Marinha dos EUA estuda substituir caças F-5 por F/A-18 Super Hornet

Caças F-5N Tiger II da Marinha dos EUA (Mass Communication Specialist 2nd Class Nicholas V. Huynh/USN/Divulgação)

O Northrop F-5 Tiger II logo pode deixar o serviço militar em mais um de seus operadores, dessa vez a Marinha dos Estados Unidos (USN), que usa o modelo para treinamento de combate aéreo (adversary). A organização estuda substituir o pequeno caça da década de 1970 pelo seu principal avião de combate o, Boeing F/A-18 Super Hornet. A informação surgiu em um projeto preliminar da Lei de Autorização de Defesa Nacional dos Estados Unidos para o ano fiscal de 2027.

Segundo o documento analisado pelo portal The War Zone, o Congresso norte-americano solicitou um relatório detalhando os esforços para transferir Super Hornets para a Reserva Naval, substituindo os F-5 utilizados nos esquadrões de treinamento adversário.

O relatório deverá abordar riscos à prontidão operacional, treinamento de pilotos e mecânicos, além do cronograma de transição.

Conforme o levantamento World Air Forces 2026, a USN mantém 33 F-5N/F em dois esquadrões (VFC): o VFC-111 Sundowners, em Key West, e o VFC-204 River Rattlers, em Nova Orleans. Outros dois esquadrões, o VFC-13 Saints e o VFC-12 Fighting Omars operam o General Dynamics/Lockheed Martin F-16 Fighting Falcon modernizado e o próprio Super Hornet, respectivamente.

F/A-18F do esquadrão adversário VFC-12, pintado para emular um caça chinês. A unidade opera o Super Hornet desde 2021. (Mass Communication Specialist 1st Class David C. Warren/USN/Divulgação)
F/A-18F do esquadrão adversário VFC-12, pintado para emular um caça chinês. A unidade opera o Super Hornet desde 2021. (Mass Communication Specialist 1st Class David C. Warren/USN/Divulgação)

Recentemente a Marinha iniciou o programa ARTEMIS para modernizar seus F-5. Além dos upgrades – que incorporaram novos sistemas aviônicos, radar, datalink e displays digitais aos F-5, um trabalho realizado pela TacAir – a USN adquiriu 22 aviões da Força Aérea Suíça, que serão divididos entre seus esquadrões e do Corpo de Fuzileiros Navais. No entanto, mesmo com as atualizações, os jatos veteranos já não conseguem replicar adequadamente ameaças aéreas modernas de 4ª e 5ª geração.

Nesse contexto, o Super Hornet surge como uma solução mais próxima dos desafios enfrentados atualmente pela aviação naval norte-americana, especialmente diante do crescimento das capacidades aéreas chinesas, com a incorporação de versões cada vez mais modernas dos J-10, J-11, J-15 e J-16, bem como os furtivos J-20 e J-35.

Equipado com radar AESA AN/APG-79, sistemas IRST, guerra eletrônica avançada e maior desempenho aerodinâmico que o F-5, o F/A-18 se torna mais adequado para emular essas e outras ameaças.

Esquadrilha de F-5 do MVFT-401 ( Lance Cpl. Alexandria Serrano/USMC/Divulgação)
Esquadrilha de F-5 do MVFT-401 ( Lance Cpl. Alexandria Serrano/USMC/Divulgação)

A mudança também acompanha uma tendência mais ampla das forças armadas dos EUA, que vêm reduzindo o uso de aeronaves antigas em missões de treinamento adversário. A própria Força Aérea dos EUA já utiliza caças furtivos Lockheed Martin F-35 Lightning II como plataformas aggressor. Ao mesmo tempo, empresas privadas continuam complementando a demanda, como Tactical Air Support e seus F-5 Advanced Tiger.

Apesar dos estudos, o futuro dos F-5 na Marinha dos EUA ainda não está totalmente definido. Em 2022, o planejamento oficial previa a permanência do modelo até pelo menos 2035. Já os Fuzileiros devem manter seus Tiger II em operação até depois de 2040, dentro do programa Adversary Next.

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