O sistema de comando e controle do LMV-BR

Entre os dias 05 e 07 de abril de 2022, integrantes da Diretoria de Fabricação (DF) fizeram a demonstração do sistema de comando e controle (SC2) da viatura blindada multitarefa – leve sobre rodas (VBMT-LSR) 4X4 LMV-BR, no contexto de sua avaliação técnica.

A atividade ocorreu no Centro de Avaliações do Exército (CAEx) e teve como objetivo demonstrar ao aludido órgão avaliador do Exército, pertencente ao Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT), as principais funcionalidades do SC2 na viatura, em atendimento ao previsto nos Requisitos Técnicos, Logísticos e Industriais (RTLI) para este Material de Emprego Militar (MEM).

A DF prossegue no trabalho diuturno para a entrega de cada vez mais capacidades à Força Terrestre.

A importância do Sistema C2

Sistema de Comando e Controle (SC2) é o conjunto de instalações, equipamentos, sistemas de informação, doutrinas, procedimentos e pessoal, essenciais para a autoridade planejar, dirigir e controlar as ações da sua organização. O objetivo principal deste tipo de sistema é permitir o ágil e oportuno fluxo de ordens e informações conforme o ciclo OODA (Observar – Orientar – Decidir – Agir).

A evolução tecnológica nesse campo durante os últimos anos foi tal que esse conceito se expandiu e integrou funcionalidades como computação, comunicação, cibernética, inteligência, vigilância, aquisição de alvos e reconhecimento – C5ISTAR. Essas tecnologias constituem o grande diferencial na guerra moderna, compondo o conceito de Guerra Centrada em Redes, na qual a superioridade de informações e operações em conjunto geram uma significativa vantagem operacional. Outro conceito semelhante é o de Capacidades Geradas por Rede, cujo lema é proporcionar a “informação certa, no lugar certo e na hora certa”.

Os veículos blindados modernos são importantes atuadores e sensores na Guerra Centrada em Redes. São sistemas complexos compostos por múltiplos subsistemas, tais como subsistema automotivo, subsistema de armas, subsistema de navegação, subsistema de áudio, subsistema de vídeo, subsistema de aquisição de alvos, dentre outros. Diante dessa complexidade, a atuação do C2 nessas plataformas veiculares pode ser subdividida em níveis interno (dentro da plataforma) e externo (entre plataformas, compondo um sistema de sistemas).

Internamente, o C2 busca disponibilizar ao comandante da viatura e informações relevantes de todos os subsistemas dessa viatura, tais como monitoramento de erros e alertas, dados de condução do veículo, geoposicionamento, imagens das câmeras do veículo e do sistema de armas, direcionamento do tiro em relação ao veículo, quantidade de munição, dentre outros. Em outras palavras, o C2 interno fornece Consciência Situacional Local ao comandante da viatura, auxiliando na tomada de decisão em tempo real.

Externamente, o C2 visa viabilizar a Consciência Situacional Integrada, que consiste no compartilhamento de informações com as demais plataformas e demais escalões, o que possibilita ações em conjunto. Exemplos de informações compartilhadas são: situação e posicionamento das tropas amigas e inimigas no campo de batalha – a fim de evitar o fratricídio e identificar ameaças –, dados pertinentes à missão, dados de situação logística – quantidade de combustível, quantidade de munição – e necessidade de socorro – alarmes e pedidos de apoio de fogo.

Como sensores, as plataformas veiculares requerem tecnologias embarcadas avançadas para buscar, processar e disponibilizar informações. Como atuadores, estas precisam dar condições ao comandante de tomar decisões no momento certo e da maneira certa. É válido ressaltar que a viatura estará na “ponta da linha”, enfrentando os desafios que exigem respostas em tempo real, e não sendo possível, por vezes, aguardar orientações de escalões superiores. Com isso, percebe-se a importância da atuação do C2 a nível interno, devendo ser explorados meios de se aperfeiçoar a consciência situacional local. Para tal, é fundamental que a plataforma veicular tenha uma arquitetura eletrônica estruturada e integrada.

Ainda no contexto de C2, os avanços tecnológicos no poder computacional e nos sistemas de informação, combinados com as rápidas mudanças nos cenários operacionais, vêm exigindo capacidades cada vez mais aprimoradas dos veículos militares. Normalmente, essas capacidades são obtidas com a inserção de mais dispositivos nos veículos, aumentando a complexidade do sistema com uma integração “stovepiped” (vertical e hierárquica), que, na maioria das vezes, é custosa e demanda tempo para ser efetivada. Problemas comuns derivados desse tipo de integração são a limitação de SWaP-C (tamanho, peso, energia e custo), incompatibilidade com outros equipamentos e múltiplas instâncias de uma mesma funcionalidade em diferentes equipamentos devido a soluções proprietárias.

Uma possível solução para esse desafio é o estudo de arquiteturas escaláveis, modulares e baseadas em padrões abertos ou amplamente utilizados. A escalabilidade e modularidade visam reservar portas de dados, carga elétrica e espaço mecânico para prever, já no design do produto, a possibilidade de inserção de novas tecnologias ao longo do ciclo de vida do SMEM. O uso de padrões abertos evita a dependência de soluções particulares de empresas, gerando redução nos custos e melhoria na qualidade dos serviços devido à geração da concorrência. O emprego de padrões abertos também contribui com o fomento industrial, bem como facilita o gerenciamento da obsolescência.

Com informações e imagens da Diretoria de Fabricação

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Comentários

11 respostas

  1. Bastos , este sistema vai estar no Cascavel modernizado e Leo 1A5 modernizado,assim como ,creio eu, já está no Guarani ???

    1. Sim, visitei um na última LAAD, é show!! Alias, a próxima LAAD em 2023 será cheia de novidades!!!

  2. Bastos ainda está sendo utilizado o Sistema C² em Combate? E esse CTM se não me engano era de fabricação nacional mas depois passou a ser importado, já foi encontrado um fornecedor nacional?

    1. O IVECO LMV foi testado pelo CFN e ele não atendeu os requisitos. Simples. Já o JLTV, atendeu!

      1. Interesante que o CFN tem Land Rover Defender , o LMV daria um salto , não descartando o JLTV que é de uma categoria superio mas que vieram em poucas quantidades

      2. A gente sabe que os “requisitos não atendidos” se chama birra do CFN eles se recusam a usar equipamentos iguais as outras forças

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