Exército recebe oficialmente suas lanchas RAPTOR

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Em 12 de agosto, no Porto do Centro de Embarcações do Comando Militar da Amazônia (CECMA), uma das mais importantes unidades do Exército Brasileiro (EB) no teatro de operação da Amazônia, ocorreu a cerimônia de recebimento oficial e incorporação aos meios fluviais da Força das duas lanchas DGS RAPTOR, de casco n° 073 e 074 e renomeadas como “Hermes” e “Heli”, que já estavam na unidade, mas que oficialmente pertenciam a Marinha do Brasil (MB).

As duas lanchas, fabricadas pelo estaleiro DGS Defense, do Rio de Janeiro (RJ), são do modelo DGS 888 RAPTOR MK2, e que teve sua denominação alterada para DGS 999 RAPTOR, após sua incorporação.

As lanchas foram adquiridas pela MB com recursos do Ministério da Defesa, para quatro unidades, no termo de contrato de compra N° 01/2018, do Centro de Intendência da Marinha em Manaus (CeIMMa), de 05 de novembro de 2018. Foram recebidas em dezembro de 2019, sendo duas destinadas para cada Força. As embarcações ficaram a cargo do Comando da Flotilha do Amazonas (ComFlotAM), responsável por sua aceitação e testes, e agora foram transferidas em caráter definitivo para o EB.

O comandante da 2ª Divisão de Exército (2ª DE), general de divisão Edson Diehl Ripoli, o comandante da 12ª Região Militar (12ª RM), general de divisão Edson Skora Rosty, o comandante da Flotilha do Amazonas, capitão de mar e guerra Carlos Eduardo Lopes da Cruz, e o comandante do CECMA, tenente-coronel Anderson Siqueira da Silva, acompanharam a chegada das lanchas (Fotos: 2º sgt Rafael Santos/ CECMA)

A RAPTOR 999 é uma embarcação blindada, de alto desempenho, com grande mobilidade tática e suporte de fogo em ambientes ribeirinhos e litorâneos, com tecnologia exclusiva e patenteada da DGS conhecida como Embarcação Tubular Rígida Híbrida (ETRH®). São construídas de forma híbrida utilizando polietileno de alta densidade (PEAD) e polietileno de ultra alto peso molecular (PEUAPM), e possuem capacidade de retardo de chama, grande reserva de flutuabilidade (por seu casco ter densidade menor que a água) e elevada capacidade de absorção de choques, o que a diferencia das embarcações feitas em fibra de vidro e alumínio.

A embarcação está equipada com dois motores diesel de centro N67-450 BE, fabricados pela Fiat Powertrain Technologies (FPT), similar as que equipam as VBTP-MSR 6×6 Guarani, porém em versão marítima, sendo que cada um, com 450 HP de potência, esta acoplado a um hidrojato AJ 285, da empresa finlandesa Alamarin Jet, por meio de uma caixa reversora, garantindo uma velocidade máxima de 42 nós.

Esquema do sistema de propulsão das Raptor com hidrojatos (Imagem: DGS Defense)

As embarcações são dotadas de eletrônica avançada, composta de tela multifunção sensível ao toque, com informações de navegação (carta eletrônica), profundidade (sonda) e radar, tendo ainda integrada uma câmera termal FLIR, o que proporciona elevado nível de consciência situacional mesmo em situações de baixa visibilidade ou em período noturno.

Possuem proteção balística padrão STANAG 4569 nível 1 (ou NIJ III, pelo National Institute of Justice) e podem receber diversos armamentos, como metralhadoras 7,62×51 mm (que é o caso da versão adquirida pela MB e EB), metralhadoras .50’ (12,7×99 mm), lança granadas de 40 mm, ou ainda ser equipadas com um sistema de armas remotamente controlada (SARC), como o REMAX, já adotado pelo EB, ou o CORCED, o “REMAX Naval”, que já foi testado pela MB. Estes garantem uma maior capacidade de identificação e neutralização de alvos, devido a seus sensores, com menor gasto de munição e, consequentemente, menor efeito colateral. O Comando Militar da Amazônia (CMA) já demonstrou interesse em equipar suas RAPTOR com o SARC REMAX.

A plataforma é ideal para cumprir missões de patrulha, interceptação, ação presencial e apoio logístico, sendo perfeitamente adequada ao emprego na Amazônia, e poderá ser melhorada diante de requisições caso apresentadas pelas Forças. Por fim, é importante lembrar que as RAPTOR compõem uma família de embarcações, começando a partir de 6,5 m e chegando a 12,5 m.

A MB possui quatro dessas embarcações: duas operadas pelo Comando da Flotilha do Amazonas, no 9º Distrito Naval (DN), de Manaus (AM), e duas pelo Grupamento de Patrulha Naval do Leste, do 6º DN, de Salvador (BA), sendo que são idênticas às quatro embarcações em Manaus, exceto pelo tipo de propulsão que, no caso de Salvador, é com dois motores diesel de centro de 350 HP e rabetas, no lugar dos hidrojatos.

Com a entrada em serviço oficial no EB, espera-se que novas unidades sejam adquiridas.

A partir do momento da sua incorporação, as Raptor passaram a ser vistas nas operações do EB (Fotos: 2º sgt Rafael Santos / CECMA)

Características técnicas

  • Comprimento: 10,5 metros;
  • Boca: 3,3 metros;
  • Deadrise: 17°;
  • Velocidade máxima: 42 nós (78 km/h);
  • Potência total: 900 HP;
  • Tripulação: Piloto, copiloto mais 13 militares equipados;
  • Capacidade de carga: 2 toneladas.

 

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9 Comentários

  1. Bom de mais ter um produto nacional desse naipe para as Forças Armadas. Há alguns anos a Colômbia seria o nosso principal fornecedor desse tipo de equipamento. Ainda bem que uma opção nacional deu as caras.

  2. Espero ver em um futuro medo que a DDG cresça e seja ela a responsável por reequipar a fortilha da amazona dom meios capazes de patrulha de médio e grande porte. Porque não desenvolver um projeto de Navio fluvial Médio ser usado como “Nave mãe” pelas raptor, com lançamento e acoplamento traseiro, assim provendo ação rápida, comando e controle em posição segura e com o teto que permita o lançamento e recolhimento de drones. Do Jeito que aqui no BR é esses itens que disse vão ser o feijão com arroz de baratos no dia que forem modernizar o CMA

  3. Aí sim ein…
    Espero que sejam compradas em grande quantidade pro EB patrulhar os rios da Amazônia com mais efetividade e segurança.
    Parabéns Bastos pela notícia!

  4. Acho que deveria haver uma compra conjunta do MD para MB/EB das lanchas DGS 888 Raptor.
    Continuar o co desenvolvimento do projeto “Patrulheiro” da Amazônia em conjunto com a Colômbia e buscar um semi rígido de alta velocidade.
    Além de sistemas de armas como LAG-40 mm, Remax, M-134 mini Gun etc.
    Aposentar de vez a “salada” de embarcações que hoje compõem as flotilhas do Amazônia e Pantanal no EB e MB.

  5. Muito boa notícia! Que venham mais patrulheiras fluviais de todos os portes necessários. Tanto para a MB qto para o EB e PF.

  6. Um excelente dia de 7 de Setembro a todos os “irmãos em armas” e demais camaradas!

    Parabéns ao EB e MB pela cooperação e entendimento. Esperemos mais unidades para defesa deste contestado solo pátrio!

    NOTA:
    Bastos Jr, mais uma vez felicitações por sua sagacidade em nos compartilhar em primeiríssima mão informações relevantes. Por isso que a Tecnodefesa é o que é: a Maior e a mais Antiga e prestigiada revista do seguimento de defesa de nosso país!

    CM

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