Fragata Independência retorna ao Brasil e Marinha encerra participação na UNIFIL

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A Fragata Independência inciando o seu retorno ao Brasil (Foto: MB)

Foi realizada, em 1º de dezembro, a Cerimônia de Desincorporação e Despedida da Fragata Independência (F44) como Navio-Capitânia do Comandante da Força-Tarefa Marítima da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FTM-UNIFIL), sendo que o navio iniciou o seu regresso para o Brasil hoje, dia 2 de dezembro, com previsão de chegada ao Rio de Janeiro, em 28 de dezembro.

A Independência conclui sua participação na FTM-UNIFIL, na qual atuou por mais de sete, com os navios das Marinhas de Bangladesh, Indonésia, Alemanha, Grécia e Turquia, alcançando a marca de 110 dias de patrulha na Área Marítima de Operações (AMO) e 19.000 milhas náuticas navegadas, aproximadamente 35.000 quilômetros.

A FTM-UNIFIL é o primeiro e único componente naval de uma missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) e o Brasil foi o primeiro país não integrante da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) a comandar a Missão. Em 24 de fevereiro de 2011, o Contra-Almirante Luiz Henrique Caroli assumiu o Comando da FTM-UNIFIL e, assim, o Brasil passou a pertencer a um seleto grupo de países que liderou a Força-Tarefa, permanecendo no Comando daquela Força por quase dez anos consecutivos contribuindo, dentre outros aspectos, com o envio de navios e de aeronaves orgânicas.

Em 1º de janeiro de 2021 será realizada a passagem do comando da FTM-UNIFIL, do Contra-Almirante Sergio Renato Berna Salgueirinho para um Almirante da Marinha alemã.

O Brasil permanecerá atuando junto à FTM-UNIFIL até janeiro de 2021, mas com apenas 16 militares, sendo 3 três deles militares da MB, que permanecerão em outras funções no Estado-Maior de Comando.

Nota da Marinha

Em nove anos de atuação ininterrupta, com a participação de um navio da MB, mais de 3.600 militares puderam cooperar com o Governo do Líbano na prevenção da entrada de ilícitos, armamento e equipamentos não autorizados em seu território por via marítima, treinamento da Marinha daquele país e na vigilância das aéreas marítimas e territoriais. Nesse período, a FTM interrogou mais de 71.200 navios e indicou cerca de 14.100 desses às Autoridades libanesas para inspeção, no mar ou em terra, atuando em Área Marítima de Operações com cerca de 17 mil Km².

Ademais, a participação do Brasil no Comando da FTM-UNIFIL, nos campos político e estratégico, permitiu à Marinha do Brasil demonstrar nossas capacidades de liderança e coordenação, além de incorporar novos conhecimentos logísticos e operacionais.

O encerramento da participação de navio da MB na UNIFIL é decorrente de amplo estudo realizado pela MB, concluído em 2019, em que ganhos operacionais, à luz do esforço logístico para manter um navio da Esquadra brasileira com disponibilidade de seis meses na região, apontaram para a necessidade de reorientar a postura estratégica da Força, considerando, ainda:

  1. A Política de Defesa Nacional, a Estratégia Nacional de Defesa e o Plano Estratégico da Marinha, que contemplam o Atlântico Sul como entorno estratégico para o País, requerendo a convergência de esforços para atuação nessa imensa região, repleta de riquezas, mas com ameaças;
  2. Pesca ilegal, crimes ambientais, tráfico de drogas e pirataria, dentre outros, são uma realidade no entorno estratégico. Nesse contexto, há necessidade imperiosa de constante atualização e reorientação de planos e da postura estratégica da MB, considerando suas capacidades;
  3. A área marítima correspondente à Amazônia Azul, ensejada no Atlântico Sul, com cerca de 5,7 milhões de Km2, por onde mais de 95% de nosso comércio exterior trafega e cerca de 95% do petróleo nacional é extraído, acervo de recursos vivos, minerais e sítios ambientais, além da existência de estratégicos portos, centros industriais e de energia, que demandam, cada vez mais, uma presença robusta da Marinha do Brasil e demais órgãos competentes, além do desenvolvimento de sistemas de monitoramento e controle, contribuindo para o fomento de mentalidade de defesa junto à sociedade, compatível com a estatura internacional do Brasil.

Assim, a MB permanecerá contribuindo com a UNIFIL, com conhecimento e pessoal, e, em outra frente, manterá o foco em fortalecer sua presença no Atlântico Sul e na Amazônia Azul (patrimônio indispensável ao desenvolvimento nacional), no sentido de aprimorar sua atual capacidade operacional, garantir a segurança dos brasileiros e desenvolver seus Programas Estratégicos.

Fonte: Centro de Comunicação Social da Marinha

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