A Boeing anunciou nesta quarta-feira (05) que vai começar a produção inicial de baixa cadência da versão de longo alcance da bomba inteligente Joint Direct Attack Munition, a JDAM-LR (Long Range). A Força Aérea dos Estados Unidos concedeu à fabricante um contrato de US$ 75 milhões para o fornecimento do módulo BSU-111/B Payload Delivery Unit (PDU).
O sistema representa uma evolução da tradicional família JDAM, ampliando significativamente o alcance das bombas guiadas, permitindo ataques de precisão a distâncias superiores a 300 milhas náuticas (cerca de 556 quilômetros).
O contrato autoriza o início da fabricação dos módulos destinados à Marinha dos EUA, que passará a contar com uma capacidade de ataque de longo alcance empregando cargas da classe de 500 libras (227 kg). A proposta é permitir que aeronaves de combate engajem alvos mantendo-se muito mais afastadas das defesas inimigas, aumentando a sobrevivência das tripulações em ambientes altamente contestados.

O programa alcançou um importante marco no início de 2026, quando concluiu com sucesso seus dois primeiros testes de voo, realizados nos dias 1º e 3 de abril, na costa da Califórnia. Os ensaios validaram o desempenho inicial do sistema e abriram caminho para sua entrada na fase de produção.
Na prática, o novo kit inclui um pequeno motor a jato na versão de alcance estendido da JDAM, que já tinha asas dobráveis. Dessa forma, a GBU-75 se aproxima do conceito de míssil de cruzeiro, sem a necessidade de integração de um armamento totalmente novo. Isso permite que aeronaves já compatíveis com a família JDAM – incluindo caças e bombardeiros da Força Aérea e da Marinha dos EUA, além de plataformas de aliados – passem a dispor de uma capacidade de ataque stand off com custos e logística reduzidos.
Segundo a capitã Sarah Abbott, gerente do programa de Armamentos de Ataque de Precisão (PMA-201) da Marinha dos Estados Unidos, a nova capacidade atende a uma necessidade operacional crescente da frota.

“À medida que as forças navais continuam empregando intensamente os sistemas JDAM, tornou-se essencial ampliar a capacidade de ataque a maiores distâncias. Essa nova solução permite que os pilotos atinjam alvos permanecendo significativamente mais afastados das ameaças, preservando a vantagem tática em ambientes contestados”, afirmou.
Com a autorização para produção inicial, a Boeing prepara a infraestrutura industrial em sua unidade de St. Charles, no estado do Missouri, enquanto prossegue com a qualificação do sistema e sua integração às aeronaves que deverão receber o armamento durante a fase inicial de incorporação operacional.