Voa o primeiro F-35 da Luftwaffe

A Força Aérea Alemã (Luftwaffe) alcançou na terça-feira (8) um dos principais marcos do programa de aquisição dos caças Lockheed Martin F-35 Lightning II, com o voo inaugural da primeira aeronave destinada ao país. O jato decolou da fábrica da fabricante em Fort Worth, no Texas, cerca de um mês após deixar a linha de produção.

A Lockheed Martin comemorou a primeira decolagem do F-35 alemão em uma publicação no X, classificando o voo como um marco significativo para o programa e para as futuras capacidades da Luftwaffe. A aeronave recebeu a matrícula 35+01 e ostenta na cauda o escudo do German Air Force Tactical Training Command/USA, unidade sediada no Arkansas responsável pela formação de pilotos e técnicos alemães no F-35.

Após a conclusão do treinamento dos primeiros militares, os F-35 serão transferidos para o Taktisches Luftwaffengeschwader 33, sediado na Base Aérea de Büchel. A unidade atualmente opera os caças-bombardeiros Panavia Tornado IDS e é responsável pela missão de compartilhamento nuclear da Alemanha no âmbito da OTAN.

Em 2022, Berlim selecionou o F-35 para substituir a frota de Tornado e assinou um contrato para a aquisição de 35 aeronaves, em um pacote estimado em US$ 8,4 bilhões. O acordo também contempla armamentos, infraestrutura, treinamento de pilotos e especialistas, além de outros equipamentos e serviços necessários à operação do modelo. Em 2025 a Alemanha anunciou planos para expandir a frota com a compra de mais 15 aviões.

A escolha do F-35 encerrou uma disputa que inicialmente tinha o Boeing F/A-18E/F Super Hornet e sua variante de guerra eletrônica EA-18G Growler como principais candidatos. Um dos fatores decisivos foi justamente a missão nuclear. A Alemanha precisava manter a capacidade de emprego das bombas nucleares B61, disponibilizadas pelos Estados Unidos no âmbito dos acordos de compartilhamento nuclear da OTAN.

A certificação do F/A-18 para o emprego da B61 demandaria um processo adicional e poderia atrasar a substituição dos Tornado. O F-35, por outro lado, já estava integrado ao sistema de compartilhamento nuclear da aliança, contribuindo para a decisão alemã de optar pelo caça de quinta geração.

Com a chegada dos F-35, a Luftwaffe terá uma plataforma com características de baixa observabilidade e sensores avançados para substituir os Tornado, mantendo ao mesmo tempo a participação alemã na missão de dissuasão nuclear da OTAN.

COMPARTILHE

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *