Há 25 anos, o AMX chegava em Santa Maria

Várias datas marcam a história da Força Aérea Brasileira (FAB) e o dia 15 de janeiro de 1998 é mais uma delas.

Eram 16h20 quando dois AMX A-1A FAB 5534 e 5533 passaram sobre a Base Aérea de Santa Maria pilotados pelo então Tenente-Coronel Aviador Rodolfo da Silva Souza e pelo Major Aviador João Saulo Barros Cassé da Silva, respectivamente. 

O que poderia ser apenas mais uma missão operacional com aqueles que eram os mais tecnológicos caças da FAB, na verdade se tratava da chegada desses vetores ao 3º/10º GAV “Esquadrão Centauro”. A partir daquele momento, uma nova Era foi iniciada na base que possui uma posição estratégica ao sul do Brasil, e a chegada do AMX em Santa Maria confirmava um quadro de relevância na articulação das organizações militares do Exército e da FAB naquela região. Antigamente, uma das atenções em sediar no sul do país várias unidades de elite, bem equipadas e em grande número era para contrapor a Argentina, antiga hipótese de emprego do Brasil. Há muitos anos, felizmente, esse cenário e realidade se transformaram completamente.

Expandindo capacidades

Se por um lado 1º/16º GAV “Esquadrão Adelphi” fez um indispensável, fundamental e árduo trabalho de implantação, desenvolvimento e consolidação da doutrina de um vetor que trouxe várias novidades para a Aviação de Caça da FAB, em Santa Maria coube inicialmente ao 3º/10º GAV e também depois ao 1º/10º GAV “Esquadrão Poker” explorarem mais a capacidade operacional do AMX.

A contribuição do Esquadrão Adelphi na história do programa do AMX foi preponderante para a bem sucedida operação deste caça-bombardeiro, desde a implantação até o natural amadurecimento do projeto.

Enquanto em Santa Cruz, sede do “Dezesseis”, foram recebidas as aeronaves do 1º e 2º lote, em Santa Maria foram concentrados os aviões do 3º lote e todos eles guardam diferenças entre si.

O 3º/10º GAV recebeu os A-1A FAB 5531, 5533 a 5538 e A-1B FAB 5654 a FAB 5657. Na virada do novo milênio, após consolidar a operação em sua nova localidade, o Centauro voltou-se para ampliar o leque operacional do AMX.

Dentre elas, foi o emprego de armamentos na modalidade continually computed release point (CCRP), capacidade ausente nos 1º e 2º lotes. Nela, é possível lançar as bombas a maior distância do alvo e, por consequência, reduzir a exposição do avião às defesas inimigas.

Além disso, o esquadrão buscou explorar ainda mais a característica de longo alcance do AMX com o reabastecimento em voo. Até então, essas aeronaves haviam feito várias missões com etapas que tinham até aproximadamente cinco horas de duração.

Mas o voo de 22 de agosto de 2003, há 20 anos, na designada “Operação Gama-Centauro”, estabeleceu um novo recorde para a Aviação de Caça da FAB. Liderado pelo então Major Aviador João Luiz Ribeiro, Oficial de Operações do 3º/10º GAV, e tendo como ala o Capitão Aviador Ricardo Marques Kabzas, dois A-1A permaneceram 10h05 em voo, decolando e pousando de Santa Maria.

No mesmo ano, de 2 a 6 de novembro na “Operação Princesa dos Pampas”, uma esquadrilha de quatro aviões armados com duas bombas BAFG-460 cada, desativou uma pista clandestina na Serra do Caparro, na região da Cabeça do Cachorro, em plena selva Amazônica. A missão contou com a participação de quatro F-5E Tiger II do 1º Grupo de Aviação de Caça com a mesma configuração de armamento. Decolando de Manaus, as duas esquadrilhas foram apoiadas por um E-99 e um KC-130 Hercules, para controle e comando aéreo avançado, e para reabastecimento em voo, respectivamente.

Novas possibilidades

Por ser o principal caça da FAB no emprego de armamento ar-solo guiado por laser, missão que em breve será totalmente assumida pelos Saab F-39E/F Gripen, o Centauro teve um papel preponderante no desenvolvimento da doutrina e na produção dos manuais para o uso das bombas Elbit Lizard II e para os pods designadores laser Rafael Litening III recebidos a partir de 2010.

Vizinho ao Centauro está o 1º/10º GAV, uma das mais tradicionais e antigas unidades aéreas da FAB com mais de 75 anos de existência.

Criado em 1947, a partir de 1952 o esquadrão recebeu a incumbência de implantar a  missão de reconhecimento na FAB, sendo pioneiro nessa tarefa. Nos anos 1960, alterou a modalidade do reconhecimento convencional para o tático, sua marca registrada até os dias de hoje.

Com a chegada do AMX a partir de 1999, um ano após o Centauro, começou a implantar os sensores de reconhecimento que vieram integrados à aeronave.

O Esquadrão recebeu os A-1A FAB 5530, 5539 a 5544 e A-1B 5658 a 5660 e o primeiro equipamento de fotografia instalado foi o Pallet 3, colocado internamente no avião, numa baia dedicada abaixo do cockpit. O sistema é projetado para fotos verticais a média e grande altitude. Na sequência, instalou o Pallet 2, que possui uma aplicação mais tática podendo fotografar alvos a grandes distâncias.

Buscando mais alternativas para incrementar e trazer mais flexibilidade à sua missão de reconhecimento tático, outras soluções foram agregadas conforme já comentamos em matéria neste link.

O 1º/10º GAV foi o responsável por receber e integrar no AMX o pod de reconhecimento tático Rafael Reccelite e o pod designador Litening III, bem como as bombas Elbit Lizard II.

Enquanto o Poker desenvolveu os manuais e a doutrina do Reccelite, o Centauro fez o mesmo trabalho para o Litening III e as bombas.Desde janeiro de 2022, o Esquadrão Poker é comandado pelo Tenente-Coronel Marcio Rassy Teixeira. Desde dezembro de 2022, o 3º/10º GAV é comandado pelo Tenente-Coronel Aviador Felipe de Faria Scheer.

 

 

Modernização e operação conjuntas

Em 2017, os esquadrões em Santa Maria começaram a receber os AMX modernizados, especialmente após a desativação do 1º/16º GAV.

Na sua mais nova versão, o A-1AM e A-1BM recebeu o radar multimodo SPC-01 e uma ampla suíte de guerra eletrônica como o interferidor ativo, novos radar warning receiver (alerta de recepção de radar), identification friend or foe (identificação amigo/inimigo) e a integração do missile approach warning system (MAWS, sistema que está presente apenas no AMX modernizado e no F-39E Gripen). Além da cabine 100% digital, semelhante à do F-5M, é compatível com óculos de visão noturna e conta ainda com sistema de auxílio à navegação NAV-Flir. Desde outubro de 2017, a frota de caças AMX é operada em forma de pool pelos dois esquadrões, ou seja, as mesmas aeronaves atendem as duas unidades.

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Comentários

12 respostas

    1. Foram modernizadas e entregues 11 aeronaves: A-1AM 5500, 04, 06, 10, 20, 23, 25, 26 e 27 mais os A-1BM 5652 e 54. O 5525 sofreu incêndio durante teste de motor há uns 2ou 3 anos e acredito que não volte a operar. Assim, são 10 A-1M ativos. Já operacionais, pode ser qualquer número entre 0 e 10.

    1. Qual o sentido de fazer uma nova versão de um avião que comercialmente foi um fiasco, que sequer foi amplamente modernizado pelo Brasil, que está sendo aposentado pela Itália e que é subsônico? E nem vou entrar no mérito do custo e da capacidade do Brasil sozinho tocar um projeto de um novo avião de caça e que resultaria num avião mais caro e muito inferior ao Gripen E/F.

    2. Rafael,

      São categorias distintas…

      O A-1 é uma aeronave de ataque subsônica; pensado para uma outra realidade, e qualquer desenvolvimento partindo dele, de qualquer forma, iria resultar em uma aeronave diferente para atingir o desempenho de uma aeronave de caça… O F-39 é uma aeronave de caça de quarta geração; um delta com canard de estabilidade relaxada, de fly by wire pleno, capaz de ir além de mach 1.5 em configuração de defesa aérea.

      Até se poderia pensar no desenvolvimento de uma aeronave de contra insurgência ou LIFT partindo do A-1, mas isso ainda assim sairia caro e seria desnecessário diante da existência do A-29, sendo este ultimo um tipo que mereceria muito mais atenção para um programa MLU.

      Em resumo, entendo que o A-1 já seguiu o seu curso… Mais conveniente vai ser padronizar a aviação de caça com o F-39 e o A-29.

  1. Parabéns pela matéria! Tive a honra de supervisionar a segurança dos hangares F51 e F107/3 de onde eu fazia a coordenação da travessia do AMX pela Av. Brigadeiro Faria Lima na EMBRAER SJK., pelo F200 na pista Norte.

  2. Um segundo Lote de Gripen para repor os AMX é necessário !
    10 AMX é pouco d+

    O Brasil tem fronteiras com 10 países e um território enorme para patrulhar de defender, 10 AMX é pra manter doutrina , em um conflito não teria material disponível de imediato para ser defendido, o maior trunfo do Brasil é a Sorte de não ter conflitos militares na AL

  3. Visitei a base de Santa Cruz a convite do Major médico do esquadrão Amx da época, e puder ver isso em 2001 que já tinham vários aviões sendo desmontados para retirada de peças, fiquei impressionado na época por se tratar de uma aeronave “nova”.

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