Programa VCBR do Exército Argentino: o VBTP 6×6 Guarani esta de volta ao páreo?

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Conforme já anunciamos em Tecnologia & Defesa, o Exército Argentino, por diversos fatores, ainda avalia a possibilidade de adquirir o VBTP-MSR 6×6 Guarani para seu programa VCBR (Vehículos de Combate Blindados a Ruedas).

Matéria publicada originalmente no site Zona-Militar, em 27/08/2020

 

Por Carlos Borda Bettolli (*)

Em 25 de agosto, a partir do Twitter oficial do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, foi informado que o Brigadeiro-General Juan Martín Paleo participou “de uma videoconferência com a CNH Industrial Latin America para estudar projetos de produção de veículos blindados de rodas“. Embora a notícia possa passar despercebida, ainda é interessante se considerarmos que A compra de blindados para o programa VCBR teve muita exposição nas últimas semanas: primeiro com a aprovação da possível venda de 27 ICV Stryker M1126 norte-americanos, seguida do interesse da carteira de Defesa em retomar os contatos para a aquisição dos VCBR VN-1 da Norinco chinesa.

Para entender um pouco mais o alcance da videoconferência, deve-se levar em consideração que a CNH Industrial é uma empresa que oferece diversos serviços e bens de capital, possuindo um amplo portfólio de marcas de veículos para agricultura, construção, transporte e defesa (Case, Steyr, New Holland, Iveco, FPT, Magirus, entre outros). Em relação à defesa, destaca-se a Iveco Veículos de Defesa, empresa que possui uma gama de produtos variada, desde camiões militares, até veículos blindados de rodas 4×4, 6×6 e 8x 8. Entre os modelos oferecidos, destacam-se o Iveco LMV 4×4 (recentemente adquirido pelo Exército Brasileiro), o VBTP Guarani 6×6 e a família VBM Centauro 8×8.

Tanto o VBM Freccia quanto o VBTP Guarani não são desconhecidos do Exército Argentino e já foram devidamente avaliados. Comercializado pelo Consórcio Iveco-Oto Melara, o Freccia 8×8 foi um dos modelos mais bem avaliados, porém seu custo de aquisição foi proibitivo. Já o Guarani 6×6 Guarani gerou grande interesse localmente, conforme publicado no site argentino Zona-Militar “… este moderno 6 × 6 VCBR (Guarani) seria avaliado por pessoal argentino, tanto em território brasileiro como Argentina, estando muito perto de adquirir um lote inicial para o FPC (Joint Peace Force). Tudo parecia indicar que a compra seria iminente, ainda mais tendo em conta que havia um interesse acentuado do ponto de vista político/comercial, mas novamente a compra acabou por diluir-se …”.

O VBTP Guarani poderia ganhar relevância sabendo que o Ministério da Defesa está promovendo uma nova estratégia de reaparecimento das Forças Armadas, baseada na ideia de produzir localmente. Nesse sentido, a Iveco pôde ser favorecida graças à presença que a CNH mantém na Argentina, possuindo um polo industrial da cidade de Córdoba que possui fábricas dedicadas à fabricação de colheitadeiras, tratores, caminhões, ônibus e motores (FPT).

Em serviço desde 2007, o VBTP-MR Guarani já produziu mais de 450 unidades para o Brasil e 10 exportou para a Líbano, blindado que se tornará a espinha dorsal das unidades de infantaria Mecanizada do Exército Brasileiro. Embora o Exército Argentino mantenha sua exigência de uma solução 8×8, uma oferta de coprodução ou transferência pode ser tentadora ao selecionar seu futuro VCBR.

VBTP-MR Guaraní na Base Naval de Infantería de Marina Baterías (Foto: Fanatikorn)

 

(*) Carlos Borda Bettolli é editor da revista argentina Zona Militar, que gentilmente nos autorizou a publicação de seu material.

 

 

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2 Comentários

  1. Será??? O Bastos, fora do tema, o CXaiafa não está mais nas fileiras da Tecnologia&Defesa não???Não vi seu nome no meio dos editores do site.

  2. Entendam de uma vez por todas !! O EJÉRCITO ARGENTINO sob comando de corruptos políticos bolivarianos que são CONTRA as FFAA não tem o menor interesse em modernizar nem adquirir meios de combate modernos. Me Apontem apenas um avião, barco ou tanque que eles compraram enquanto estiveram no poder ? Creio que apenas com M. Macri eles receberam o IA 63 PAMPA III e somente UM EXEMPLAR ! A Argentina não tem fundos nem interesse nisso. ESQUEÇAM !!!

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