O avanço da inteligência artificial está transformando rapidamente o cenário global da cibersegurança e elevando o nível das ameaças digitais enfrentadas por governos, empresas e infraestruturas críticas. Se antes ataques cibernéticos dependiam majoritariamente de atuação humana, hoje grupos criminosos já utilizam IA e automação para acelerar invasões, selecionar alvos vulneráveis e executar operações em larga escala.
Segundo relatório divulgado neste ano pela CrowdStrike, o uso de ferramentas de inteligência artificial em crimes digitais cresceu 89% em 2025. O aumento reflete a consolidação de uma nova geração de ataques automatizados de malware e ransomware, capazes de operar com velocidade e escala muito superiores às observadas nos últimos anos.
Para especialistas, o cenário exige que o Brasil acelere o desenvolvimento de um ecossistema nacional de cibersegurança, capaz de integrar inteligência, monitoramento contínuo, prevenção avançada e resposta rápida a incidentes.
“A guerra cibernética deixou de ser uma ameaça futura. Hoje ela acontece de forma silenciosa, automatizada e altamente escalável. O país precisa desenvolver capacidade própria de defesa digital, principalmente para proteger infraestruturas críticas e operações estratégicas”, afirma Fabio Brodbeck, Chief Growth Officer da OSTEC.
Segundo o executivo, a inteligência artificial já se tornou parte essencial das operações modernas de segurança ofensiva. Nesse contexto, ganham importância os testes de intrusão, conhecidos como Pentests, que simulam ataques reais para identificar vulnerabilidades antes que elas sejam exploradas por criminosos.
Na prática, a IA atua principalmente nas etapas de reconhecimento e análise da superfície de ataque, processando grandes volumes de dados em menos tempo e aumentando a precisão das avaliações. “Hoje utilizamos IA para acelerar processos de identificação e validação de vulnerabilidades. Isso permite que nossos especialistas concentrem esforços na exploração estratégica dos riscos e na construção de cenários mais próximos das ameaças reais”, explica Fabio.
De acordo com levantamento da própria OSTEC, a integração da inteligência artificial trouxe ganhos significativos de eficiência. Em alguns projetos, houve redução de até 80% no tempo necessário para identificar vulnerabilidades, além de aumento médio de 35% nos pontos exploráveis encontrados durante os testes.
Apesar do avanço da automação, especialistas destacam que o fator humano segue indispensável nas operações de segurança cibernética. “A IA potencializa o trabalho, mas não substitui análise técnica, contexto e tomada de decisão humana. Trabalhamos em um modelo AI powered, no qual especialistas validam evidências, analisam criticidade e mantêm governança sobre todo o processo”, afirma Brodbeck.
Além da proteção corporativa, o debate também envolve soberania digital e defesa nacional. Em cenários de guerra cibernética e espionagem digital, países sem capacidade própria de prevenção e resposta tornam-se mais vulneráveis a ataques capazes de comprometer infraestrutura crítica, comunicações, sistemas financeiros e operações estratégicas.
Segundo o especialista, o diferencial estará na capacidade de antecipar ameaças antes que elas causem impacto operacional ou econômico. Para isso, o Brasil precisará avançar em áreas como formação de profissionais especializados, fortalecimento da infraestrutura crítica, integração entre setor público e privado, desenvolvimento de tecnologias nacionais, monitoramento inteligente de ameaças e criação de modelos colaborativos de defesa digital.