engenharia…”

      Quais 8×8?

  2. É cedo perguntar mas haverá mais viaturas além dessas 20 ? Hoje estamos na casa de 600 guaranis, com 20 unidades da viatura de socorro será uma unidade para cada 30 blindados, um número que acho baixo.

    1. Diego, Pelo seu cálculo é como se fosse se acidentar ou ser neutralizado todos os 600 Guaranis 6X6 no campo de batalha, menos.

      1. Não, mas se desses 600 tivermos 60 baixas em combate, quanto tempo as outras 40 viaturas ficarão esperando por ajuda ?

        É uma conta bem de “padaria”, mas enfileire 30 guaranis e imagine se pelo menos 10 delas não poderão ser atingidas a ponto de precisarem de resgate.

        Elas terão apenas uma viatura de socorro para resgatá-las.

  3. Gostei da matéria, curta e rápida, mas pergunto, o Brasil, possui as melhores montadoras de veículos do mundo, pq não se desenvolve produtos nacionais p as forças armadas?!, se é por causa da blindagem, pq não se faz no exterior a carroceria blindada, mas a mecânica nacional. Eles vão ter custos, com freios, pistões, embreagem… q agora vai ter q importar. Penso q deveria valorizar mais o profissional e produtos nacionais, abraços.

    1. “MONTADORAS”, como a palavra diz essas fábricas montam os veículos, mas tudo é produzido em dezenas de empresas dentro e fora do Brasil, e como já foi colocado no blog o investimento em criar um equipamento tão específico, sendo a baixa demanda das FA’s no Brasil, não se paga, então em países como os EUA, onde as forças armadas compram muito, empresas como essas tem chance de sobreviver, além de conseguir exportar como aconteceu neste caso.
      Mas mesmo este produto tem origem em um projeto civil, que foi militarizado, para atender os requisitos de segurança em área de conflito.
      As empresas que mais conhecemos aqui no Brasil são a Tatra(Tcheca)e a Oshkosh(Americana), mas existem outras especializadas em veículos “especiais “

  4. SIMPLES. COM A POLITICA DE FAZER POUCAS AQUISICOES DE MATERIAL, MESMO NACIONAL QUE IMPERA A MAIS DE 50/60
    ANOS, AS ARMAS BRASILEIRAS SE TORNAM INVIAVEIS MUITAS VEZES, ATÉ PARA A INDUSTRIA NACIONAL.
    EM ESPECIAL PARA VEICULOS TÃO ESPECIFICOS

  5. Excelente notícia, nem tudo precisa ser de origem nacional(o que sempre é ,lógico, a melhor opção) pois há equipamentos que em matéria de Brasil, o custo do desenvolvimento pra comprar poucas unidades a conta gotas deixa tudo muito mais oneroso, vale mais procurar no mercado ,já saturado de modelos e fazer a compra de prateleira mesmo.

  6. Essas viaturas provavelmente serão entregues aos BLog e serão muito úteis no socorro das viaturas guarani….ok….mas acredito que seria mais coerente ter adquirido uma viatura 8×8 com capacidade de oferecer socorro também a futura VBC-Cav (faixa das 30t), afinal o Blog dá apoio a brigada toda e tem o esquadrão de cavalaria mecanizado também…

  7. Bom dia.

    A priori o EB tem em mente criar 4 Bda Inf Mec, das quais, até o momento, apenas a 15a Bda Inf Mec localizada no Paraná está efetivamente sendo equipada na sua íntegra, com todas as OM recebendo as VBTP Guarani. A Bda é considerada uma “unidade escola” para questões de avaliação doutrinária. E até por isso tem sido privillegiada no recebimento dos novos meios, inclusive os LMV recém adquiridos.
    Ademais, a 3a, 9a e a 11a Bda Inf Mtz\Leve estão sendo transformadas a conta gotas em infantaria mecanizada, e aparentemente, não tem a mesma prioridade da brigada paranaense em receber os sistemas acima com a mesma velocidade com que se dota as OM da 15a BdaInfMec.
    Obviamente que os BtlLog destas 4 GU serão equipados com estes 20 veículos, a título de experimentação operacional, a fim de ver como melhor se adapta nestas OM.
    Resta dizer que as Bda Cav Mec, que são 4 GU, também devem receber este tipo de veículo, mas o fato do EB não ter ampliado o número de Oshkhosh para equipar, também, estas unidades, revela a dúvida sobre as capacidades do veículo em atender o VBC CAV a ser escolhido, que como visto, tem no Centauro II e suas 30 ton de peso de combate acima do que o veículo norte americano pode suportar.
    Neste sentido, me parece que eles ficarão restritos as brigadas de infantaria enquanto a cavalaria mecanizada deve ser objeto de nova licitação para equipá-la com modelo mais adequado à necessidades específicas.
    Por fim é bom lembrar que o EB possui ROB emitido para um veículo socorro para a artilharia de campanha, que pode ser, ou não, o mesmo hora escolhido agora, ou outro que venha a ser eleito para as bdas cav mec.
    A ver.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

DISPONÍVEL