Conflitos recentes demonstraram que sistemas convencionais, projetados para enfrentar aeronaves tripuladas, helicópteros ou mísseis, nem sempre oferecem a resposta mais eficiente e economicamente viável contra ameaças de baixo custo, baixa assinatura e alta disponibilidade, como os drones. O avanço desses sistemas está acelerado e obrigando as forças armadas de todo o mundo a repensarem seus conceitos de defesa aérea de curto alcance.
Neste contexto, atendendo a uma demanda da Suécia, a Saab desenvolveu o LOKE, um conjunto que integra diferentes tipos de sistemas já existentes e consolidados para se contrapor a essa ameaça. A arquitetura foi projetada para operar tanto na proteção de instalações fixas quanto no acompanhamento de forças em movimento, permitindo rápida adaptação às necessidades operacionais.
Um dos conceitos centrais do programa é a proporcionalidade da resposta. Em vez de utilizar interceptadores de alto custo contra drones comerciais ou munições vagantes relativamente baratas, o sistema busca empregar o meio mais adequado para cada ameaça. Essa filosofia tem ganhado relevância à medida que os conflitos modernos demonstram que enxames de drones e sistemas não tripulados podem saturar rapidamente as defesas tradicionais e colapsar qualquer economia.
O LOKE foi apresentado pela primeira vez em 2025 e o que mais despertou a atenção foi a velocidade que foi concebido. Foram necessários apenas 84 dias para tirar o projeto do conceito para os testes e as avaliações.
Parte desta agilidade se deu ao fato de que muitos dos sistemas que integram essa solução são modulares. O principal sensor de detecção é o radar móvel Giraffe 1X, que possui tecnologia 3D e varredura eletrônica ativa na banda X. O LOKE conta com sistema de guerra eletrônica que atua para fazer a interferência na navegação e na comunicação do drone. Por fim, há a estação de armas remotamente controlada Trackfire. Esta última combina sensores eletro-ópticos, câmeras diurnas e termais, telêmetro laser e sistemas de estabilização, aumentando a precisão mesmo em movimento. Entre as configurações divulgadas estão as metralhadoras de calibre 7,62 mm e 12,7 mm, lançadores automáticos de granadas de 40 mm e um canhão automático de 30 mm (Trackfire ARES).
A maturidade do conceito foi demonstrada quando o LOKE foi empregado em uma missão da OTAN na Base Aérea de Malbork, na Polônia, entre abril e setembro de 2025, como parte da contribuição sueca às operações daquela aliança militar, protegendo instalações estratégicas que apoiam a Ucrânia. Após o término da missão, a Saab informou que a Ala 21 (F 21), que operou com oito Gripen C naquela ocasião na Polônia, vai incorporar o LOKE como uma capacidade orgânica em nível de pelotão.
Neste ano, a Suécia encomendou o sistema LOKE por um valor de 2,6 bilhões de coroas suecas (R$ 1,4 bilhão). Embora o governo sueco não tenha divulgado o número de sistemas adquiridos, o pacote inclui o canhão de 30 mm nas estações de tiro Trakefire com as entregas previstas para 2027 e 2028. O montante deste contrato é semelhante ao que o país pagou pelo terceiro GlobalEye, o que demonstra a dimensão deste contrato.


