O Ministério da Defesa criou um Grupo de Trabalho (GT) para formular o Conceito de Operações Conjunto (CONOPS MD) para um novo Helicóptero Multimissão destinado às Forças Armadas. A medida foi oficializada pela Portaria EMCFA-MD nº 4.249, de 17 de agosto, publicada no Diário Oficial da União, e representa um novo passo nos estudos para uma possível aquisição conjunta de helicópteros leves para a Marinha do Brasil, Exército Brasileiro e Força Aérea Brasileira.
Coordenado pela Chefia de Operações Conjuntas do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), o grupo contará com representantes das três Forças. Entre suas atribuições está a elaboração dos estudos que deverão subsidiar a implementação do conceito operacional e, quando necessário, a preparação de apresentações e a coordenação das medidas relacionadas ao processo de obtenção conjunta da aeronave.
O GT terá 20 dias, contados a partir da publicação da portaria, para concluir os trabalhos. O prazo poderá ser prorrogado mediante solicitação do coordenador. Ao final, a proposta deverá ser aprovada pelo Chefe de Operações Conjuntas e encaminhada à Chefia de Logística e Mobilização do EMCFA.
A iniciativa busca estabelecer os requisitos para uma plataforma comum às três Forças, capaz de executar diferentes tipos de missão. A adoção de um modelo compartilhado deve reduzir a diversidade de aeronaves em operação e proporcionar ganhos de escala em treinamento, manutenção, logística e integração operacional.

A ideia de uma aeronave comum não é inédita no Ministério da Defesa. O Programa H-XBR, que resultou na aquisição dos H225M Caracal, para Marinha, Exército e Força Aérea, foi o primeiro grande projeto de aquisição conjunta de uma aeronave para as três Forças.
Saída do HA-1 Fennec
Embora a portaria não estabeleça modelo, quantidade ou configuração para o futuro helicóptero, a criação do GT ocorre paralelamente aos estudos do Exército Brasileiro para substituir sua frota de aeronaves leves de ataque e reconhecimento.
De acordo com a Diretriz de Atualização do Programa Estratégico do Exército Aviação do Exército e Drones (Prg EE Av Ex/Drones), o EB prevê a substituição dos HA-1A Fennec por meio do Projeto Aeronave Multimissão (Pjt Anv M Mis).

A futura aeronave deverá combinar tarefas de ataque, reconhecimento, segurança e transporte, além de apresentar características como mobilidade, modularidade, velocidade, alcance e flexibilidade de emprego. O documento também estabelece a necessidade de sistemas de aquisição de imagens, armamento axial e um sistema de comunicações amplo e flexível.
Ainda assim, os Fennec deverão permanecer em operação por mais tempo, atuando na formação dos novos pilotos da Aviação do EB, mas dando lugar a um novo modelo nas missões de reconhecimento armado/ataque leve.
Três possíveis concorrentes
No mercado, três modelos se destacam, embora sejam de categoria diferente do H125/HA-1. São eles o Bell 429, o Leonardo AW169M e o Airbus H145M, sendo que este último tem chamado atenção entre os bastidores. Como já mencionado anteriormente por Tecnologia & Defesa, a Helibras quer iniciar a produção nacional do tipo após a conclusão do H-XBR, que logo ceve entregar seu último H-36 para a FAB. No entanto, a viabilização da produção brasileira dependeria de uma encomenda mínima de 50 unidades por parte do governo federal (que também pode ser interministerial).
O H145M é a versão militar do H145, helicóptero bimotor desenvolvido pela Airbus a partir da família EC145. A aeronave já acumula mais de 8,6 milhões de horas de voo em diferentes aplicações, incluindo segurança pública, segmento no qual também é empregada no Brasil por meio do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais. As primeiras unidades do H145 foram entregues em 2014, enquanto a variante militar começou a ser entregue à Alemanha em 2015. Desde então, o modelo foi adotado por diferentes forças armadas, incluindo Hungria, Sérvia, Tailândia e Luxemburgo, além de ter sido selecionado por países como Bélgica e Chipre.
No emprego militar, o H145M foi concebido como uma plataforma multimissão, podendo realizar transporte de tropas, reconhecimento, operações especiais, evacuação médica e apoio de fogo. Seu principal diferencial é a possibilidade de rápida reconfiguração e a integração do sistema HForce, que permite o emprego de metralhadoras, canhões, foguetes e armamentos guiados.
O estadunidense Bell 429 GlobalRanger nasceu como um projeto voltado ao mercado civil, tendo realizado seu primeiro voo em 2007 e entrado em serviço em 2009. Desenvolvido pela Bell Helicopter como um helicóptero leve bimotor, o modelo foi concebido para missões como transporte executivo, emergência médica, segurança pública e operações offshore.
Embora não tenha sido projetado originalmente como uma aeronave militar, suas características de desempenho, cabine e flexibilidade fizeram com que também fosse adotado por forças de segurança e operadores governamentais para missões de ligação, transporte de pessoal, reconhecimento, treinamento, patrulhamento e busca e salvamento. Diferentemente do H145M e do AW169M, o Bell 429 não possui uma versão militar armada equivalente, sendo sua principal vocação o emprego multimissão de baixa intensidade.
O AW169M deriva do AW169, desenvolvido pela Leonardo para ocupar uma posição intermediária entre os helicópteros leves e médios da empresa. O modelo civil realizou seu primeiro voo em 2012 e entrou em serviço em 2015, enquanto a versão militar foi desenvolvida posteriormente para atender necessidades de forças armadas e órgãos governamentais. No brasil, está em operação com a Polícia Civil e Corpo de Bombeiros Militar do Rio de Janeiro, além de ter sido adquirido pela brigada Militar do Rio Grande do Sul.
Com maior peso e potência que o H145M e o Bell 429, o AW169M foi concebido desde o início como uma plataforma multimissão, podendo desempenhar transporte de tropas, apoio logístico, operações especiais, reconhecimento e vigilância, comando e controle, apoio aéreo aproximado, SAR e evacuação médica. A aeronave também pode receber diferentes equipamentos de missão e sistemas de armas, permitindo sua adaptação a funções distintas dentro de uma mesma frota.
| Característica | Airbus H145M | Bell 429 | Leonardo AW169M |
|---|---|---|---|
| Categoria | Helicóptero leve militar multimissão | Helicóptero leve bimotor multimissão | Helicóptero leve/médio militar multimissão |
| MTOW | 3.800 kg | 3.175 kg | 4.800 kg |
| Peso vazio | 1.918 kg | 1.730 kg | 2.850 kg |
| Motores e potência | 2 × Safran Arriel 2E, 894 shp cada | 2 × P&W PW207D1, 635 shp cada | 2 × P&W PW210A1, 1.100 shp cada |
| Velocidade máxima | 241 km/h | 287 km/h | 261 km/h |
| Alcance e autonomia | 637 km / 3h30 | 761 km / 4h30 | 701 km / 3h46 |
| Capacidade de transporte | Até 1.893 kg de carga / 10 soldados | Até 1.445 kg de carga / 7 passageiros | Até 2.000 kg de carga / 8 soldados equipados |
| Volume da cabine | 6,03 m³ | 5,78 m³ | 6,3 m³ |
| Armamento integrado | Sim | Não | Sim |
Informações conforme divulgado pelas fabricantes. Dados de desempenho podem variar conforme configuração, altitude, temperatura, combustível e equipamentos instalados.
Apesar do interesse em torno do H145M, a criação do Grupo de Trabalho não representa nenhuma seleção de modelo. Neste momento, o Ministério da Defesa está estabelecendo os requisitos operacionais e o conceito de emprego conjunto que deverão orientar uma eventual aquisição.
O trabalho do EMCFA deverá, portanto, definir quais capacidades, configurações e parâmetros serão necessários para o futuro Helicóptero Multimissão das Forças Armadas. Somente após essa etapa será possível determinar quais plataformas poderão atender aos requisitos estabelecidos e avançar para uma eventual seleção.



Respostas de 7
Na torcida pelo H-145 M !
Decisão acertada para padronização, economia e integração. Melhor do que vimos recentemente onde FAB e EB fizeram compras em separado para o mesmo Helicóptero, no caso, o H60 Blackhawk.
H145 já sao utilizados a alguns anos nas missões SAR das Forças Armadas da Alemanha.
Os helicópteros estão equipados com câmeras de alto definição, holofotes, sistemas localizadores de emergência, equipamentos médicos completos, guinchos de resgate e ganchos de carga que podem ser usados com tanques de extinção de incêndio, entre outros sistemas.
Seria uma boa aquisição para as Forças Armada Brasileiras, levando em consideração, o preço disponibilidade para o emprego, Logística, o que atenderia a médio prazo a substituição de outras aeronaves em serviço. E podendo ser configurada para as tarefas multimíssão de cada força, com armamento padronizado para as três forças, o que reduziria o gasto com armamentos diferentes equipando os helicópteros da Marinha Exército e Força Aérea.
nenhum helicóptero fabricado fora do Brasil serve as forças armadas. deveriam estar em tratando um projeto com a Helibras para um helicóptero ao máximo possível de peças e equipamentos nacionais….
caro Robson, você comentou:
“Decisão acertada para padronização, economia e integração. Melhor do que vimos recentemente onde FAB e EB fizeram compras em separado para o mesmo Helicóptero, no caso, o H60 Blackhawk.” No entanto, o modelo que a Força Aérea Brasileira comprou é o mesmo modelo que opera desde quando adquiriu o Black Hawk Modelo L. O nosso Exército Brasileiro escolheu outro modelo mais moderno, pois faz outro tipo de missão da FAB.
um abraço.
Alan Ohtsubo comentou ainda que o modelo do Black Hawk M foi escolhido pelas missões que irá realizar. Concordo plenamente com vc sobre as plataformas iguais, mas são modelos diferentes.
Os Fennec que irão ser desativados são os que foram recentemente modernizados?