Israel vai desenvolver tanques para caças F-35 Adir

Caças F-35i Adir da Força Aérea Israelense (IDF/Divulgação

Israel quer ampliar ainda mais o alcance operacional do Lockheed Martin F-35 Lightning II. O Ministério da Defesa israelense e a Elbit Systems anunciaram no dia 14 de maio um contrato avaliado em US$ 34 milhões para o desenvolvimento de novos tanques de combustível para o caça furtivo de 5ª geração, tornando o país o primeiro operador do modelo a investir oficialmente em uma solução própria de extensão de alcance para o jato.

Segundo comunicado da Elbit, o trabalho será conduzido pela subsidiária Cyclone e prevê o desenvolvimento e integração de “uma capacidade de alcance estendido para a aeronave de combate F-35 Adir”. A empresa afirma que a solução será baseada em um projeto previamente desenvolvido para o F-16 e envolverá tanques externos destinados a ampliar a autonomia operacional do caça, reduzir a dependência de reabastecimento em voo e aumentar a flexibilidade em missões de longo alcance.

A nota não detalha qual será exatamente a configuração adotada. Conforme observado pelo portal The War Zone, a solução pode envolver desde tradicionais tanques subalares até tanques conformais (CFTs), semelhantes aos utilizados nos F-16I “Sufa” e F-15I “Ra’am” da Força Aérea Israelense. Embora ambas as opções tragam impactos diretos sobre a furtividade do F-35, os CFTs seriam particularmente mais complexos, já que exigem modificações estruturais relevantes na aeronave.

F-35I 'Adir' de Israel. (Foto: IAF)
F-35I ‘Adir’ de Israel. (Foto: IAF)

A necessidade operacional ficou ainda mais evidente durante os recentes confrontos com o Irã. As missões de longo alcance conduzidas pela Força Aérea Israelense colocaram os F-35 Adir próximos do limite de autonomia, aumentando a dependência da limitada frota de aviões-tanque do país.

Atualmente, Israel opera sete KC-707 Re’em, aeronaves já bastante envelhecidas. O país também aguarda a chegada dos novos Boeing KC-46 Pegasus, modelo que, apesar de moderno, acumula uma série de problemas operacionais na Força Aérea dos Estados Unidos.

A ideia de ampliar o alcance do F-35 com tanques externos não é exatamente nova. Ainda na década passada, a própria Lockheed Martin estudou versões de tanques subalares de 2.270, 1.820 e 1.740 litros para o caça, mas o programa acabou abandonado diante de dificuldades de desenvolvimento relacionadas ao arrasto aerodinâmico e assinatura radar da aeronave.

F-22 Raptor carregando tanques subalares de 600 galões (2270 litros). (USAF/Divulgação)

Enquanto isso, o também furtivo F-22 Raptor já opera com tanques externos de 2.270 litros e deve receber futuramente novos tanques stealth, considerados essenciais para operações de longa distância no Indo-Pacífico, principal cenário de conflito de grande escala das forças armadas norte-americanas. Nesse contexto, a solução israelense para o F-35 pode acabar despertando interesse também em Washington, especialmente diante da crescente preocupação com operações de grande alcance no Pacífico.

Israel foi o primeiro país a empregar o F-35 em combate real, durante ataques realizados contra alvos na Síria em 2018. Desde então, o “Adir” se consolidou como um dos principais vetores da Força Aérea Israelense, com participação constante nas operações recentes no Oriente Médio. Durante a atual operação “Roaring Lion”, o caça conquistou, inclusive, sua primeira vitória aérea contra um alvo tripulado, abatendo um treinador avançado/caça leve iraniano Yak-130.

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