Omnisys multiplica produção de radares por 10 e transforma unidade brasileira em polo global da Thales

A Omnisys, subsidiária brasileira da Thales e Empresa Estratégica de Defesa (EED), multiplicará por dez sua capacidade de produção de radares após concluir um investimento superior a R$ 120 milhões em sua unidade de São Bernardo do Campo (SP). A expansão, a maior da história da empresa em quase 30 anos de atividades, transforma a fábrica em um dos principais polos globais da Thales para o desenvolvimento, fabricação e suporte de sistemas de radar, reforçando o papel do Brasil na cadeia internacional de fornecimento do grupo francês.

Anunciado nesta terça-feira (28), o investimento aumentou em mais de 40% a área industrial da empresa – de 8 mil para mais de 11 mil metros quadrados – e o quadro de funcionários, que passou de 250 para 420 colaboradores, com a criação de mais de 150 empregos altamente qualificados. A expectativa é que a unidade atinja sua capacidade plena de produção até o final deste ano.

O principal resultado da expansão será o aumento da fabricação de radares, com a produção anual média passando de cinco para 50 unidades. Isso é possível também pela modernização dos processos industriais e à adoção de um modelo de produção seriada alinhado ao padrão utilizado pela Thales em suas demais operações internacionais.

Segundo Rodrigo Modugno, presidente da Omnisys, o movimento consolida a posição da empresa na cadeia global de suprimentos da Thales e amplia a capacidade brasileira de desenvolver tecnologias críticas para os setores de defesa, aviação, espaço e cibersegurança.

“A expansão fortalece nossos centros de competência em engenharia e serviços, proporcionando a escala necessária para atender novos mercados e demonstrando a capacidade técnica e operacional do Brasil em tecnologias de classe mundial”, afirmou.

Brasil assume papel estratégico

A nova estrutura faz parte de uma estratégia da Thales para estender sua capacidade global de produção de radares diante do aumento da demanda internacional por sistemas de controle de tráfego aéreo, vigilância e defesa. 

Desde que passou a integrar o grupo Thales, em 2005, a Omnisys deixou de atuar exclusivamente no mercado nacional e passou a desenvolver produtos para exportação. Assim, a produção brasileira atenderá clientes em diferentes regiões do mundo, sempre que não houver restrições comerciais ou geopolíticas. Atualmente, equipamentos fabricados em São Bernardo do Campo estão presentes em cerca de 20 países das Américas, Europa, Ásia e África.

A unidade brasileira também ganha importância dentro da própria Thales. Dos mais de 1.200 radares de controle de tráfego aéreo fornecidos pela empresa em todo o mundo, mais de uma centena já foi produzida no Brasil. Com a expansão, São Bernardo do Campo passa a concentrar uma parcela ainda maior dessa produção, tornando-se um dos principais centros globais da companhia para esse segmento.

Entre os equipamentos produzidos pela Omnisys estão os radares STAR NG, RSM NG e LP23SST-NG, utilizados em sistemas de controle e vigilância do tráfego aéreo. A empresa também participa do desenvolvimento de soluções completas para gerenciamento do espaço aéreo, incluindo auxílios à navegação aérea.

Exportações reduzem dependência do mercado interno

Além de aumentar  a produção, a estratégia busca reduzir a dependência das oscilações do orçamento brasileiro de defesa. Segundo executivos da empresa, ampliar a presença internacional garante maior estabilidade financeira e permite investimentos contínuos em pesquisa, desenvolvimento e inovação, independentemente do ritmo das aquisições governamentais no Brasil.

A certificação da Omnisys como Empresa Estratégica de Defesa, obtida em 2024, também fortaleceu esse processo ao facilitar o acesso a instrumentos de financiamento e dilatar sua visibilidade junto ao mercado internacional.

Para Luciano Macaferri Rodrigues, diretor-geral da Thales no Brasil e vice-presidente para a América Latina, a expansão reforça o protagonismo brasileiro dentro do grupo.

“Expandir as capacidades da Omnisys e integrá-la plenamente à cadeia de valor da Thales reforça a relevância do Brasil no mapa global da inovação. Ao gerar empregos altamente qualificados, fortalecemos a soberania tecnológica e criamos novas oportunidades para o desenvolvimento econômico”, afirmou.

Produção e manutenção ganham nova escala

Os investimentos não se limitaram à fabricação de novos equipamentos. A Omnisys também quadruplicará sua capacidade de manutenção e reparo de radares. O laboratório destinado a essas atividades dobrou de tamanho e passará a atender clientes da rede global da Thales.

Atualmente, o Brasil possui 135 radares da empresa em operação, formando a maior base instalada da companhia no mundo. Os técnicos brasileiros também prestarão suporte a clientes internacionais, contribuindo para manter índices de disponibilidade superiores a 99%. Na área de defesa, a unidade continuará responsável pelo suporte regional aos radares empregados na América Latina, incluindo sistemas instalados em navios, bases aéreas e plataformas terrestres.

Novos mercados

Além dos radares para controle de tráfego aéreo, a expansão impulsiona outras linhas de produtos. Uma delas é o Coast Watcher 100, radar de vigilância costeira desenvolvido para monitorar zonas econômicas exclusivas, fronteiras marítimas e infraestruturas críticas. O sistema é capaz de detectar pequenas embarcações rápidas a distâncias de até 100 milhas náuticas e também pode ser empregado na vigilância de rios e lagos.

A empresa também confirmou interesse em participar do Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz), podendo integrar consórcios ou oferecer uma solução própria para o programa.

O portfólio da Omnisys inclui ainda radares terrestres, navais, aeroportados e embarcados em veículos não tripulados, além de sistemas de guerra eletrônica, rastreio espacial, aviônica, eletrônica para mísseis e soluções de cibersegurança.

Entre os projetos desenvolvidos pela empresa estão os radares das fragatas da classe Tamandaré, sistemas de rastreio para os centros de lançamento de Alcântara e Barreira do Inferno, equipamentos móveis do Exército Brasileiro e o radar autodiretor do míssil antinavio MANSUP.

Engenharia nacional em expansão

A ampliação da fábrica exigiu também um reforço na capacidade de engenharia da empresa. Mais de 40 engenheiros brasileiros foram treinados em unidades da Thales na França, alguns permanecendo por até seis meses para absorver processos e tecnologias que agora passam a ser aplicados no Brasil. Paralelamente, a companhia iniciou um processo de repatriação de profissionais brasileiros que atuavam no exterior.

Segundo a empresa, São Bernardo do Campo foi escolhida para concentrar a expansão pela disponibilidade de mão de obra qualificada, pela proximidade com universidades e pelo ecossistema industrial consolidado da região do ABC paulista.

Hoje, a Omnisys possui cerca de 140 Produtos Estratégicos de Defesa certificados pelo Ministério da Defesa e exporta soluções para aproximadamente 20 países. Com a nova estrutura industrial, a expectativa é ampliar essa presença internacional e consolidar o Brasil como um dos principais centros globais da Thales para tecnologias de radar, engenharia e suporte técnico.

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