F-39 Gripen realiza os primeiros ensaios de reconhecimento tático

A Força Aérea Brasileira (FAB), a Embraer e a Saab realizaram os primeiros voos de testes do F-39E Gripen com os pods Litening G5 e Reccelite XR, equipamentos destinados à designação de armamentos de precisão e ao reconhecimento tático. As atividades ocorreram entre 6 e 8 de outubro, na Base Aérea de Anápolis (GO), e fazem parte do processo de integração dos sensores à aeronave.

Em nota divulgada nesta quarta-feira (28), a FAB informou que os ensaios integram os Testes de Aceitação em Solo e em Voo (SAT, na sigla em inglês). A etapa incluiu avaliações dos equipamentos embarcados, recebimento e verificação das estações de solo, além de testes de conectividade e integração entre os sistemas.

 Sgt Marcos/FAB/Divulgação
Sgt Marcos/FAB/Divulgação

A campanha reuniu militares da FAB e representantes da Embraer, da Saab e da israelense Rafael, fabricante dos equipamentos. Os voos foram realizados com o Gripen de matrícula FAB 4100, utilizado pela Saab e pela Embraer no desenvolvimento e na campanha de ensaios do caça, em coordenação com o Centro de Ensaios em Voo do Gripen (GFTC) e o Centro de Projetos e Desenvolvimento do Gripen (GDDN).

O Litening G5 reúne sensores eletro-ópticos e infravermelhos, câmeras de alta resolução e recursos de rastreamento que permitem identificar e acompanhar alvos a distância, inclusive em condições de baixa luminosidade. Uma de suas principais funções é a designação de alvos por laser, que permite orientar armamentos compatíveis com essa tecnologia, como as bombas Lizard, Paveway e L-JDAM.

O Reccelite XR, por sua vez, é voltado ao reconhecimento tático. Seus sensores eletro-ópticos e infravermelhos permitem obter imagens durante o dia e à noite, cobrindo áreas extensas e registrando detalhes do terreno e de pontos de interesse. O sistema também oferece recursos de transmissão de dados e imagens para estações em solo, reduzindo o intervalo entre a coleta de informações e sua análise.

FAB e Saab testaram o lançamento da bomba guiada LIZARD III. Foto: Sgt. Thais Frutuoso/FAB/Divulgação.
FAB e Saab testaram o lançamento da bomba guiada LIZARD III durante a Operação Thor, em Natal. Foto: Sgt. Thais Frutuoso/FAB/Divulgação.

“Em uma missão de reconhecimento, não é apenas o voo que será o principal fator do cumprimento da missão. Existe, também, um planejamento realizado pelos nossos operadores da estação de solo e, após o voo, ainda são realizadas análises das imagens obtidas para que a FAB consiga a informação estratégica que necessite”, explicou o tenente engenheiro Nickolas Batista Mendonça Machado, responsável pela equipe técnica da FAB envolvida nos testes.

O militar destacou ainda a capacidade de transmissão de dados como um dos diferenciais dos novos equipamentos. “A capacidade de datalink permite ao operador acompanhar em tempo real, ao longo do voo, o cumprimento da missão; e o recebimento de imagens também em tempo real, permitindo uma análise de toda a inteligência que está sendo coletada pela aeronave”, acrescentou.

Sargento Marcos/FAB

Segundo a FAB, os ensaios em Anápolis representam uma etapa importante na integração dos sensores ao Gripen. A avaliação dos equipamentos, das estações de solo e dos procedimentos operacionais prepara o caminho para a evolução dessas capacidades, com novos avanços previstos ao longo de 2027.

Substituindo o AMX

Com os testes, o F-39 fica ainda mais próximo de substituir os caças-bombardeiros A-1M AMX, devendo assumir todas as funções desempenhadas pelo tipo. As poucas unidades restantes (cerca de seis) do jato ítalo-brasileiro estão concentradas no Esquadrão Poker (1º/10º GAV), na Base Aérea de Santa Maria (RS), que já utiliza o Litening e o Reccelite, mas em versões de geração anterior aos modelos que serão usados pelo Gripen.

Os ensaios com os pods Litening G5 e Reccelite XR representam um importante passo nessa direção, pois permitem verificar não apenas o funcionamento dos sensores embarcados, mas também sua integração com a aeronave e as estações de solo.

Foto: João Paulo Moralez

A capacidade de transmitir imagens e dados durante o voo é especialmente relevante para essa transição. Ela permite que as informações coletadas cheguem às equipes em solo com maior rapidez, apoiando a análise e o planejamento operacional.

A conclusão das avaliações e a evolução prevista para 2027 deverão contribuir para aproximar o F-39 da assunção efetiva dessas missões, embora a entrada em serviço operacional da capacidade dependa das etapas seguintes de integração e validação. Os Gripens deverão iniciar a operação na BASM a partir de 2029, já plenamente capazes de desempenhar as missões antes realizadas pelos A-1.

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