O Exército e os “Drones Kamikazes”

Foi publicado no Boletim do Exército Brasileiro (EB) de hoje, 22 de setembro, a portaria Nº 324-COTER/C Ex, de 30 de agosto de 2023, que aprova a diretriz para a experimentação doutrinária dos sistemas de munições remotamente pilotadas (SMRP), as conhecidas munições vagantes (“loitering munition”), “drones suicidas” ou “drones kamikazes”, de categorias 1 e 2.

Dentre os objetivos está identificar os aspectos referentes às táticas, técnicas e procedimentos no emprego dos MRP, bem como às medidas ativas e passivas para se contrapor a estes e os impactos de sua adoção para as atividades de inteligência, reconhecimento, vigilância e aquisição de alvos (IRVA) para o processo de planejamento e coordenação de fogos, além de alocar os recursos necessários para sua aquisição.

Em julho deste ano, a Comissão do Exército Brasileiro em Washington (CEBW) realizou uma cotação orçamentária, através de um requerimento para informações (request for information” – RFI), para sondar o mercado sobre a oferta deste tipo de sistema e o Estado-Maior do Exército já está analisando as propostas.

A família HERO, que recentemente foi adquirida pelo Exército Argentino, é uma das candidatas

As munições

As munições remotamente pilotadas (MRP) são um novo tipo de tecnologia, extremamente versátil, e com uma excelente relação custo-benefício, cuja principal característica é, após o lançamento, permanecer em voo por certo período de tempo (o qual varia em função da categoria e modelo), procurando e identificando alvos pré-determinados. Quando são localizados, informam suas coordenadas ao comando de operações, que determinará se será atacado pela Artilharia ou pela própria munição, desde que dotada de ogiva explosiva.

Tal característica as separa dos mísseis e foguetes tradicionais, pois conseguem operar como pequenas aeronaves em atividades de vigilância e reconhecimento antes de impactar o objetivo, como um míssil ar-terra comum, permitindo tempos de reação mais rápidos contra alvos de oportunidade, ocultos ou que surgem por curtos períodos, sem colocar a plataforma lançadora próxima ao alvo, além de maior segurança, pois a missão pode ser cancelada a qualquer momento, no caso de uma identificação errônea, e algumas possuem a capacidade de retornar a base após a missão.

No EB foram classificadas como de Categoria 1, com alcance operacional de até 10 km e Categoria 2, para até 40 km, sendo integrante de um sistema de munições remotamente pilotadas (SMRP), em conjunto com o lançador e sistema de comando, e se pretende adquirir um lote piloto para a parte pratica da experimentação composto por:

Categoria 1

  • Um equipamento de lançamento;
  • 14 munições portáteis;
  • Cinco munições inertes;
  • Uma estação de controle de solo e de transmissão de dados; e
  • Um acondicionador para transporte dos mísseis e demais subsistemas de solo.

Categoria 2

  • Um equipamento de lançamento;
  • Seis munições de médio alcance alto-explosivas multipropósito e anticarro;
  • Seis munições de médio alcance anticarro;
  • Cinco munições inertes;
  • Uma estação de controle de solo;
  • Uma estação de transmissão de dados, contendo com “datalink”e antenas com alcance de 5, 10 e 60 km; e
  • Um acondicionador para transporte dos mísseis e demais subsistemas de solo.
A SkyStriker, da Elbit Systems, é uma das que pode ser recuperada, caso não ataque seu alvo

Juntamente com a aquisição do lote piloto, planeja-se a disponibilização de treinamento inicial para dez operadores, um simulador e suporte logístico integrado, tendo a 2ª Divisão de Exército como a responsável, trabalhando em conjunto com outras organizações militares.

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Comentários

5 respostas

  1. Mesmo que seja doutrinária, essa procura e consequentemente compra de um lote desses drones, é um ótimo começo.

  2. Caro Bastos, os sistemas loitering munition estão sendo empregados por quais frações em outros países? (infantaria, artilharia, aviação, etc….) percebo que será necessário mudar absurdamente a doutrina, exemplo: percebe-se que um SMRP cat-1 tem capacidade anticarro, logo ele poderá ser adotado por um pelotão anticarro? porém esse mesmo equipamento também tem capacidades de inteligência e vigilância, logo também poderá ser utilizado por tropas de reconhecimento? isso dá um nó na cabeça de tão complexo será avaliar algo com capacidade multimissão.
    Perceba que também há confusão para criar uma doutrina para contrapor a estas ameaças que ora se destaca com características de responsabilidade antiaérea e outras de guerra eletrônica….abraço e um ótimo domingo.

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