MQ-9B – uma nova fronteira para as missões AEW

Em maio de 2026, a Saab e a General Atomics voaram pela primeira vez o MQ-9B, inaugurando um novo capítulo nas plataformas dedicadas às missões de alerta aéreo antecipado e controle (AEW&C).

A nova versão da família de aeronaves remotamente pilotadas (UAS) é baseada no MQ-9 Reaper, que voou pela primeira vez em 2001 e foi concebido para missões de inteligência, vigilância, reconhecimento e ataque. Ao longo dos anos, após ser introduzido em serviço em 2006, acumulou um histórico de sucesso em guerras e operações de combate até os dias de hoje.

Com o MQ-9B, a Saab e a General Atomics apostam numa família de aeronaves que complementa as operações de aviões tripulados de AEW&C, além de disponibilizar essa capacidade para um maior número de países.

As variantes incluem o SkyGuardian e a SeaGuardian, voltada para o cenário operacional marítimo, podendo inclusive operar a partir de porta-aviões ou navios anfíbios com deques maiores.

Para o MQ-9B, a Saab desenvolveu um sistema de radar de varredura eletrônica ativa (AESA) utilizando a mesma tecnologia de transmissores e receptores em nitreto de gálio empregada no GlobalEye, distribuída em três pods, sendo dois subalares e um ventral.

O UAS será capaz de detectar drones, aviões de caça furtivos, alvos voando com elevada manobrabilidade e altas velocidades, além de pequenos vetores voando em baixa altitude e baixa velocidade. A transmissão de dados será realizada por meio de comunicações em linha de visada, datalink ou satélite.

O MQ-9B já desperta o interesse de algumas forças armadas devido às suas características. Em primeiro lugar, poderá ser utilizado como plataforma complementar aos AEW&C tripulados, seja ampliando o esforço aéreo em múltiplas frentes de batalha, aumentando a permanência em voo ou substituindo meios que deverão ser retirados de serviço nos próximos anos.

Este último caso é particularmente urgente para a Marinha do Reino Unido, que deverá dar adeus aos seus helicópteros Merlin Mk.2 no final desta década, criando uma lacuna nas missões AEW. Com um sistema como o MQ-9B, cujo projeto inclui versões com capacidade de pouso e decolagem curtos (STOL) a partir de porta-aviões ou navios anfíbios, essa necessidade poderá ser atendida. Testes foram realizados com o MQ-1C Mojave no porta-aviões HMS Prince of Wales (R09), em 2023, ocasião em que o drone decolou e pousou sem o auxílio de catapultas.

Por outro lado, o Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos também necessita de uma plataforma dedicada para esse tipo de missão. Essa capacidade já está descrita no programa Marine Air Ground Task Force Unmanned Aircraft System Expeditionary (MUX), que envolve uma série de sistemas e requisitos, sendo o desenvolvimento de um drone AEW uma das prioridades. Foram considerados sistemas de decolagem vertical, mas, caso a capacidade STOL seja desenvolvida, será possível empregar esses sistemas a partir de navios. O programa MUX dos Marines também exige que a plataforma AEW&C disponha de um sensor eletro-óptico, sistema que foi mantido no MQ-9B.

Outro nicho de mercado para a solução da Saab e da General Atomics são os países com orçamentos de defesa mais restritos e que não dispõem de condições para manter uma plataforma tripulada, mas necessitam desse tipo de capacidade. Para esses casos, o MQ-9B poderá encontrar um amplo mercado, uma vez que os custos de aquisição e operação podem representar apenas uma fração daqueles associados às aeronaves tripuladas.

Conhecendo o MQ-9B – SkyGuardian / SeaGuardian

Comprimento: 11,7 m
Envergadura: 24 m
Teto operacional: 40 mil pés
Velocidade máxima: 388 km/h
Peso máximo de decolagem: 5.670 kg
Alcance: 11.100 km
Autonomia: 40 horas
Carga útil: 1.814 kg

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