Suíça renovará sua artilharia autopropulsada

O Escritório Federal de Compras de Defesa da Suíça (Armasuisse) selecionou dois candidatos para a renovação do apoio de fogo indireto de médio alcance para as Forças Armadas Suíças: o sueco ARCHER e o alemão RCH 155. Espera-se que um pedido seja apresentado ao Parlamento para a compra de um dos sistemas pré-selecionados em 2026 para substituir das atuais viaturas blindadas de combate obuseiro autopropulsado M109, de 155 mm, em serviço há mais de 50 anos.

O M109, em uso desde 1968, chegará ao fim de sua vida útil no início da próxima década e precisará ser substituído por um sistema moderno. Durante sua vida útil, o sistema foi modernizado várias vezes, tendo a principal ocorrida em 1995, com o programa KAWEST (“Kampfwertsteigerung”, ou aumento das capacidades de combate), quando seu tubo de 39 calibres foi substituído por um de 47. Em 2021 iniciaram as últimas intervenções com extensão de utilização, com a intenção de poder operar o sistema até ao início de 2030.

Os trabalhos do projeto “Plataforma de Artilharia Eficaz e Meios Eficazes 2026” iniciaram-se em 2017 com o lançamento do projeto e a encomenda do projeto seguida em 2019. Com a seleção dos sistemas para a fase de avaliação, o projeto atingiu mais um marco importante. Com base nos requisitos militares, o Armasuisse convidou vários fabricantes a apresentarem suas propostas e as informações recebidas foram analisadas e avaliadas.

O KAWEST a ultima modernização dos VBCOAP M109/M109A1 adquiridos em 1968 (Foto: Exército Suíço)

O sistema de artilharia ARCHER, cujos estudos iniciaram em 1995, foi desenvolvido pela empresa BAE Systems Bofors para o Exército Sueco, utilizando uma versão do obuseiro FH 77BW, de 155 mm e 52 calibres, sobre uma plataforma derivada do caminhão articulado Volvo A30D 6X6.

É um sistema totalmente automatizado, operado por quatro militares, de atingir alvos com precisão a até 40 km com munições convencionais e 60 km com munições “estendidas”, possui cadência de até nove tiros por minuto (TPM), em modo de modo de impacto simultâneo, o que significa que vários projéteis são disparados em sucessão com diferentes trajetórias para que atinjam o alvo no mesmo momento, e necessita de apenas 30 segundos para entrar ou sair de posição.

Atualmente esta a empresa está oferecendo ao mercado uma versão baseado na plataforma Rheinmetall MAN Military Vehicles (RMMV) HX44M 8X8, com capacidade de transportar 21 cargas completas, e é capaz de alcançar uma velocidade de 70 km/h com e possui autonomia de 600 km. Esta versão é uma das candidatas para o projeto VBCOAP 155 SR do Exército Brasileiro.

O RCH 155 AGM é um sistema desenvolvido pela empresa Krauss-Maffei Wegmann GmbH  que combina o poder de fogo e o alcance efetivo do Artillery Gun Module (AGM), equipado com um tubo de 155 mm e 52 calibres da Rheinmetall (o mesmo que equipa o obuseiro PzH 2000), em diversas plataformas diferentes. Este sistema foi instalado em um Artec Boxer 8X8, porem a suíça também estuda a possibilidade de poder utilizar em o Piranha V 8X8, da GDELS.

 Devido a seu elevado nível de automação, é operado por apenas dois militares (motorista/operado e comandante), possui cadência de nove TPM e um alcance de até 40 km (munição convencional) ou 56 km (munição VLAP). Com a plataforma Boxer pode alcançar velocidades de até 100 km/h e possui autonomia de 700 km, segundo o fabricante.

RCH 155 AGM em uma plataforma Boxer

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