Uruguai negocia com a Noruega a compra de três OPV

Por Santiago Rivas (*)

A Armada Nacional do Uruguai está negociando com o governo norueguês a compra de três navios de patrulha oceânica da classe Nordkapp (“offshore patrulha boat” – OPV) para atender às necessidades da força, que atualmente não possui embarcações com capacidade de patrulhamento em alto mar.

A compra seria feita por cerca de 30 milhões de dólares, embora até agora não tenham sido definidos os detalhes do contrato e os trabalhos que terão de ser feito nas mbarcações, mas  seus motores principais deverão ser mantidos e o casco modificado, pois este recebeu uma falsa quilha para melhorar o resfriamento do motor, o que aumenta o calado e dificulta sua operação em águas como as do Rio da Prata.

Esta compra preejudicaria o projeto de compra de dois novos OPVs, no valor de cerca de 200 milhões de dólares, para o qual havia sido selecionada a proposta da empresa chinesa CSTC, ee que recebeu fortes pressões dos Estados Unidos para encerrar esta operação. Embora os barcos patrulha tenham sido modernizados em seus sistemas, ainda não foi acertado qual desses equipamentos será entregue com eles.

Embora sejam navios que podem cumprir até certo ponto a sua função, mais uma vez a Marinha uruguaia aponta para navios antigos (neste caso, com mais de 40 anos), que terão custos de manutenção muito elevados, com sistemas já obsoletos e para os quais em em muitos casos, será difícil obter peças de reposição e uma vida útil muito curta à frente, portanto, eles devem retomar o programa de compra de OPV em breve.

W321 Senja

Características

A classe Nordkapp foi lançada no final dos anos 1970 e era destinada a sete navios, embora em 1977 tenha sido reduzida para três. Em 2 de abril foi lançado o primeiro, denominado Nordkapp, que entrou em serviço em 25 de abril de 1981, embora o segundo da classe, o Senja, já tivesse sido entregue em 6 de março daquele ano, enquanto o terceiro, denominado Andenes, entrou serviço em 30 de janeiro de 1982.

As embarcações deslocam 3.320 toneladas a plena carga, com comprimento de 105,5 metros, boca de 14,5 e profundidade de 4,9. Possuem quatro motores a diesel Wichmann 9AXAG, com 16.163 hp de potência, que movem duas hélices e lhe dão uma velocidade de até 21 nós, com um alcance de 7.500 milhas náuticas (a 15 nós).

São armados com um canhão rápido Bofors de 57 mm, capaz de 200 tiros por minuto e um alcance de 17 km. Possui um radar de vigilância EADS (agora Hensoldt) TRS-3D e um radar de navegação Sperry Marine VisionMaster, sistemas de navegação Atlas, bem como um sonar Simrad SP 270 montado no casco, um sistema optrônico Sagem Vigy 20 e uma cabine de comando para um médio helicóptero, com hangar, além de dois barcos do tipo RHIB e um barco de serviço.

Entre 2001 e 2003 foram modernizados com a adição do sistema optrônico, o sonar, um novo radar e um novo sistema de combate, enquanto em 2006 foi realizado um programa de melhorias nos três navios. Entre 2015 e 2017 receberam mais uma visita e instalação de geradores a diesel MTU 8V e 12V 2000.

A tripulação é de 52 (mais seis para operação de aeronaves), mas em caso de guerra aumenta para 76, embora possam acomodar até 109 pessoas. Além disso, possuem casco reforçado para operação em áreas de gelo e foram inicialmente projetados para se tornarem corvetas com a adição de mísseis Penguin, tubos de torpedo, canhões de 20 mm e sistemas antiaéreos Mistral, se necessário.

W322 Andenes

 

(*) Santiago Rivas é jornalista e fotógrafo argentino, especializado em defesa, editor da revista Pucará Defensa e colaborador de Tecnologia & Defesa na Argentina.

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Comentários

3 respostas

  1. Até entendo que a compra de navios novos é o melhor dos mundos, porém em certos casos embarcações de segunda mão podem também ser uma ótima opção.
    Neste caso específico não acho uma boa opção por dois motivos simples: idade das embarcações e claras necessidades de modificações técnicas e atualizações de equipamentos para que sejam realmente realizadas as missões e os propósitos a que serão utilizados.
    Será que nenhum país amigo possui míseros três navios que poderiam atender o Uruguai?

  2. Nossa indústria naval não tem nenhum OPV no portifólio para vender ao Uruguai ? Temos aquele projeto que a MB está comprando e que tem unidades ainda a serem entregues.

    O Itamaraty está pisando na bola faz tempo nesse ramo.

    1. OPV, não. O que está em construção é a terceira unidade da classe Macaé, um projeto francês. Está em desenvolvimento um projeto do CPN da MB. Ambos projetos são de Napa de 500 toneladas. OPV’s são navios maiores, com deslocamento, autonomia, etc, muito maiores. A MB possui apenas 3 OPV’s, os da classe Amazonas, com deslocamento de 1800 toneladas.

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