TÁPIO 2020 – A FAB no combate da guerra irregular

Conhecer de perto um dos três principais exercícios anuais da FAB em meio a pandemia do COVID-19 proporciona uma visão clara dos esforços de uma Força Aérea atuante e que não para. Texto e fotos João Paulo Moralez

Na mitologia finlandesa, Tápio representa o Deus das florestas, da caça e mestre dos espíritos. Na Força Aérea Brasileira (FAB), trata-se de um dos três maiores exercícios operacionais que acontecem todos os anos empregando diferentes modelos de aviões e helicópteros, em ações conjuntas, coordenadas e complementares umas as outras.

É o momento em que unidades aéreas e organizações militares, de várias localidades do país, podem operar de forma integrada, compartilhando experiências, reforçando o adestramento conjunto e evoluindo a doutrina.

Sendo a terceira edição de um exercício do Comando de Preparo (COMPREP), o foco é a atuação da FAB no contexto de uma guerra irregular, limitada, assimétrica e no âmbito regional.

O exercício é dividido em duas etapas. Em Cachimbo, no Campo de Provas Brigadeiro Velloso, de 10 a 14 de agosto, com o 1º/1º Grupo de Transporte empregando dois C-130 Hercules; o 1º/9º GAV com um C-105 Amazonas; o 1º/15º GAV com um C-105 Amazonas; o 6º ETA com um U-100 (Embraer Phenom 100) e o 7º/8º GAV com um UH-60L Black Hawk. Essas unidades desempenharam missões de infiltração aérea, transporte aerologístico, formatura tática, lançamento de cargas, instrução de novos alunos e voos SAR (busca e salvamento).

Em Campo Grande, na Ala 5, de 17 de agosto a 4 de setembro, passou a envolver as demais unidades aéreas e outras tarefas como a de ataque, policiamento do espaço aéreo, resgate de piloto abatido além das linhas inimigas (C-SAR), SAR, escolta aérea, ações com Forças Especiais, guiamento aéreo avançado, reconhecimento para controle de danos ao inimigo e outros. Além disso estão sendo realizadas missões do tipo “pacote”, em que aeronaves de diferentes tipos decolam e atuam simultaneamente para atingir um mesmo objetivo. Enquanto algumas vão realizar o ataque, outras fazem o seu guiamento, a escolta, o controle do espaço aéreo e a interferência nos sistemas de defesa do inimigo, por exemplo.

Além das unidades mencionadas anteriormente, na segunda fase participam os esquadrões 1º/3º GAV, 2º/3º GAV e 3º/3º GAV com o Super Tucano; 1º/10º GAV e 3º/10º GAV com o AMX A-1; 1º/8º GAV, 3º/8º GAV e 5º/8º com H-36; o 2º/8º GAV com o Mi-35M; o 1º/6º GAV com o R-35AM; o 2º/6º GAV com o E-99 e R-99, o 2º/10º com o UH-60L e o C-105 Amazonas SAR; 1º, 2º, 3º e 5º ETA com o C-95M Bandeirante; o PARA-SAR e o 1º Grupo de Defesa Antiaérea.

Houve ainda a participação de 300 militares do Exército Brasileiro e 45 da Marinha do Brasil.

 

“Necessidade de a Força Aérea não parar”

A frase do diretor do exercício, Brigadeiro do Ar Luiz Claudio Macedo Santos reflete a realidade. É inegável que a pandemia do COVID-19 afetou a população mundial e os militares não ficaram isentos disso. Mas, gradativamente, é preciso voltar a uma situação de normalidade até que uma solução definitiva seja encontrada para essa doença.

Entretanto, a manutenção mínima do adestramento deve ser mantida tendo em vista que, a interrupção desse preparo causa, posteriormente, uma série de efeitos catastróficos.

Nas duas edições anteriores (2018 e 2019) a Tápio foi realizada no mês de maio, também em Campo Grande e esse atraso na realização da Tápio de 2020 mostra o preparo dos protocolos e medidas de seguranças envolvidas para minimizar a contaminação do vírus entre os envolvidos.

Comparando número anteriores, a quantidade de aviões e militares se manteve praticamente a mesma. Em 2018 o contingente envolvido foi de 700 militares e em 2020 em torno de 600, ou seja, muito equivalente. O número de aeronaves participantes ficou na média do exercício, aproximadamente 50 aviões e helicópteros.

Mas é claro que agora o cenário é outro. Distanciamento social, uso de máscaras, álcool em gel e dezenas de outras ações de sanitização são feitas das salas até no cockpit dos aviões.

Nas próximas matérias iremos detalhar melhor cada uma dessas atividades. Uma delas foi a testagem antes, durante e ao final do exercício, como forma de identificar casos de militares com COVID-19. Dos cinco suspeitos, dois foram descartados e três acabaram sendo afastados das atividades.

 

Outras matérias sobre a operação Tápio serão publicadas ao longo da semana.

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Comentários

Uma resposta

  1. Apenas uma correção: o 5º/8º, assim como o 7º/8º e o 2º/10º GAv operam o H60L Blackhawk, e não o H36 Caracal.

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