Meses após os primeiros voos de testes, a Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) já começou a operar seus Fairchild-Republic A-10 Thunderbolt II equipados com um novo sistema de reabastecimento em voo. Imagens oficiais divulgadas recentemente mostram os jatos sendo abastecidos por um Lockheed Martin HC-130J Combat King II durante operações no Oriente Médio.
O novo equipamento, chamado de Probe Refueling Adapter (PRA), ou Adaptador de Reabastecimento por Sonda, foi desenvolvido rapidamente pelo Air National Guard Air Force Reserve Command Test Center em resposta a um “requisito urgente de comando de combate”, segundo a própria USAF.
As fotografias, registradas no dia 09/05 mas publicadas na última quinta-feira (21), mostram aeronaves da 107ª Ala de Caça, deslocadas para a região no mês passado. Entre os aviões registrados, dois já aparecem equipados com o novo sistema instalado no nariz da aeronave, sobre o tradicional receptáculo do sistema flying boom.

Até então, o A-10 só podia receber combustível pelo método da lança rígida, padrão adotado pela USAF desde os anos 1950 e utilizado pelos aviões-tanque Boeing KC-135 Stratotanker e KC-46 Pegasus. Apesar da maior velocidade de transferência de combustível, esse sistema limita o número de aeronaves capazes de realizar o abastecimento.
Ao mesmo tempo, o conflito entre EUA e Irã sobrecarregou a enorme mas veterana frota de reabastecedores dos EUA.
Com o PRA, o Warthog passa a poder operar também com o método probe and drogue, utilizado por aeronaves como os HC-130 Combat King de busca e salvamento em combate, os MC-130 Commando de operações especiais e os KC-130 dos Fuzileiros Navais dos EUA. Essas plataformas operam em velocidades e altitudes mais compatíveis com o perfil de voo do A-10, especialmente em missões mais próximas à linha de frente.
A nova capacidade ainda está em fase de testes, mas já começou a ser aplicada operacionalmente em aeronaves de linha de frente no contexto da Operação Epic Fury. Desde o início da operação, mais de 24 A-10C foram deslocados para o Oriente Médio.

Mesmo se aproximando do fim de sua carreira operacional — incluindo o encerramento da formação de novos pilotos — o veterano jato de ataque continua sendo amplamente usado em missões de combate.
Recentemente, os Warthog participaram de ataques contra milícias iraquianas apoiadas pelo Irã e também atuaram em missões de busca e salvamento envolvendo a queda de um F-15E Strike Eagle em território iraniano. Durante essas operações, ao menos um A-10 foi seriamente danificado, obrigando o piloto a ejetar sobre território aliado.
Além do novo sistema de reabastecimento, os A-10 destacados para a região também vêm operando com o pod de guerra eletrônica AN/ALQ-167 Angry Kitten, equipamento até então não visto em uso no Warthog.

Originalmente desenvolvido para treinamento, o sistema possui capacidade de rápida reprogramação para simular diferentes ameaças aéreas em múltiplas plataformas, incluindo jatos executivos. Com o avanço do conflito, o pod passou a ser empregado operacionalmente em missões reais, incluindo ações de Supressão de Defesas Aéreas Inimigas (SEAD) conduzidas por caças F-16.
Segundo o Air & Space Forces Magazine, uma das principais vantagens do Angry Kitten é justamente sua flexibilidade. Diferentemente de sistemas tradicionais de guerra eletrônica, que exigem atualizações complexas fora da linha de frente, o novo equipamento pode receber modificações rápidas para responder a novas ameaças em ambiente de combate.