FAB e o Airbus A330 MRTT – entenda

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Na a sua tradicional live semanal no canal do Youtube, o presidente República Jair Bolsonaro afirmou que a Força Aérea Brasileira (FAB) receberá duas aeronaves da Airbus. O presidente, num possível equívoco, mencionou que o modelo a ser recebido é o “A230”, cuja denominação não é utilizada para nenhum modelo de aeronave da Airbus. Entretanto, é conhecida a necessidade de um novo tipo para repor a desativação dos quatro Boeing KC-137E, ocorrida em 10 de outubro de 2013.

Lotados no 2º/2º Grupo de Transporte (2º/2º GT) “Esquadrão Corsário”, na Ala 11 (Galeão – RJ), os KC-137E cumpriam as missões de transporte presidencial de longo curso; transporte estratégico de pessoal, de cargas e de tropas; e reabastecimento em voo (REVO).

Em 9 de maio de 2012, a FAB lançou o programa KC-X2 que buscou analisar as ofertas para dois aviões de transporte e de reabastecimento em voo de longo alcance. As possibilidades apresentadas foram o Airbus A330 MRTT; a Boeing com o KC-767A, com a conversão do Boeing 767-200ER para essa função, sendo essa solução tendo sido adotada pelo Japão e pela Itália; e, por fim, a israelense IAI com um programa semelhante ao da Boeing, convertendo exemplares disponíveis no mercado e em boas condições para serem transformados em cargueiros e reabastecedores.

A IAI foi a escolhida pela Colômbia para transformar um Boeing 767-200ER civil para a missão militar, O exemplar recebeu, dentre outras modificações, porta lateral para embarque de grandes volumes, piso reforçado para suportar maior peso das cargas e pods de reabastecimento em voo.

Em 14 de março de 2013 a FAB anunciou a IAI como vencedora do processo. O contrato incluiria três aviões, sendo um convertido em Israel e dois no Brasil, pela TAP ME. A Akaer seria envolvida na parte de engenharia e a Gespi receberia conhecimentos para manutenção nos motores dos caças A-4 Skyhawk da Marinha do Brasil. A Friuli, por sua vez, receberia conhecimentos para projetar ferramentais para serem usados nas mudanças de configuração do avião, por exemplo, de carga para passageiro.

O contrato, porém, não continuou e foi encerrado em dezembro de 2016.

Como medida temporária, a FAB arrendou um Boeing 767-300ER (designado C-767 com a matrícula FAB 2900, c/n 26470), da empresa GFG Global Flying Group, por um período de três anos.

A aeronave chegou em 10 de julho de 2016 e o contrato posteriormente não foi renovado, sendo a aeronave devolvida ao operador.

Na semana passada a FAB divulgou informações esclarecendo o cancelamento, em agosto de 2020, da nova licitação para o arrendamento de um Boeing 767-300ER.

Não se sabe ao certo o estágio das negociações para a compra dos dois exemplares do A330 para a FAB. Nem um cronograma e a origem dessas aeronaves.

A Airbus já possui 61 exemplares encomendados do A330 MRTT, com 41 desses já entregues para a Arábia Saudita, Austrália, Cingapura, Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos, França, OTAN e Reino Unido.

A aeronave pode transportar até 45 toneladas de carga, até 130 macas; ou ter uma configuração mista levando 40 macas, 20 pessoas de equipe médica, equipamentos de suporte à vida e 100 passageiros. Ou 300 passageiros. Para missões de reabastecimento em voo, até 111 toneladas de combustível. Apenas como base de comparação, cada F-5EM pode levar, considerando os tanques internos e externos, um total de 4,5 toneladas de combustível. O AMX pode levar até 3.622 kg de combustível utilizando os tanques subalares menores.

4 Comentários

  1. Um belo equipamento. A FAB ficará bem equipada no quesito transporte com os dois exemplares. Mas, quase como sempre, antes tarde do que nunca. Uma pena e bola pra frente.

    • Não comemore antes do tempo, o ovo ainda esta dentro da galinha e se bobear não sai dali tão cedo, se formos levar em consideração a entrevista que ele deu no Sábado, totalmente diferente do que ele disse na live de quinta-feira

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