Suécia usa caças JAS-39 Gripen para localizar e acompanhar submarino russo

A Força Aérea da Suécia empregou caças JAS-39C Gripen para localizar e acompanhar um submarino russo da Classe Kilo que navegava pelo estreito de Kattegat. A ação ocorreu na sexta-feira (10) e faz parte das atividades regulares de monitoramento da região.

Em nota, o Centro de Imprensa das Forças Armadas Suecas informou que o deslocamento do submarino em direção ao Mar Báltico foi acompanhado em coordenação com países aliados. Segundo os militares, a operação integra os esforços contínuos para manter o elevado nível de consciência situacional e garantir a integridade territorial da Suécia e de seus parceiros.

As imagens divulgadas mostram o Gripen sobrevoando o submarino, que também era acompanhado por outra embarcação militar. O caça estava equipado com um casulo Litening e, possivelmente, com o pod de reconhecimento tático SPK 39. Desenvolvido em parceria entre a Saab e a Terma, o sistema conta com sensores ópticos montados em uma janela rotativa, além de unidades de armazenamento e controle ambiental.

O SPK 39 pode empregar duas câmeras: a SKA 24, de filme analógico herdada de sistemas mais antigos do Saab 37 Viggen, mas ainda capaz de gerar imagens de alta definição, e a SKA 36, digital e eletro-óptica com uso do espectro infravermelho próximo.

Segundo o portal Key Aero, apesar de tecnologicamente defasado após mais de duas décadas, o pod continua relevante pela qualidade das imagens obtidas, embora enfrente limitações logísticas, como a crescente dificuldade de obtenção de filme para a câmera analógica.

Os submarinos da classe Kilo são embarcações de ataque convencionais (diesel-elétricas) projetadas pela União Soviética na Guerra Fria, amplamente conhecidas por sua baixa assinatura acústica. Empregados principalmente em missões de patrulha, negação de área e guerra antinavio e antissubmarino, esses submarinos podem usar torpedos, minas e mísseis de cruzeiro. Cersões mais modernas (Projeto 636.3) são capazes de lançar o míssil Kalibr. Apesar de não possuírem a autonomia de submarinos nucleares, continuam sendo plataformas relevantes em ambientes litorâneos e mares restritos, como o próprio Báltico e o Mar Negro.

O estreito de Kattegat possui um caráter altamente estratégico, por funcionar como uma das principais portas de entrada e saída do Mar Báltico, conectando-o ao Mar do Norte. Trata-se de um ponto de estrangulamento natural, onde o tráfego naval civil e militar pode ser monitorado com relativa facilidade, o que o torna vital para o controle de linhas de comunicação marítima e para a vigilância de movimentos de forças navais, especialmente russas.

Em um cenário de crescente tensão no norte da Europa, o domínio e a observação desse corredor permitem aos países da região e à OTAN — da qual a Suécia se tornou membro em março de 2024 após a invasão da Ucrânia pela Rússia — antecipar deslocamentos estratégicos, reforçando sua capacidade de resposta e dissuasão.

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