Ponto de vista – Um “X” a se pensar

 

Publicado na edição 167, terceiro trimestre de 2022

Há alguns anos escrevemos uma opinão a respeito do futuro dos jovens designados para prestar o serviço militar nos Centros de Preparação de Oficiais da Reserva, os CPORs e Núcleos de Preparação de Oficiais da Reserva (NPOR) do Exército Brasileiro (EB). O trabalho teve muita repercussão positiva junto às pessoas que pensavam como nós, no sentido de que defendíamos a ideia de que uma determinada quantidade daquele pessoal, ao chegar o momento do licenciamento, deveria ter uma oportunidade de continuar na Força, seja nos quadros administrativos ou unidades operacionais, desde que tivessem passado, ao menos alguns anos nas fileiras e, quem sabe, chegar ao posto máximo de tenente-coronel. Evidentemente deveriam ter tido uma atuação marcante e que mostrasse toda a sua capacidade para exercer a profissão militar.

Uma outra situação, mais ou menos semelhante, entretanto, tem nos chamado a atenção desde então. Trata-se do desligamento, principalmente de praças, ao final do período obrigatório ou voluntário de engajamento. E, estamos escrevendo pensando nos que estiveram incorporados em tropas do tipo Infantaria Paraquedista, Infantaria Leve, Infantaria de Selva, Operações Especiais, Fuzileiros Navais, etc.

Não tem como se negar ou questionar o fato de que são muito bem preparados e capazes, mas o processo de renovação dos efetivos também é uma realidade que precisa ser observado. Por outro lado, a maioria ingressou quando estava na faixa dos 18/19 anos de idade e, na fase da passagem para a reserva já está beirando os 27/30 anos. Muitos já terão até mesmo constituído famílias e, de repente, se veem enfrentando um mercado de trabalho para o qual não foram familiarizados, embora registre-se iniciativas nesse sentido. Porém, estamos falando de profissionais das armas, dos conflitos e dos embates se necessário for.

Assim, nessa linha de raciocínio, entendemos que deveria haver certas facilidades para que esses ex-integrantes das Forças Armadas pudessem, na medida em que o desejarem e suas fichas pregressas os respaldarem, ter acesso a carreiras nas diversas organizações de segurança pública existentes no País, por exemplo. Vamos convir que não é muito justo que tenham que passar por um concurso público em igualdade de condições com quem acabou de sair dos bancos escolares e acadêmicos. Afinal, passaram dias e dias em exercícios, acampamentos, manobras e outras atividades que, certamente, não possibilitariam um acompanhamento regular das grades estudantis.

Um outro aspecto de suma importância está ligado a criar-se dificuldades dessa mão de obra da mais alta qualificação vir a tornar-se alvo do crime organizado em termos de recrutamento para ensinar seus “soldados” em técnicas de combate e armamento mediante generosas benesses. Como se sabe, muitas vezes o desemprego e as dificuldades financeiras são dedicados aliados dos que vivem à margem das leis.

Ainda visando uma solução para esse problema, o qual reputamos da maior seriedade, não estaria na hora de o Brasil aproveitar parte desse pessoal contando com uma Gendarmeria Nacional (substituindo a Força Nacional de Segurança) e uma Gendarmeria Naval (composta majoritariamente por reservistas oriundos da Marinha, assim como seus oficiais).

Bem, a criação dessas instituições e seu funcionamento são assuntos bastante complexos e apaixonantes e pretendemos voltar ao tema brevemente, com mais detalhes.

Escrito por Francisco Ferro, conselheiro editorial

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Comentários

8 respostas

  1. Excelente abordagem. E é um assunto bem complexo. Mas sou a favor de que esse efetivo seja aproveitado no funcionalismo como um todo. Em especial a segurança pública, bombeiros etc

    1. Qual a qualificação que esse efetivo tem para ingressar nas polícias e corpos de bombeiro? Nenhuma!! Tais órgãos selecionam seus efetivos mediante CONCURSO PÚBLICO! Com várias fases eliminatórias.

  2. È uma boa idéia. Força Nacional composta de ex-praças das Forças Armadas. Também poderiam ser aproveitados nas seguranças das embaixadas brasileiras ao redor do Mundo.

  3. Muito boa abordagem. Mas sou a favor do que se escreveu ao final sobre a criação de Gerdamerias já que o ingresso no Serviço Público só se pode através de Concurso Público.

  4. Ja deveria ter acordos de realocamente profissional desde antes do fim do periodo de serviço destes soldados, por exemplo um banco de vagas ou ate mesmo uma escola parceira para qualificação ( SESC por exemplo). è um desperdico de um profissional qualificado, como por exemplo de engenharia ,ficar desempregado tendo vagas de construção ( estradas, pontes e estc) em aberto no pais.

    Falta uma maior achao das diretorias de comunicação das 3 forças para com o mercado civil.

  5. muito bom este tema para o debate… seria interessante apresentar para os criadores de leis… CREDEN … assim poderia surgir uma maior atenção pra buscarem solução

  6. o X da questão nas forças armadas é como equacionar o altíssimo numero de pensionistas que drenam cada vez mais o orçamento. penso que assim como em outras forças mundo afora deveríamos ter um numero maior na base de oficiais e sargentos temporários. outro ponto eu aboliria o concurso p sargentos no EB e faria a promoção de soldados e cabos q demonstrassem um alto grau de capacidades e profissionalismo

  7. Nos governos antepassados isso acontecia, reservistas tinham prioridade nas forças auxiliares em geral, o problema são os generais o comando que nem dentro e nem fora não valoriza a tropa,e não se preocupam com os temporários e nem com os ativos, até mesmo as facilidades para familiares daqueles que são transferidos pelo Brasil a fora

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