Leonardo inicia testes do sistema de defesa aérea móvel Hystrix 40

O grupo italiano Leonardo iniciou os testes do Hystrix 40 ADS, seu novo sistema móvel de defesa aérea desenvolvido para enfrentar principalmente ameaças aéreas de baixa altitude, como sistemas aéreos remotamente pilotados (SARP)  e mísseis de cruzeiro.

O sistema combina a torre Marlin 40, originalmente desenvolvida para aplicações navais, com um chassi IDV/Astra 8X8 (o mesmo do sistema SAMP/T). O armamento utiliza munição de 40mm com capacidade de explosão aérea (airburst), permitindo criar uma nuvem de fragmentos próxima ao alvo e aumentar a probabilidade de engajamento contra pequenos alvos aéreos.

Segundo a Leonardo, o Hystrix 40 foi concebido para realizar engajamentos a distâncias de até 3 km, proporcionando uma camada de defesa de curto alcance particularmente adequada para a proteção de unidades militares, instalações estratégicas e outros ativos contra ameaças aéreas emergentes, e é um componente chave do sistema  “Michelangelo Dome”.

Um dos principais aspectos do conceito Hystrix é sua arquitetura modular, que permite à Leonardo explorar diferentes calibres e plataformas de acordo com os requisitos operacionais do cliente.

Outras versões desse sistema são o Hystrix 76, com o consagrado canhão naval OTO Melara 76/62, de 76mm, e o Hystrix 30, equipado com o X-Gun, de 30mm, utilizada pela torre Lionfish 30. A possibilidade de utilizar diferentes calibres também permite estruturar uma defesa aérea em camadas, empregando sistemas de 30 e 40mm para ameaças de curto alcance e soluções de 76mm para engajamentos de maior alcance e potência.

O desenvolvimento do Hystrix ocorre em um momento em que a proliferação de drones está modificando os requisitos de defesa aérea das forças armadas. Sistemas tradicionais de defesa, especialmente aqueles baseados exclusivamente em mísseis, podem apresentar custos elevados para enfrentar alvos pequenos e de baixo valor.

Nesse cenário, canhões equipados com munição programável de explosão aérea oferecem uma alternativa para a última camada de defesa, permitindo realizar engajamentos com maior eficiência contra pequenos drones, com um custo mais baixo que os mísseis e, segundo alguns estudos, mais eficaz.

Para a Leonardo, o Hystrix representa ainda uma oportunidade de integrar sensores, sistemas de comando e controle, radares e armamentos em uma arquitetura comum, criando uma família de sistemas móveis de defesa aérea adaptável às necessidades de diferentes forças armadas.

O conceito reforça uma tendência observada nos atuais programas de defesa aérea: a combinação de mobilidade, sensores integrados, munição inteligente e elevada cadência de fogo para enfrentar a crescente ameaça dos SARP.

O Hystrix 76 em um semirreboque

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