Navios da Argentina e Chile resgatam o Ary Rongel

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O NApOc H44 Ary Rongel (Foto: Marinha do Brasil)

Por Santiago Rivas (*)

Na madrugada de sábado, 19 de fevereiro, um caso de chamado de resgate (SAR) foi acionado na Passagem de Drake, no estremo sul do Continente Americano,  quando o navio de apoio oceanográfico (NApOc) H44 Ary Rongel, da Marinha do Brasil (MB), sofreu uma grande avaria ao cruza-lo, que acarretou a inundação da casa de máquinas inundasse e obrigou a emitir o pedido de socorro.

Diante da emergência, ocorrida na área dos Centros de Coordenação de Resgate da Argentina (MRCC, Main Rescue Coordination Center), foram despachados navios da Patrulha Naval Combinada Antártica, comandada pelas Marinhas da Argentina e do Chile.

ARA Estrecho de San Carlos (Foto: Santiago Rivas)

A Marinha Argentina enviou o ARA A-22 Estrecho de San Carlos, enquanto o Chile enviou o navio de pesquisa AGS-61 Cabo de Hornos e o navio de patrulha oceânica OPV-83 Marinero Fuentealva, que operavam perto das Ilhas Diego Ramírez, cerca de 100 km a sudoeste do Cabo Horn. Os navios civis Ocean Victory e Le Loreal que estavam na área também aderiram, enquanto o navio polar (Npo) H41 Almirante Maximiano, da MB, foi para a área, mas teve problemas no caminho e não pôde participar do resgate.

Finalmente, a tripulação do Ary Rongel conseguiu resolver a emergência com o apoio dos navios argentinos e chilenos e seguiu para Punta Arenas escoltada por unidades chilenas e argentinas, chegando na terça-feira, 22, ao porto da referida cidade.

O navio chileno Marinero Fuenteabla junto a uma lancha rápida em Punta Arenas (Foto: Armada de Chile)

O Ary Rongel foi construído pelo estaleiro norueguês Georg Eide’s Sønner, em Høylandsbygd, lançado em 22 de janeiro de 1981 e batizado com o nome de Polar Queen. Em 1994 foi adquirido pela MB para operações na Antártica. Embora se esperasse que o Almirante Maximiliano o substituísse depois de ser incorporado em 2009, ambos continuam na ativa.

(*) Santiago Rivas é jornalista e fotógrafo argentino, especializado em defesa, editor da revista Pucará Defensa e colaborador de Tecnologia & Defesa na Argentina

8 Comentários

  1. Esses tantos problemas com os navios de nossa MB só comprovam o nível de sucateamento que atingimos.
    Lamentável.

  2. Lamentável o nível de sucateamento da nossa Marinha, estamos expondo nossas tripulações a risco por conta de um planejamento mal feito e que já se provou desastroso. Poderíamos ter mantido os IKL em funcionamento por muitos anos e optado por prover meios de superfície adequados, ao invés de construir estaleiro e novos submarinos gastando um absurdo.

    • Em todos essses anos de Proantar com o Ary Rongel, essa é a primeira vez que ocorre. Não sabemos o que ocorreu para julgar, mas acho que não foi por problema de manutenção.Os Navios Polares quando retornam de suas missões são submetidos a reparos e manutenção para a próxima temporada. Acho leviano tecer comentários acusatórios sem nenhum fundamento!

  3. Interessante os comentários no site pucara, vão desde o desconhecimento do Brasil na Antártica, passa pela reprovação pelas operações de passagem da RAF pelo Brasil para as Falklands/Malvinas e chega ao reconhecimento do respeito pelas leis maritimas de proteção a navegação (maioria)…mais um episódio para tomar várias lições visando uma evolução de nosso trabalho na região…

  4. A construção de um navio polar de pesquisa entre engenharia e comissionamento vai ser no mínimo de 3 anos e mais um ano de acompanhamento. Durante esse período a Marinha poderia afretar um navio offshore classe ICE para suportar as operações nessa região. Um PSV 3000 ou 4500 em operação no Brasil de uma companhia brasileira também poderia ser rapidamente convertido, mas levaria 1 ano no mínimo. Mesmo com longo ciclo de vida (41 anos) não se justifica esse acidente e tem que ser investigado. A MB não é irresponsável em colocar equipamento com problemas para operar, se não tivesse condições de navegação não estaria navegando. Se as condições climáticas eram previsíveis, pois existem equipamentos de navegação para isso, o erro foi a tomada de decisão de ir a frente com uma embarcação e não mitigar o risco. Uma embarcação com 41 anos já deveria ter ido para a sucata ou convertida em embarcação para outro tipo de operações e não ter que correr o risco como está correndo navegando em mares onde as condições climáticas sofrem mudanças repentinas.

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