Entre os dias 27 e 29 de outubro, foi realizada em Salvador (BA) a VI Reunião do Grupo de Trabalho Bilateral sobre Cooperação Industrial na Área de Defesa (GTBCID) entre o Brasil e a Espanha. O encontro reuniu representantes dos Ministérios da Defesa, Forças Armadas e representantes de empresas dos setores de defesa e segurança dos dois países.
Durante o evento, a General Dynamics European Land Systems – Santa Barbara Sistemas (GDELS-STS) apresentou aos empresários brasileiros o modelo de transferência de tecnologia do ASCOD, um dos candidatos ao Programa da Nova Família de Blindados sobre lagartas do Exército Brasileiro (EB), já utilizado em outros países que adquiriam a viatura blindada.

A proposta da GDELS é que seja feita no Brasil a montagem final da viatura, incluindo a integração chassi/torre, além de que os sistemas de armas, comunicação e sensores sejam fabricados no país, além de certificar uma empresa nacional que ficará responsável pela execução da manutenção especializada de terceiro escalão, se tornando um centro de serviços certificado para a plataforma. A ideia é proporcionar uma autonomia logística nacional para que o EB possa selecionar o ASCOD com a garantia e segurança de que a viatura não ficará sobre o controle de órgãos de controle internacional como ITAR e BAFA.

PROPOSTA PARA O BRASIL
A versão do ASCOD proposta para o Brasil é baseada em sua versão mais avançada, o HUNTER/MEDNIEKS, recém entregue a Letônia, pois ambos os programas possuem cerca de 95% dos requisitos comuns.
A viatura terá proteção blindada padrão STANAG 4569 Level 5, podendo ser ampliada com a instalação de kits modulares adicionais. Sua motorização utilizaria motor MTU 8V199 TE21, de 800 hp, transmissão Renk HSWL 256B.
Como armamento, para a viatura blindada de combate de fuzileiros (VBC Fuz), a proposta é para uma configuração parecida com a letã, com a torre UT30 MK2, mas produzida no Brasil pela ARES Aeroespacial e Defesa (que também participa da proposta, junto com a AEL Sistemas), armada com o Bushmaster Mk44, de 30×173 mm, e metralhadora coaxial de 7,62x 51mm. A viatura poderá receber mísseis Spike LR2, que é de dotação do EB, aumentando ainda mais sua capacidade anticarro.
Já para a viatura blindada de combate carro de combate (VBC CC), que visa substituir os atuais Leopard 1A5BR, foram ofertadas duas opções de torre:
- A primeira equipada com a Leonardo HITFACT MKII 120, armada com um canhão de 120 mm, a mesma que equipa as VBC Cav Centauro II BR recém adquiridas, e que deverá ser produzida no Brasil; e
- A segunda é com a Elbit Sabrah Light, que poderá ter sua fabricação realizada por sua subsidiária no Brasil, a ARES. Seu canhão, de 105 mm é baseado no M68, de 51 calibres, e incorpora equipamentos eletro-eletrônicos que são comuns com a torre UT30BR, atualmente em uso nas viaturas da família Guarani.
Para ambas as opções de torre, seu peso deverá ficar na ordem de 45 toneladas, com uma altura máxima de três metros, totalmente dentro dos requisitos brasileiros.
No plano industrial, a GDELS apresentou disposição de cooperar com os Arsenais do Guerra do Rio e de São Paulo para viabilizar a produção e integração dos sistemas de armas nessas organizações militares, citando explicitamente a possibilidade da produção local de subsistemas com a ARES e do motor com a MTU do Brasil.
Na próxima edição da Revista Tecnologia & Defesa, que será lançada na 9ª Mostra BID Brasil, realizada de 24 a 26 de novembro, em Brasília (DF), haverá um artigo completo sobre o ASCOD.



Tecnologia & Defesa acompanhou alguns dos testes do ASCOD no campo de testes da empresa, em Sevilha, em março desse ano