O turismo espacial finalmente chegou

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Alta tecnologia, inovação, ciência e muita aventura!

Por Miriam Rezende Gonçalves (*)

Empresas privadas escolheram o mês em que o homem pisou pela primeira vez na Lua, para inaugurar uma nova era na fronteira espacial. A Virgin Galactic e a Blue Origin fizeram seus primeiros voos suborbitais de testes com passageiros e revolucionaram o setor aeroespacial.

A história desses feitos remonta ao passado. O ano era 2012 e circulavam na imprensa reportagens sobre um mega empresário londrino que estava construindo uma nave espacial para levar turistas e, entre os passageiros, super celebridades. O tempo passou – na verdade dez anos. Este empresário, era Sir Richard Branson, dono do conglomerado Virgin que, a partir de uma gravadora fonográfica, se expandiu para serviços de lançamento espacial.

A SpaceX, do bilionário, Elon Musk, detém um projeto mais adiantado por meio de sua cápsula Crew Dragon, que até já levou astronautas à Estação Espacial Internacional, a ISS. Entretanto, como a viagem foi contratada pela NASA, com astronautas profissionais, não foi considerada turismo. Todavia, isso possibilitou Musk fazer ‘viagens’ mais arrojadas como, por exemplo, a que foi vendida recentemente, para o empresário Jared Isaacman: três dias com três acompanhantes, por US$ 220 milhões, em uma cápsula Crew Dragon.

Contudo, um dos pioneiros do segmento, Richard Branson não poderia e nem ficaria para trás. No último domingo, dia 11 de julho, ás 11h30, ele decolou do Novo México. Após atingir a estratosfera, com aproximadamente 15 km de altitude, a nave VSS Unity se soltou do avião-transportador VMS Eve e fez entusiastas vibrarem. O voo decolou com dois pilotos, quatro passageiros – entre eles o próprio Branson – um experimento da NASA e foi simplesmente um sucesso! Brason foi o primeiro CEO do setor a completar um voo comercial privado ao espaço, inaugurando a modalidade.

Para esquentar essa disputa, o bilionário Jeff Bezos anunciou recentemente que deixou a Amazon, empresa de seu grupo, para se dedicar integralmente ao seu projeto espacial. Na mesma entrevista, revelou detalhes da sua decolagem com sua nave tripulada. O voo de Bezos, aconteceu no dia 20 de julho e levou a bordo o homem mais jovem e também a mulher mais velha ao espaço, exatamente no dia em que se comemora a ida do homem à Lua, por meio da nave Apollo. A decolagem ocorreu às 9h EDT (13:00 GMT, 10:00 de Brasília), ademais o estágio propulsor pousou com sucesso na pista concretada da empresa, no deserto do Texas, depois de 7 minutos e 30 segundos de voo. A cápsula aterrissou com paraquedas aos 10 minutos e 18 segundos. O tema agitou as redes sociais. Polêmico, o homem mais rico do mundo provocou, em grupos da internet, uma série de sensações. No seu caso, houve petições para ele ir ou não ir ao espaço. Além disso criaram uma petição inusitada, para ele não voltar. Sem piloto e com comando de um computador, o voo proporcionou aos espectadores um verdadeiro espetáculo, principalmente para quem não acredita na matemática ou na ciência e mais ainda, em ambas viagens, as imagens da Terra vista do espaço derrubaram completamente, a teoria absurda de que a Terra é plana.

O turismo espacial suborbital é uma viagem – sem fins científicos, nem pouso em nenhuma superfície – fora da estratosfera terrestre. Conta-se que foram os russos que começaram o turismo espacial, há cerca de 20 anos, e com voos em órbita da Terra. A nave era a Soyuz e o preço, totalmente inviável para quem não fosse milionário. Mesmo assim, foram realizadas oito viagens com pessoas a bordo. Atualmente, as principais empresas do setor, como a norte-americana Blue Origin e a londrina Virgin Galatic tentam popularizar o hobby com viagens suborbitais (onde a nave descreve um arco sobre a Terra a grande altitude, mas sem entrar em órbita). Apesar de já ser uma realidade, esse tipo de turismo é para poucos, aliás, muito poucos, porque o custo ainda é alto; em torno de US$ 1 milhão de dólares por pessoa. Alguém poderá questionar qual o diferencial em fazer uma viagem como essa? Além de experimentar a falta de gravidade, a própria experiência em si, a principal atração: ver a Terra sob um novo prisma.

Mas no meio de tantas viagens e pensando na comodidade de passageiros tão ilustres, a empresa Axiom anunciou que pretende estabelecer uma estação espacial privada, ao lado da ISS. Segundo divulgaram, seria uma espécie de hotel e tudo aconteceria em um futuro muito próximo que poderia inclusive, ser usado para receber experimentos científicos.

Com a ambição de fomentar esse duelo de gigantes, a Bigelow Aerospace pretende revolucionar o turismo espacial no futuro. Diante disso, a empresa liderada por Robert T. Bigelow, fundou a Bigelow Space Operations (BSO). Segundo comunicado oficial, eles pretendem desenvolver plataformas espaciais comerciais seguras e de baixo custo na órbita terrestre baixa, que posteriormente poderão ser usadas como hotéis espaciais.

No Brasil, Marcos Palhares é o representante desta empreitada de turismo espacial. Em destaque, além de representar a empresa de Brason no país, Palhares tem lugar reservado no assento 362 Pioneer, do Spaceship Unity, o que fará dele um dos primeiros brasileiros a voar numa espaçonave suborbital e a conquistar tal oportunidade pela iniciativa privada.

Não há mais dúvidas, o mundo mudou! A nova fronteira espacial estabeleceu um outro paradigma diferente daquele a que se estava acostumado. Hoje a indústria espacial funciona a pleno vapor e o atual cenário parece filme de ficção científica. Porém, o turismo espacial veio para enriquecer este contexto. Os habitantes do Brasil ainda não se conscientizaram, mas já são muito dependentes das tecnologias espaciais como o fornecimento de dados meteorológicos por satélites, usados principalmente pelo agronegócio, câmeras acopladas em celulares, conexões de internet, sistema de pagamentos de cartões de crédito e outros campos. A medicina, por sinal, agregando resultados de pesquisas científicas em órbita, é a principal beneficiada pelas pesquisas espaciais.

Opinião da autora:
E a Base de Alcântara? Existe a possibilidade de tudo isso acontecer também por lá?
Sim, existe.
Uma das quatro empresas selecionadas pelo edital público do Centro Espacial de Alcântara (CEA) é a Virgin Orbit, uma das companhias de Branson. Criada em 2007, ela se especializou em desenvolver e fornecer serviços de lançamentos para pequenos satélites, ou seja, isso poderá significar que suas experiências em Alcântara possam resultar em novas possibilidades para o País.
Perseveremos!

(*) Miriam Rezende Gonçalves, é escritora e jornalista. Autora do livro “Alcântara, a história inspirada na História”, uma obra de ficção científica, resultado de mais de 18 anos de pesquisa sobre o Programa Espacial Brasileiro.

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