Marcos Degaut, CEO do Grupo EDGE fala à T&D

Com mais de 30 anos como servidor público, quando, inclusive atuou como secretário de Produtos de Defesa, no Ministério da Defesa de 2019 a 2022, onde trabalhouna atualização e implementarção das Políticas Nacional da Indústria de Defesa, de Ciência, Tecnologia e Inovação do Setor de Defesa e a de Investimentos na Indústria de Defesa.Também foi secretário especial adjunto para Assuntos Estratégicos no Gabinete Executivo da Presidência da República, entre 2017 e 2018, quando ajudou a elaborar a Estratégia Nacional de Inteligência do Brasil e a Estratégia Nacional de Defesa.

Experiente em política externa, comércio exterior, negociações internacionais e economia internacional, em 2017 foi membro do Conselho Executivo da Câmara de Comércio Exterior do Brasil, tendo sido, no ano seguinte, seu secretário executivo. Atualmente, também é membro do Conselho Executivo do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e CEO do Grupo EDGE na América Latina.

É Ph.D. em Estudos de Segurança pela University of Central Florida, mestre em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília e doutor em Direito Internacional, pelo Centro Universitário do Distrito Federal – UDF), e possui um curso de especialização em Inteligência (Escola Nacional de Inteligência). Recentemente, conversou com Tecnologia & Defesa a respeito das atividades e pretensões do Grupo dos Emirados Árabes.

Tecnologia & Defesa –A recente aquisição pelo Edge Group de 50% da empresa brasileira SIATT, terá qual impacto no desenvolvimento de um dos principais projetos da Marinha do Brasil (MB), o míssil superfície-superfície de longo alcance e sua versão terrestre?

Marcos DegautO EDGE está empreendendo grandes esforços para se tornar um participante ainda mais importante no mercado de sistemas de defesa de alta tecnologia. Nesse sentido, está comprometida em colaborar com participantes estrategicamente importantes do setor no Brasil, como a SIATT, por meio de investimentos ou parcerias, a fim de desenvolver capacidades avançadas de defesa e outras tecnologias relacionadas. A parceria que estabelecemos com a Marinha do Brasil e a SIATT deve, portanto, ser entendida dentro da perspectiva de aumentar nosso grau de autonomia tecnológica e, portanto, de autonomia estratégica.

 

T&D –Existe, então, interesse em adquirir, ou firmar parcerias estratégicas, com outras empresas da Base Industrial de Defesa e Segurança (BIDS) brasileira?

DegautComo parte de nosso roteiro de desenvolvimento na América Latina, temos como objetivo aproveitar as valiosas parcerias com alguns dos principais participantes da região e forjar novas colaborações para expandir sua presença por meio de exportações e do crescimento das cadeias de suprimentos locais.

A América Latina e, especificamente o Brasil, é um mercado estrategicamente importante para o EDGE Group, o que nos permite demonstrar nossas capacidades avançadas nos domínios aéreo, terrestre, marítimo e cibernético para o desenvolvimento de capacidades de defesa  em todo o continente.

Estamos sempre abertos para avaliar oportunidades valiosas de investimento na América Latina, o que poderia nos permitir expandir nossa presença internacional e construir novas parcerias para incentivar o compartilhamento de conhecimento e proporcionar benefícios comerciais tangíveis a todas as partes, além de apoiar o crescimento econômico.

 

T&D – Existem estudos para outras cooperações entre a MB e o Edge Group?

DegautO Grupo busca aproveitar a experiência da Marinha do Brasil, que nos últimos anos fez avanços significativos no desenvolvimento do programa nacional de mísseis antinavio de superfície (MANSup). O acordo que assinamos recentemente fará com que nos tornemos seu parceiro estratégico, coinvestindo no desenvolvimento de mísseis antinavio de longo alcance, bem como fornecendo soluções avançadas, como a tecnologia anti-interferência, que é desenvolvida nos Emirados Árabes Unidos. A MB também utilizará sua frota para apoiar um programa completo de testes dos novos mísseis. A parceria ressalta a ambição mútua em estar na vanguarda da inovação e abre portas para oportunidades de exportação para os principais mercados globais.

 

T&D – Quais soluções de tecnologia avançada que o EDGE Group vislumbra em curto ou médio prazos para o Corpo de Fuzileiros Navais da MB?

DegautAssinamos um acordo estratégico com o Corpo de Fuzileiros Navais do Brasil, o qual demonstra a importância do mercado de defesa brasileiro para o Grupo e abre grandes oportunidades para apresentar seu portfólio avançado de soluções de múltiplos domínios, com foco em veículosautônomos, guerra eletrônica, sistemas de gerenciamento de batalha e comunicações seguras. Isso abriu caminho para uma cooperação técnica avançada em um futuro muito próximo.O objetivo é desenvolver capacidades e soluções conjuntas personalizadas para atender aos requisitos dos fuzileiros navais.

 

T&D – Em termos de Força Aérea, onde estão as maiores possibilidades de cooperação concreta?

DegautA exploração dessas oportunidades ainda está no estágio inicial, mas tivemos reuniões proveitosas com a Força Aérea Brasileira para discutir sinergias e possíveis caminhos de colaboração. Certamente há espaço para discussões sobre plataformas autônomas, armas inteligentes e indústria aeronáutica, entre muitas outras.

 

 T&D  – E em relação aos Exército, existe algum projeto?

Degaut –Como eu disse anteriormente, o EDGE Group está sempre aberto a avaliar oportunidades valiosas de investimento na América Latina que possam nos permitir expandir nossa presença internacional e construir novas parcerias. Estamos em conversações com o Escritório de Projetos Estratégicos do Exército (EPEX) para entender melhor suas necessidades e projetos e ver como podemos avançar.

 

T&D – Quanto ao mercado de equipamentos de segurança pública, há  prospecção de algum nicho no mercado?

DegautNos concentramos em nichos de mercado específicos e estamos totalmente abertos à cooperação e colaboração com quaisquer empresas de defesa que estejam preparadas para licenciar ou compartilhar suas tecnologias. Adotamos uma abordagem mista de concorrência e cooperação que nos permite cooperar com os concorrentes em alguns espaços e competir com eles em outros, dependendo das circunstâncias. Para fortalecer nossa identidade institucional na região, organizamos uma Conferência de Segurança Interna, no Rio de Janeiro, destinada às principais partes interessadas em políticas públicas, para discutir questões locais relacionadas à segurança pública e apresentar algumas de nossas soluções. Esse evento, também com patrocínio de empresas locais, como a Condor e a Kryptus, e apoio institucional do Sindicato das Indústrias de Material de Defesa (SIMDE) e da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN).

 

T&D – No Brasil, já é tradicional a exiguidade dos orçamentos destinados às Forças Armadas, falta de previsibilidade financeira, junto com os recorrentes contigenciamentos. Como o EDGE Group interpreta tal situação?

DegautEntendemos que essa pode ser uma questão perene para as Forças Armadas no Brasil, especialmente em termos de expansão e melhoria do setor de defesa. No entanto, como indústria, entendemos que nossa convergência é exatamente útil nesse momento. Podemos oferecer investimentos em inovação, tecnologia e capacidades, bem como financiamento para exportações, que é um problema sério para toda a região. 

T&D – Há possibilidades de atingir outros mercados na América Latina e África, talvez, a partir de uma unidade no Brasil?

DegautNosso novo escritório regional LATAM, em Brasília, é um sinal claro de nossa confiança nos mercados do continente e nas oportunidades valiosas que eles apresentam para o desenvolvimento de negócios internacionais, compartilhamento de conhecimento e maior prosperidade. Já estamos nos engajando ativamente nos mercados da região, incluindo Chile, Colômbia e Peru, e já estamos presentes nos principais mercados da África, em países como Angola, onde recentemente assinamos um acordo naval histórico de vários bilhões de dólares.

Como a revista mencionou, certamente há oportunidades de alcançar outros mercados internacionais por meio de nossa presença no Brasil. Um exemplo disso poderia ser o desenvolvimento conjunto de soluções de mísseis com a MB e a SIATT como parte do programa MANSup, que poderia ser disponibilizado para exportação.

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