O Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) da Marinha do Brasil (MB) é uma tropa que se orgulha por sua operacionalidade e tradições. No entanto, existe um contraste quando se fala da sua força blindada.
A história do CFN começa em 7 de março de 1808, com a chegada da corte portuguesa ao Brasil, o que a torna a infantaria naval mais antiga da América Latina. Seu legado atravessa os séculos, com a invasão da Guiana Francesa, em 1809, e a participação em diversos conflitos internos desde então, sempre reconhecida com uma tropa de pronto emprego e capaz de projetar o poder naval sobre a terra.

OS BLINDADOS
As primeiras viaturas blindadas adquiridas pelo CFN foram cinco protótipos do ENGESA EE-11 Urutu, que operaram até os anos 80, seguidos de 30 M113A1, ainda em uso, seguidos de seis EE-9 Cascavel.
A chegada dos Cascavel, da versão M4, a mais moderna produzida pela ENGESA e muito superior as utilizadas pelo Exército Brasileiro (EB), representou um marco para a Força, pois foi seu primeiro blindado de combate, equipado com canhão e capaz de ser utilizado na função anticarro, permitindo a criação da Companhia de Carros de Combate (CiaCC)
para prover limitado apoio nas operações anfíbias, principalmente nos estágios de conquista de uma cabeça de praia, e que acabou dando origem do atual Batalhão de Blindados. Porém, de forma muito questionada, os EE-9 foram prematuramente desativados a partir dos anos 2000, com a chegada de 17 carros de combate leves SK-105 A2S Kürassier, acompanhados por uma viatura de socorro 4KH7FA Greif.



Alguns dos EE-9 Cascavel acabaram por se tornar alvos para a capacitação dos SK-105…
… mas esse foi um final mais digno que o dos seus sucessores (Coleção do autor)
O projeto do SK-105 iniciou-se em meados dos anos de 1960, na empresa Saurer-Werk, para atender ao Exército Austríaco. Buscava-se um veículo anticarro leve e manobrável, com capacidade de neutralizar os modelos mais pesados da época, ou seja, um “tank destroyer” (destruidor de tanques).
Está equipado com uma torre oscilanlante, similar ao AMX-13 francês, armada com canhão raiado francês da família 105G1, de 105mm e 57 calibres que, em suas versões mais recentes, é capaz disparar um projétil cinético APFSDS a uma velocidade de cerca de 1.430 m/s, com capacidade de perfurar a grande maioria dos blindados da atualidade, dependendo da distância.
O lote adquirido pelo CFN foi o último produzido (na verdade a linha havia sido reaberta para atender a esse pedido e outro para o Exército de Botsuana), o que levou a uma dificuldade em obtenção de componentes em poucos anos. Houve uma tentativa de modernização e atualização, proposta pela empresa brasileira GESPI, que chegou a executar os trabalhos em um exemplar, sem custos para a Força, mas que não foi considerada vantajosa e o projeto acabou abandonado
Devido a todas essas dificuldades, além da idade avançada e dificuldades de manutenção, atualmente apenas três ou quatro viaturas ainda tem condições de rodagem (incluindo o Greif) tendo as demais sido canibalizadas para manter a pequena frota em funcionamento (além de duas preservadas como monumentos).
Isso era algo esperado, porém, o anúncio do leilão de sete sucatas em julho, por um leiloeiro privado, e o impacto visual das imagens disponibilizadas, incomoda quem acompanha e divulga sua história, mesmo sabendo que já existe estudos para seu substituto, dentro do PROADSUMUS.



As imagens de abandono que incomodam a todos (Fotos: João Emilio Leiloeiro)
E O FUTURO?
Exatamente nesse ponto que aparece uma dúvida: é sabido que o teatro de operações do CFN tem algumas peculiaridades que os diferenciam do Exército, porém isso é suficiente para projetos como o substituto dos SK-105 e o Projeto da Nova Família de Blindados do EB sejam unificados, já que estão sendo oferecidos basicamente as mesmas viaturas? Afinal uma compra conjunta traria uma série de vantagens, como a diminuição dos custos de aquisição e operação, aumentando a escalabilidade fabril e permitindo que mais itens fossem nacionalizados, auxiliaria sua logística, além de permitir a troca de experiências na utilização de um mesmo sistema de armas em ambientes diferentes.
Este é um momento de substituição da frota blindada de ambas as forças e se espera, por uma questão de economia (e operacionalidade), que encontrem um denominador comum, que seja vantajoso para ambas, mas, principalmente, para o Brasil.

Respostas de 8
até a hora que precisarmos nos defender de uma agressão externa….
Boa Tarde, Bom Trabalho. Trabalho BOM, pela Informação, e esclarecimento. Uma Pergunta ⁉️: Os Exércitos da Argentina e Bolívia usam o SK-105, e os mesmos certamente tem problemas na Logística, mas não Vão Aposenta-los.
O triste é que nosso país não preservar blindados. Uma ótima finalidade seria mandá-lo para o Museu Conde De Linhares.
As forças armadas brasileira estão sendo sucateadas. isso não é por acaso.
Os tubos e a culatra dos canhões são uma oportunidade de ouro para quem trabalha com cutelaria.
Na minha opinião nunca se deve deixar blindados que custaram milhões de reais ficarem neste estado, nossas forças armadas devem, quando chegar o momento de substituição, lança-las à venda no mercado internacional, focando nos países africanos ou sul americanos que possuem este tipo de blindado em serviço como bem disse o amigo Carlos Gustavo de Vasconcelos, pois sucatear ou a mania brasileira de doar para “países amigos” é inacreditável é uma coisa que ninguém faz, nenhum país do mundo doa nada para nós, até o programa de vendas americano FMS para quem não sabe é pago não é de graça, aí vem o Brasil e dá de graça material bélico que vale milhões de dólares, como se fossemos muito ricos, na minha opinião, não se deve dar nada para ninguém, se não vender, ponha-os em museus militares nacionais.
A impressão que dá e que parece ser proposital , quando uma criança quer um brinquedo novo ela quebra intencionalmente o antigo para pleitear aos pais um novo ! nem pra preserva espetado num quartel ???
poderiam transformar em monumentos para outras unidades e até para museus,santos poderia ter um momento desses em uma praça ou na porta do grupamento de fuzileiros navais.