O Embraer KC-390 Millennium da Força Aérea Brasileira (FAB) utilizou pela primeira vez uma nova ferramenta no combate aos incêndios florestais na Amazônia Ocidental. Durante a Operação Amazonas, a aeronave empregou pela primeira vez o CAFFS (Containerized Aerial Fire Fighting System), sistema que utiliza contêineres descartáveis para lançar água ou líquido retardante sobre as áreas atingidas pelo fogo.
Desde 12 de outubro, os dois KC-390 mobilizados para a operação já haviam realizado 82 missões, com o lançamento de mais de um milhão de litros de água. O resultado expressivo também evidencia a estrutura logística necessária para manter as aeronaves em ritmo intenso de operações.
“Isso destaca a capacidade de recursos humanos que nós temos. A equipe de preparação da aeronave, o reabastecimento com água, o fato de manter operacional todo o equipamento de solo e o suporte”, afirmou o tenente-coronel Daniel Souza, comandante do Primeiro Grupo de Transporte de Tropa (1º GTT), o Esquadrão Zeus.
Adquirido em setembro de 2025, o CAFFS tem origem norte-americana e foi desenvolvido pela empresa Caylym. Também conhecido como Guardian, o sistema complementa o MAFFS (Modular Airborne Fire Fighting System), já utilizado pela FAB no KC-390.
A principal diferença está no método de lançamento. O MAFFS emprega um conjunto de tubos instalado na aeronave, capaz de descarregar aproximadamente 12 mil litros de água em uma passagem, com possibilidade de utilização de retardantes de chamas. O CAFFS, por sua vez, utiliza contêineres de papelão biodegradável, cada um com capacidade para transportar até mil litros de água ou produto retardante.
O KC-390 pode levar até 24 caixas, que podem ser lançadas de uma só vez ou de maneira fracionada, conforme a necessidade da missão. A solução oferece uma alternativa de emprego mais simples, sem substituir o sistema MAFFS. A FAB também estuda a possibilidade de utilizar o CAFFS no Airbus C-105 Amazonas.

Logística em ritmo de combate
A operação exige uma estrutura de apoio capaz de acompanhar a frequência das saídas. Na Base Aérea de Manaus, foram instaladas duas piscinas para abastecimento, cada uma com capacidade para até 24 mil litros de água. A estrutura também inclui um sistema de ar comprimido utilizado pelo MAFFS para auxiliar a ejeção do líquido.
A área de cargas da base foi adaptada para funcionar como uma linha de preparação dos contêineres do CAFFS. Ali, os militares montam e abastecem as unidades antes de encaminhá-las às aeronaves. Em cada missão, pelo menos 19 contêineres são lançados pelo KC-390.
O ritmo das operações também foi destacado pelo comandante do Esquadrão Zeus, unidade responsável pelo emprego dos cargueiros. Segundo ele, a disponibilidade das aeronaves e dos equipamentos permitiu cumprir as saídas planejadas sem interrupções causadas por falhas relevantes.

“A aeronave e o equipamento ajudaram muito porque têm uma alta capacidade operacional. Não tivemos nenhuma pane, nenhum contratempo que nos impedisse de cumprir todas as saídas planejadas. O ritmo de batalha foi muito grande. Foram diversas decolagens que permitiram que, em pouco tempo, atingíssemos essa marca”, afirmou.
O emprego do CAFFS amplia as alternativas disponíveis para a FAB no combate aéreo a incêndios florestais. Com a combinação dos dois sistemas, o KC-390 pode adaptar o método de lançamento às necessidades de cada missão, enquanto a estrutura de solo sustenta o ritmo de operações em uma região marcada pelas grandes distâncias e pela dificuldade de acesso às áreas afetadas.
Atuação conjunta
A Operação Amazonas também mobiliza meios do Exército Brasileiro e da Marinha do Brasil. A Marinha emprega duas embarcações e helicópteros UH-15 Super Cougar em tarefas de transporte de pessoal e cargas, busca e salvamento e apoio às demais atividades da operação.
A Aviação do Exército, por sua vez, destacou pelo menos um helicóptero HM-1A Pantera K2 para transporte e apoio operacional. A coordenação das ações cabe ao Estado-Maior Conjunto, instalado em Manaus, responsável por articular os recursos e as atividades das Forças Armadas.
Com informações do Ministério da Defesa