Por que pagar R$ 286.781,23 por um fuzil Sniper para a PMESP?

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Com a compra desse pacote, dois fuzis de precisão Steyr SSG M1, miras ópticas 3.5 - 26 x 56 FF e imageadores termais de longo alcance NSV 1000, a Polícia Militar do Estado de São Paulo passou a possuir em seu arsenal a mais moderna configuração para tiro sniper disponível no País (Montagem: Roberto Caiafa).
  • Um esclarecimento necessário ao contribuinte.

Em 16 de outubro de 2019 a Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP) lançou um PREGÃO PRESENCIAL INTERNACIONAL sob o N° CMB-340/0009/19, determinando a compra de dois fuzis de precisão como parte do Programa de Modernização das Armas daquela força policial, a maior da América Latina.

A época, surgiram muitas críticas com relação ao valor de cada arma, considerado por leigos como “absurdo”, “como fica a indústria nacional”, “isso é um descaso com dinheiro público”, etc.

A lista de impropérios é longa e óbvia.

A maioria dos insatisfeitos, se não todos, fixaram suas críticas na arma, o fuzil sniper de precisão modelo SSG M1 da fabricante de armas austríaca Steyr.

Os mais apresados pesquisaram na internet o valor da arma no mercado norte-americano, sem qualquer acessório ou sistema de pontaria, e chegaram a conclusões totalmente errôneas, ainda mais levando-se em conta a disparidade dos mercados de armas nos Estados Unidos e no Brasil e os preços praticados.

Na época da aquisição, 15 de outubro, a cotação do dólar era de R$ 4,1488, conforme valor divulgado pelo Banco Central do Brasil.

Após negociações com as empresas envolvidas, o preço final de cada arma completa ficou em US$ 69.123,90 (R$ 286.781,23 em valores da época).

Os fuzis e seus acessórios (mais conjuntos de reposição imediata), foram destinados a uma unidade de elite da PMESP, o 4° Batalhão de Polícia de Choque (4° BPChq).

Miras ópticas e visores termais da Hensoldt

Passados quase seis meses da compra, esse artigo retorna ao tema para prestar alguns esclarecimentos definitivos sobre os preços praticados, pois os valores incluem a entrega de sofisticadas miras ópticas e modernos visores termais fabricados pela empresa Hensoldt.

A mira óptica 3.5 – 26 x 56 FF é um equipamento de precisão desenvolvido pela Hensoldt usando a consagrada óptica de alta precisão da fabricante Carl Zeiss, com base nos requisitos de atiradores para o engajamento de longo alcance, e atende totalmente às necessidades dos cenários militares/policiais modernos.

Esse sofisticado aparelho une as vantagens de uma ampla faixa de ampliação e design compacto, sendo possível sua instalação na maioria dos fuzis snipers mais renomados, mesmo em conjunto com acessórios de visão noturna, como é o caso do emprego previsto para o fuzil SSG M1 adquirido pela PMESP.

O comprimento do sistema é particularmente importante para o uso de dispositivos de visão noturna, uma área onde essa mira telescópica pertence a uma classe própria, o amplo alcance de ajuste de 400 cm / 100 m permitindo um engajamento de longo alcance sem obstáculos.

O desempenho óptico é referido como um dos melhores do mercado, o equipamento sendo fabricado de acordo com as normas DIN ISO 9022 e MIL-STD-810G.

Percebe-se que para o tiro diurno em ações policiais críticas, essa mira óptica fornece um desempenho excepcional.

Mas, e se o tiro tiver que ser efetuado em um cenário de engajamento noturno a longa distância? Aí entra outro sofisticado sensor fabricado pela Hensoldt, o clipe de visão noturna de longo alcance ativado NSV 1000 (que também atende as normas DIN ISO 9022 e MIL-STD-810G).

Acoplado ao fuzil SSG M1 já equipado com a mira óptica 3.5 – 26 x 56 FF, o NSV 1000 permite manter o desempenho de longo alcance com extrema segurança e acurácia de tiro para o operador, em ocorrências noturnas.

O acessório de visão noturna NSV 1000 é um intensificador de luz residual compacto usado juntamente com a óptica diurna. O principal benefício dessa solução clip-on é que o equipamento óptico diurno não precisa ser removido quando a visão é limitada.

Os usuários não precisam decidir sobre qual sistema usar (os dois trabalham juntos) e a arma não demanda uma reconfiguração, algo que só pode ser feito por armeiros altamente qualificados trabalhando em ambiente controlado.

A parte superior da mira aceita a instalação de um trilho Picatinny (MIL STD 1913/STANAG 4694).

Isso permite a conexão de equipamentos adicionais como um iluminador de infravermelho, por exemplo. A altura da montagem é ajustável, possibilitando o uso em armas diferentes.

O NSV 1000 é uma mistura equilibrada entre alto desempenho e peso / dimensão compacta.

É ideal tanto para fuzis de assalto quanto equipando armas especializadas de atiradores de elite, caso do fuzil SSG M1 da PMESP.

Um sistema integrado de gerenciamento de manutenção permite ao usuário exportar informações vitais sobre os tubos intensificadores, compilando dados como horas de serviço, quantidade de ciclos ligar / desligar ou data de instalação e vida/carga da bateria, dentre outros.

A mais moderna solução de tiro de escol no Brasil

Com a compra desse pacote, dois fuzis de precisão Steyr SSG M1, miras ópticas 3.5 – 26 x 56 FF e imageadores termais de longo alcance NSV 1000, a Polícia Militar do Estado de São Paulo passou a possuir em seu arsenal a mais moderna configuração para tiro sniper disponível no País, equiparando-se inclusive as tropas de Forças Especiais do Comando de Operações Especiais do Exército Brasileiro, Mergulhadores de Combate da Marinha do Brasil e operadores do Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento PARA-SAR da Força Aérea Brasileira.

Conclui-se, ao final desta explanação, que o investimento de R$ 286.781,23 por arma não foi “descaso com dinheiro público”, mas uma genuína certeza de fornecer aos policiais do 4º Batalhão de Polícia de Choque da PMESP as melhores ferramentas disponíveis no mercado para a execução de um trabalho que não admite erros, não importa onde, quando ou como, de dia ou a noite, em quaisquer condições climáticas.

Ganha a população de São Paulo, ciente de que, se necessário for, seus policiais terão os meios mais modernos do mundo para abater qualquer ameaça que coloque em risco vidas de cidadãos de bem.

É para isso que a PMESP existe, treina e trabalha.

Servir e Proteger. Força e Honra.

8 Comentários

  1. Caiafa, se possível realize uma matéria sobre o emprego dos caçadores na Marinha, você citou os Mergulhadores de Combate no texto para lucidar um exemplo, mas na MB essa atividade é desempenhada de maneira mais abrangente em níveis técnicos, operacionais e tecnológicos no BtlOpEspFuzNav… O Senhor Ronaldo Oliver sabe disso, fez uma matéria no passado um pouco distante…

  2. Mais que p preço esta altíssimo, isso está sim. Mais concordo que as forças policiais devem sempre ter armamentos e equipamentos de primeira qualidade para realizarem seu trabalho.

  3. O problema não é a falta de armas boas, o problema é o medo de matar um bandido e ir preso, ou seja, é a insegurança jurídica.

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