Farnborough: BAE Systems aposta no GCAP, drones e novas tecnologias para liderar a transformação da aviação militar

BAE/Divulgação

A BAE Systems aproveitou o Farnborough International Airshow 2026 para apresentar uma ampla série de programas voltados à próxima geração do poder aéreo britânico, reforçando investimentos em aeronaves tripuladas e não tripuladas, treinamento, sensores, armamentos e tecnologias de apoio. Os anúncios demonstram a estratégia da empresa para consolidar o Reino Unido como uma das principais potências no desenvolvimento de sistemas de combate de sexta geração.

Um dos grandes destaques foi a apresentação do Brontanax, primeiro avião britânico de combate colaborativo não tripulado (Collaborative Combat Aircraft – CCA). Desenvolvido pela equipe FalconWorks, o modelo foi concebido para operar ao lado de caças como o Eurofighter Typhoon, executando missões de guerra eletrônica e ataque de precisão contra alvos aéreos e terrestres. Com dimensões semelhantes às do Hawk, o Brontanax possui arquitetura aberta, deverá realizar seu primeiro voo em 2027 e integra o programa Storm Fighter, financiado pelo governo britânico com £300 milhões.

A empresa também revelou o Project Intuity, demonstrador de uma nova geração de capacetes para pilotos de caça. O sistema foi desenvolvido para aeronaves de sexta geração e amplia significativamente a consciência situacional do piloto, filtrando e priorizando informações do campo de batalha diretamente no visor do capacete. Entre as capacidades previstas estão o gerenciamento de enxames de drones, rastreamento ocular (eye tracking), visualização ampliada e integração com futuras arquiteturas digitais de missão.

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Outro anúncio importante foi a formalização da parceria entre BAE Systems, Boeing e Saab para oferecer à Royal Air Force (RAF) um novo sistema de treinamento baseado no Boeing T-7 Red Hawk. A proposta prevê a criação de uma linha de montagem final no Reino Unido, fortalecendo a indústria local e oferecendo uma solução integrada de aeronaves e simuladores para formar pilotos destinados ao Typhoon, F-35 e ao futuro caça do programa GCAP.

No campo dos armamentos, a companhia apresentou uma nova família de ogivas modulares para drones e mísseis, desenvolvidas para ampliar a flexibilidade operacional diante das lições aprendidas em conflitos recentes. Os novos sistemas podem ser configurados para diferentes efeitos contra alvos blindados, fortificados ou leves, permitindo rápida adaptação conforme o perfil da missão.

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A BAE Systems também anunciou um acordo de licenciamento com um parceiro estratégico da Ucrânia para fabricar localmente o tradicional obuseiro rebocado L119 Light Gun, ampliando a capacidade industrial ucraniana e reduzindo a dependência de fornecimentos externos para sistemas de artilharia.

Na área de tecnologias sustentáveis, a empresa realizou demonstrações de seu novo sistema avançado de baterias elétricas durante Farnborough. A solução foi empregada em voos de demonstração e faz parte dos investimentos em sistemas de armazenamento de energia para futuras aeronaves híbridas e totalmente elétricas.

Paralelamente aos anúncios de novos produtos, o governo britânico confirmou um investimento adicional de £708 milhões em tecnologias relacionadas ao futuro sistema de combate aéreo do país. Os recursos serão destinados ao desenvolvimento de sensores, inteligência artificial, integração homem-máquina, autonomia, sistemas de missão e outras capacidades críticas que compõem o programa Global Combat Air Programme (GCAP).

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Os parceiros industriais do Team Tempest — BAE Systems, Leonardo UK, Rolls-Royce e MBDA UK — também anunciaram avanços em diversas tecnologias que serão incorporadas ao futuro caça de sexta geração. Entre elas estão novos sistemas de propulsão, arquitetura digital, sensores, guerra eletrônica, armamentos e conceitos avançados de integração entre aeronaves tripuladas e plataformas autônomas, acelerando o cronograma de maturação tecnológica do programa.

Reforçando o caráter internacional do GCAP, o governo britânico anunciou ainda que o Canadá tornou-se o primeiro país observador oficial do programa. A participação permitirá acompanhar o desenvolvimento do futuro caça de sexta geração e avaliar oportunidades de cooperação industrial e tecnológica com Reino Unido, Itália e Japão, sem integrar formalmente o consórcio neste momento. A decisão amplia o interesse internacional em torno daquele que é considerado um dos principais programas aeronáuticos militares em desenvolvimento no Ocidente.

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