Outra reviravolta – Colômbia agora vai de ATMOS

Por Erich Saumeth (*)

Após um anuncio de sua escolha, a Nexter terá que continuar esperando para ver seu obuseiros autopropulsados CAESAR  6X6 implantado por qualquer outro país latino-americano.Em decisão que surpreendeu até mesmo dentro da força, o Exército Colombiano (EC) optou, em tempo reduzido, pela aquisição do sistema de artilharia israelense ATMOS 6X6.

O contrato, através do processo nº 21-2022 MDN-EJC, está avaliado em US$ 101.710.788 e envolve a compra de 18 unidades do ATMOS, desenvolvido pela Elbit Systems, empresa que deve entregar todas as peças em oito anos.

Mudanças de última hora

Apesar de após um exaustivo processo de seleção, que incluiu a avaliação das diferentes propostas apresentadas, o EC ter concluído que a melhor opção era o obuseiro francês, a oferta da Nexter foi rejeitada no último momento, pois a empresa francesa aumentou o valor final das peças em 12%, enquanto suas duas rivais, a Elbit e a turca MKE (com o modelo Yavuz 6X6), mantiveram seus preços originais.

Estas razões acabaram por levar a força, motivada pela enérgica insistência de dois generais do Estado-Maior, a decidir pelo ATMOS, sistema com o qual serão constituídas três baterias (com seis peças cada) de artilharia autopropulsada, que complementarão as duas baterias de artilharia rebocada do tipo GDELS 155/52 APU-SBT que a Colômbia já está desdobrando.

O obuseiro

O sistema israelense consiste em uma peça de 155 mm e 52 calibres, montada em um veículo Tatra Y815-VVN, equipado com um motor diesel V-12, de 315 cv e transmissão dianteira de 10 marchas, com alcance estendido e velocidades máximas de até 80 quilômetros por hora.

O ATMOS tem um alcance de até 41 quilômetros, com uma cadência,  segundo seu fabricante, de cinco tiros em um minuto ou oitenta em uma hora de tiro contínuo. Este sistema, que já é operada por uma dezena de países, conta com seis servidores, tem um peso total de 22 toneladas, um comprimento de 9,5 metros, um diâmetro de 2,65 metros e uma altura de 3,24 metros.

Nota do Editor: Caso seja efetivada, esta escolha poderá influenciar o projeto VBCOAP 155 SR do Exército Brasileiro.

 

(*) Erich saumeth Cadavid é analista e pesquisador colombiano em assuntos de defesa, segurança e geopolítica, e colaborador da revista Tecnologia & Defesa na Colômbia.

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Comentários

28 respostas

    1. bagunça por que? teve um aumento de 12% sem aviso o EMA está certo em trocar de opção sinal que eles respeitam o povo que paga por isso

  1. Infelizmente os colombianos estão dando uma aula do que não se fazer numa licitação. Como assim mudar de posição em cima da hora ? E ainda tem gente que reclama das licitações feitas pelas nossas forças armadas, em comparação nos damos aula sobre isso !!

    1. Errado.Eles estão nos dando uma aula de como devemos proceder diante de chantagem. se tivéssemos FFAA de verdade com objetivo de comprar o melhor equipamento respeitando o contribuinte do herario não teríamos,hoje, problemas como EC 725, Gripen, MI 35 e tantas outras merd ….compradas indevidamente.
      Parabéns ao EC, não se sobrou a chantagem Francesa

        1. Tem muita gente que é patrocinada por terceiros para fazer loby, ai sai falando mal de qualquer coisa sem levar em conta uma imensa indústria aero espacial e nossas capacidades de absorção de conhecimento. Quero ver quem vai dar manutenção em sistemas do avião, já que os espertos não tem tot e nem capacidade instalada. Poderia ficar aqui falando dos bons exemplos de tot para a FAB, como o Xavante, AMX e outros, mas os caras são mau intencionados mesmo. Eles sabem, mas não ligam.

          1. oseias disse tudo , essa gente é mal intencionada, reclamam de tudo , concordo com o Mi 35, mas ademais são boas aquisições.

      1. Gripen? MI-35, tudo bem, a FAB foi entubada pela PresidAnta e o EC-725 estão aí, voando nas 3 FFAA, e teve gente que defendia a aquisição do NH-90, que está sendo devolvido por quase todo mundo que embarcou nele. Mas o que que ten de errado com o Gripen? Viajou…..

          1. 1 – Ele ganhou a da Suíça (só não levou por causa do referendo).
            2 – Só agora a aeronave “existe” de verdade.
            3 – Quem tem dinheiro e bom relacionamento com os EUA vai optar pelo F-35.
            4 – Então sobram poucas concorrências para ele disputar, sendo que a maioria delas é em países corruptos.
            5 – A Suécia tem menor influência sobre países do Oriente Médio, se comparada com França e Reino Unido.

          2. Se você tivesse a capacidade de pensar, pelo menos racionalmente, não usaria um argumento tão raso e pueril como este.
            Qualquer pessoa razoavelmente informada sabe que em 99% dos casos são questões políticas que determinam a escolha. Como a Suécia pode enfrentar os eua com todo seu poder econômico e a pressão que exerce nos seus “aliados”? Compra-se não só o caça mas também apoio militar e livra-se de possíveis retaliações econômicas.
            No primeiro exercício Red Flag do qual participou, a versão anterior do Gripen, C/D, mesmo sem apoio de awacs abateu 10 adversários sem perdas só no primeiro dia. Um único piloto de Gripen C/D abateu 5 F-16 Block50+ em outro exercicio no Alaska. Na Europa em outro exercício um único Gripen C/D agressor enquadrou 3 F-15C da usaf, abatendo 2, com o terceiro fugindo graças a sua potência.
            Estas criticas contra o Gripen E, muito superior ao excelente C/D, não passam de birra infantil de fanboys que desejavam o vetusto f-18 ou o Rafale na FAB.

          3. Não é assim que as coisas funcionam, cara. Lembre-se que o Rafale passou por muitos anos sem vender. Hoje, ele vende igual água e assim será com o Gripen daqui uns anos. Lembre-se também do A-29ST, da EMBRAER. Lembre-se também do C/KC-390, da EMBRAER. As coisas vão evoluindo automaticamente e nada acontece na hora que nós queremos e tampouco as indústrias pensam assim. Vou me reter a comentar o restante pois o Rafael já pontuou de forma clara. Agora, se você acha que o Gripen não vai vender, espere e verá. É só uma questão de tempo.

  2. Alex,
    “a oferta da Nexter foi rejeitada no último momento, pois a empresa francesa aumentou o valor final das peças em 12%, enquanto suas duas rivais, a Elbit e a turca MKE (com o modelo Yavuz 6X6), mantiveram seus preços originais.”
    Para mim é motivo mais que suficiente para alterar a decisão.

    1. ceasar é mais punk, mas atmos é um baita sistema de artilharia, qualquer um dos dois seria o topo de linha, minha preferência seria pelo francês, gosto pessoal msm

    1. O Caesar pode usar a mesma plataforma do Astros tb. O problema pode ser o custo da customização.

  3. Eu li as duas matérias tanto a do caesar como a do Atmos e notei um provavelmente 12 unidades do Caesar e mesmo valor que do que os 18 Atmos se a diferença é 1,5 mais caro com certeza pra nós o Atmos provavelmente vencerá o custo mais acessível. A diferença é muito grande.

  4. O texto tem um erro no descritivo. Ele não tem transmissão dianteira, mas sim transmissão 4×4 Full (Dois eixos traseiros) e acionamento do eixo dianteiro via caixa de transferência quando necessário, ou seja:
    Transmissão integral

  5. Torço por uma maior integração das nossas armadas com empresas israelenses e torço pela aquisição de produtos como o próprio ATMOS, o BARAK MX, que tem capacidade ABM, a família de mísseis SPIKE, o morteiro de 120mm Lance para o Guarani do EB e o JLTV do CFN.

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