Evento marca entrada do navio no setor operativo e prevê construção de mais quatro Fragatas da Classe
A Fragata Tamandaré (F200) foi incorporada à Esquadra brasileira nesta sexta-feira (24), durante cerimônia de Mostra de Armamento realizada na Base Naval do Rio de Janeiro. O evento marcou a transferência do navio para o setor operativo da Marinha do Brasil (MB) e representa um avanço na capacidade de defesa marítima do País e no processo de modernização da Força.
Primeira Fragata de um lote de quatro navios do Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT), a F200 é resultado da parceria entre a MB e a Sociedade de Propósito Específico Águas Azuis, formada pela TKMS, Embraer Defesa e Segurança e Atech, sob gestão da Empresa Gerencial de Projetos Navais (EMGEPRON).
Construída integralmente no País, a embarcação combina tecnologia alemã com elevado índice de conteúdo nacional, decorrente do processo de transferência de tecnologia. Ao longo do projeto, cerca de 1.585 trabalhadores participaram diretamente da construção, com predominância de mão de obra brasileira.
Durante a cerimônia, ocorreu a assinatura do “Termo de Armamento”, formalizando a incorporação da nova Fragata à Armada. Na sequência, foi realizado o descerramento da placa de incorporação e o hasteamento, pela primeira vez após o ato, do Pavilhão Nacional e da Bandeira do Cruzeiro a bordo.
Para o chefe do Estado-Maior da Armada, almirante de Esquadra Arthur Fernando Bettega Corrêa, este momento representa um salto qualitativo para a Esquadra, na medida em que amplia capacidades operacionais, inclusive aquelas desenvolvidas no Brasil, como o míssil antinavio MANSUP e o Sistema de Guerra Eletrônica Defensor. Ele acrescentou, ainda, que o navio é resultado de um esforço que extrapola o âmbito militar.
“Cada etapa de sua construção incorporou um aprendizado institucional que permanece no País, fortalecendo as capacidades nacionais. No mar, um navio não se define apenas por seu porte ou por seus sistemas, define-se pela harmonia entre projeto, tripulação e missão, inspirando a confiança de quem o conduz e o respeito de quem o observa. A bordo estará presente o Estado brasileiro, com uma tripulação que representa nossos valores, disciplina e capacidade de dissuasão, juntamente com uma notável disposição para cooperar”, completou.
O vice-presidente de Operações da Embraer Defesa e Segurança, Walter Pinto Júnior, destacou a relevância do programa para o avanço tecnológico e industrial do País. “A Fragata Tamandaré é a prova concreta de que o Brasil domina tecnologias complexas e é capaz de integrar sistemas de alto nível com padrão internacional. Mais do que isso, demonstra que somos capazes de transformar conhecimento em capacidade operacional real. Este programa já deixa um legado relevante, o fortalecimento da base industrial de defesa, o desenvolvimento de competências críticas e a integração com parceiros globais”.
Outro momento de destaque foi a investidura do capitão de fragata Gustavo Cabral Thomé no cargo de comandante do navio. Após assumir o comando, foi içada, no mastro principal, a flâmula de comando, símbolo da autoridade do oficial a bordo.
O comandante expressou o orgulho de comandar o primeiro navio da Classe: “O orgulho é imenso, ser comandante de uma tripulação muito competente, muito dedicada, com homens esforçados no seu dia a dia de trabalho. Agora é entregar para a Marinha o que é esperado”.
AMPLIAÇÃO DA FROTA
A incorporação da F200 ocorre em um contexto de ampliação da cooperação internacional. Nesse sentido, foi assinado, durante a Cerimônia de Mostra de Armamento, um memorando de entendimento para viabilizar o contrato de construção, no Brasil, de um novo lote com mais quatro fragatas da Classe Tamandaré. O documento é celebrado entre a União Federal, representada pelo Ministério da Defesa, e as empresas que compõem a Sociedade de Propósito Específico Águas Azuis. A iniciativa visa promover a recomposição do núcleo do Poder Naval brasileiro e dar continuidade ao processo de modernização da Esquadra.

CAPACIDADES
Projetada para atuar em diferentes cenários operacionais, a Fragata Tamandaré é capaz de detectar e neutralizar ameaças aéreas, de superfície e submarinas. O sistema de gerenciamento de combate integra, em tempo real, dados de sensores e armamentos embarcados, permitindo identificar e classificar ameaças e apoiar o operador na escolha da resposta mais adequada.
Esse processamento contínuo de informações contribui para maior rapidez e precisão na tomada de decisão em situações de elevada complexidade. O poder de fogo da fragata é letal e versátil, reunindo mísseis antinavio, mísseis antiaéreos de lançamento vertical e torpedos voltados ao combate de ameaças submarinas. Na artilharia, dispõe de um canhão principal de 76 milímetros de tiro rápido e alta precisão, além de um canhão de 30 milímetros e duas metralhadoras pesadas destinadas à defesa de curto alcance.
Os novos navios terão papel estratégico na proteção da chamada “Amazônia Azul”, atuando no monitoramento das linhas de comunicação marítimas, na defesa de ilhas oceânicas e na proteção de infraestruturas críticas, essenciais para o comércio exterior brasileiro.
Além do impacto operacional, o PFCT impulsiona a indústria nacional. A construção das Fragatas gera cerca de 23 mil empregos diretos, indiretos e induzidos, contribuindo para o fortalecimento do setor naval e da base industrial de defesa.
O comandante da Marinha, almirante de Esquadra Marcos Sampaio Olsen, ressaltou os benefícios diretos que o Programa traz ao País. “Para além do incremento de meios navais, o programa propicia avanços e benefícios tangíveis ao povo brasileiro. A construção impulsiona um número significativo de empregos diretos e indiretos, mobiliza ampla cadeia produtiva e promove capacitação de empresas brasileiras em tecnologias sensíveis e de alta complexidade”, afirmou. Ao destacar a transferência de conhecimento envolvida, o almirante enfatizou que a iniciativa contribui para a consolidação de uma base industrial de defesa robusta, imprescindível para a autonomia e o progresso do País.
O PROGRAMA
O programa, parte do novo PAC do Governo Federal, prevê a transferência de tecnologia para construir navios usando chapas de aço mais finas e montagem por blocos, que depois são unidos. Isso permite instalar peças e estruturas com antecedência, facilita a colocação de equipamentos e torna possível trabalhar em diferentes etapas ao mesmo tempo, em partes separadas. O processo também aumenta a segurança dos trabalhadores, pois mantém os espaços mais abertos por mais tempo durante a construção.
Além disso, o PFCT trabalha com tecnologia “paperless”, que visa ao desenvolvimento totalmente digital, eliminando o papel na linha de produção, promovendo a preservação ambiental. O projeto prevê a gestão do ciclo de vida do navio, que projeta os investimentos desde a construção até o desfazimento do meio.
Todas as embarcações serão produzidas em território nacional, com altos índices de conteúdo local e transferência de tecnologia, que incrementam a construção naval nacional e fomentam a Base Industrial de Defesa. A construção em Santa Catarina reativou um estaleiro, gerou empregos e aumentou a renda na região.
Outras três Fragatas seguem em construção no estaleiro em Itajaí: Jerônimo de Albuquerque (F201), Cunha Moreira (F202) e Mariz e Barros (F203). A F201 deverá iniciar os testes de mar no segundo semestre de 2026. A F202 está em fase final de montagem do casco, com lançamento ao mar previsto para 17 de junho. Já a F203 teve sua construção iniciada em janeiro deste ano, com o batimento de quilha previsto ainda para 2026.
Com a produção simultânea dos quatro navios, o programa atinge seu auge, consolidando a capacidade da indústria nacional em projetos de alta complexidade e garantindo entregas escalonadas até 2029.

Texto: primeiro-tenente (RM2-T) Larissa Vieira / Agência Marinha de Notícias
Fotos: Marinha do Brasil