Exército Brasileiro dá a largada para o 8X8

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No último Boletim do Exército de 2020, o BE Nº 53/2020, saiu a Portaria EME/C Ex nº 275, de 11 de dezembro último, que aprova a diretriz de iniciação do projeto de obtenção da viatura blindada de combate de Cavalaria (VBC-Cav), e cria a equipe para a realização dos estudos de viabilidade e elaboração da proposta do modelo a ser seguido.

Os planos abrangem 221 veículos, preferencialmente até 2026, além do planejamento e implantação de suporte logístico integrado (SLI) durante esse período, semelhante àqueles apresentados para as modernizações do Cascavel e do Leopard.

O Exército Brasileiro (EB) busca como objetivo mais poder de fogo e capacidade de combate anticarro, aos regimentos e esquadrões de Cavalaria mecanizados, principalmente no âmbito das Brigadas Guarani, complementando e depois substituindo, as VBR EE-9 Cascavel, as quais devem ganhar um tempo adicional de serviço de mais 15 anos.

As principais características apresentadas nos requisitos operacionais são:

  • Sistema de tração 8X8;
  • Armamento principal (canhão) de calibre mínimo de 105 mm;
  • Dotação de sistema de comando e controle (C2) interoperável com o sistema da Força Terrestre e com as versões adotadas nas viaturas de família de blindados Guarani; e
  • Comunalidade entre os diversos subsistemas com o projeto de modernização da VBR EE-9 Cascavel;

A publicação dessas diversas diretrizes de iniciação do projeto demostra a continuidade do EB em relação ao trabalho feito pelo GT Nova Couraça, recentemente transformado em Subprograma Forças Blindadas (SPrg FBld), integrante do Programa Estratégico do Exército (Prg EE) Obtenção da Capacidade Operacional Plena (OCOP). É aguardado para breve que sejam divulgados as diretrizes para as futuras viatura blindada de combate carro de combate (VBC CC) (*) e viatura blindada de combate de fuzileiros (VBC Fuz), cujos ROB e RTLI foram apresentados em fevereiro/março de 2020, pelo Estado-Maior.

 

(*) ERRATA: No texto original de T&D, publicado no dia 30/12, estava escrito que aguardava-se a publicação para as próximas semanas dos documentos da VBC CC corrente, mas essa já havia sido publicada e divulgada em nosso site, como nos alertou  o leitor FCarvalho. O correto, e que se aguarda, é a diretriz de iniciação do projeto da futura VBC CC, que irá substituir os Leopard.
Pedimos desculpas a nossos leitores por esse erro, agradecemos a FCarvalho pelo aviso e solicitamos a todos aqueles os que utilizaram nosso texto como base para divulgarem seus sites, blogs e canais de youtube que façam a devida correção. 

PRBJ

26 Comentários

  1. Bacana ver o projeto Nova Couraça andando. Fica claro que o EB sabe o que quer, tem essa visão de futuro e vai buscar material moderno e que se adeque às nossas necessidades operacionais. Espero que a dotação orçamentária acompanhe o projeto.

    • Esse é o problema, o EB para conseguir comprar os guarani que são 6×6 quase pelados e muito mais simples esta tendo que entrar em trabalho de parto todo ano, imagina esse 8×8 que é muito mais caro. Detalhe, os outros membros da família guarani até agora não saíram do papel justamente por falta de orçamento

    • Xará, o próprio Paulo Bastos já disse em um comentário anterior a essa matéria que a Iveco Itália (matriz) vetou essa possibilidade

      • Ela vetou um Centuro I “made in Brazil” totalmente atualizado. Isso é diferente de, por exemplo, o EB adquirir o mesmo veículo dos estoques italianos e modernizá-los na própria Iveco.

        • A IVECO não vetou devido a uma possível concorrência com o Centauro II. Vetou devido ao número reduzido de viaturas que seriam adquiridas pelo EB. Se o custo de adaptação da planta atual for alto, não teria lógica adicioná-lo na fábrica nacional com um pedido baixo.
          A empresa já aprendeu que aqui nada é garantido. Vide o próprio Guarani, onde a quantidade planejada foi reduzida quase a metade do contrato original. Importante lembrar que com a redução de veículos tivemos um belo prejuízo contratual.

          • Com condenação pelo TCU dos 3 generais que assinaram o contrato , prejuízo para União de aproximadamente R$ 200 Milhões.

  2. Bela notícia para o início de 2021 ! Mas Paulo, nessa portaria do EB, caberia a possibilidade do desenvolvimento do Guarani 8×8 ou apenas comtempla aquisição de equipamento já em produção ? O Centauro II seria o mais provável, já que a IVECO tem interesses comerciais no Brasil ? Quais seriam os |”concorrentes” nessa compra ? Stryker, Centauro 2, Rooikat, Pandur 2, Boxter, Nexter Vextra com canhão de 120mm ? Norinco nem pensar né ?

    • É possível sim o desenvolvimento de um Guarani 8×8, porém, pense só um pouquinho. Imagine quantos anos se levaria para o desenvolvimento deste carro. Pelo o que li por ai, levaria mais de 10 anos e olhe lá. Temos que contar também que temos problemas orçamentários e com certeza haveria fortes mudanças no decorrer do projeto. Se você deseja um Guarani 8×8, sim, ele já existe e se chama SuperAV. Ele é o que mais se parece com o Guarani. É possível o Exército Brasileiro optar por ele e colocar uma torre de 105mm ou 120mm (lembrando que na divulgação do Exército Brasileiro consta o ”MÍNIMO”), sim, é possível, como também é possível o Exército Brasileiro comprar o Cantauro II 120mm tendo em vista que este blindado apareceu em um breve vídeo mostrado pelo próprio comandante do Exército Brasileiro durante uma palestra sobre o projeto. Além disso, nesse breve vídeo, apareceu também um Leopard 2A4 ou 2A5 (eu não consegui ver qual versão realmente era). Então podemos dizer que o Exército Brasileiro muito em breve estará equipado ou com o SuperAV com torre de 105mm ou 120mm ou Centauro II (acredito que será o Centauro II) e uma das duas versões do Leopard.

  3. “É aguardado para breve que sejam divulgados o da viatura blindada de combate carro de combate corrente (VBC CC corrente)”

    Não seria o EV/PMO da VBC CC?
    Estes mesmos docs para os Leo 1A5 já foram emitidos recentemente. Ou estou enganado?

  4. Ainda não é a hora.
    O momento é de investir pesado em um sistema de defesa antiaérea de médio alcance, para depois investir nos blindados.
    Primeiro temos que garantir a defesa de todo o nosso espaço aéreo territorial que é gigantesco, aí depois sim investiremos em mais blindados.
    Uma coisa de cada vez, a prioridade é o sistema de defesa antiaérea.
    Mas se for teimar e adquirir logo um Centauro, seria melhor nem perder tempo modernizando os Cascavéis, pois os Centauros seriam os substitutos desses blindados antigos.
    Será um desperdício de recursos modernizar blindados muito antigos e já ultrapassados como o Cascavel.
    É melhor adquirir logo 400 Centauro, pra substituir de vez os Cascavel, mas só depois de adquirir um bom sistema de defesa antiaérea, pelo qual isso é prioridade no momento.

    • O Problema e que 400 Centauros não são baratos, A modernização do Cascavel seria praticamente uma solução tampão ate ter pressuposto para serem substituídos por outro blindado.
      Se não me engano cada Centauro II custa 7,5 milhões, A Italia ofereceu em 2019 200 Centauros I aonde cada um sairia por 300mil é acredito que o EB vai optar por adquiri-los e modernizar juntamente com os Cascavel. (A Itália atualmente tem em media 250 Centauros B1)
      Aonde a soma ficaria 400 Blindados de reconhecimento ficando praticamente com o mesmo numero atual de Cascavel.

      • Por isso mesmo, justamente por não serem baratos, agora não seria o momento ideal para fazer aquisição destes blindados.
        No momento a prioridade é investir bem em um sistema de defesa antiaéreo de médio alcance, pois garantir a defesa do nosso espaço aéreo territorial é essencial para podermos investir nos blindados e em modernizações. Se não dominarmos o nosso espaço aéreo em termos de defesa e proteção, por mais que tenhamos ótimos blindados antigos-modernizados e blindados novos, ficaremos vulneráveis em solo, pois até mesmo um drone de ataque invasor, que venha voando a 2000 pés (610 metros), seria capaz de destruir os nossos tanques blindados de combate, assim como aconteceu com a Armênia que teve seus blindados de combate destruídos por drones de ataque invasores do Azerbaijão.
        Só concluindo, temos que garantir a nossa defesa antiaérea, caso contrário ficaremos vulneráveis.

  5. Boa tarde a todos!!!
    Creio que iremos de Centauro 2 que serão enviados em kits CKD para a planta da Iveco se Sete Lagoas,quanto ao carro de combate,iremos nos manter com os alemães adquirindo as versões mais novas do Leopard,no vídeo do próprio EB aparecem o Centauro 2 e uma versão mais moderna do Leopard.
    Ficamos no aguardo dos próximos capítulos.

    • Sim, o projeto inicial era de 2.044 viaturas, de diferentes versões, a serem produzidas na fabrica da Iveco, em Sete Lagoas, mas foi readequado para 1.580.
      Você encontrará várias matérias sobre isso pesquisando no site.

  6. Precisou um oficial (coronel) ARGENTINO esnobar o GUARANI 6X6 para nosso exército abrir os olhos.
    O oficial argentino disse que ao exército argentino só interessava 8X8 na cara do Robson Farinazo do canal ARTE DA GUERRA.
    Que vergonha!

    • O Coronel Veron não esnobou o Guarani, aliás quem entrevistou ele fui eu, ele simplesmente disse que os requisitos iniciais do Programa VCBR eram para uma viatura 8×8.
      Na verdade, conversando com o Veron, e outros oficiais do Exército Argentino, me foi dito que eles tem muito interesse no Guarani, pois já estão revendo o VCBR e buscando soluções hibridas com viaturas 4×4, 6×6 e 8×8.
      Pelo que pude entender, a primeira opção deles ainda é o Stryker, porem, devido ao custo (que impactaria no numero de unidades adquiridas) o Guarani esta sendo visto como a melhor alternativa.

  7. Paulo , como parte do Projeto Guarani , foi noticiado que o EB l adquiriu 30 caminhões Hemtt 8×8 para apoiar os VBTP-MR 6×6 Guarani . Isso foi confirmado ? Obrigado

    • Foi confirmado em boletim do Exército, como publicado aqui em T&D (procure as matérias na lupa de busca), mas desconheço o seu atual estágio.
      lembrem-se, os M109 chegaram muitos anos depois de serem anunciados.

  8. Obrigado à Tecnodefesa e a todos que estão postando seus comentários… estaremos atentos a eles… aproveito a oportunidade para aclarar que a Consulta Pública está aberta a participação também de pessoas físicas… a nossa intenção é colher as opiniões da sociedade e das empresas para viabilizar a MELHOR AQUISIÇÃO POSSÍVEL, dentro da disponibilidade orçamentária … as prioridades estão sendo definidas pelo nosso EME, juntamente com nooso Ministério da Defesa. Um forte abraço a todos!!! Gen Ribeiro, Diretor de Material do EB.

    • Obrigado pela mensagem General Ribeiro.
      Ficamos felizes em poder divulgar os programas do Exército Brasileiro e de estimular o debate na sociedade.

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