Exército Brasileiro avalia drones nacionais visando ampliar suas capacidades operacionais

Entre os dias 22 de junho e 3 de julho de 2026, o Exército Brasileiro (EB) realizou uma campanha de pré-qualificação de sistemas de drones. A atividade, coordenada pela Diretoria de Fabricação (DF) e apoiada pelo Centro de Avaliações do Exército (CAEx), reúne empresas integrantes da Base Industrial de Defesa (BID) e tem como objetivo ampliar o conhecimento da Força Terrestre sobre a capacidade dos drones disponíveis, para que sejam testados antes de eventuais aquisições. Durante o processo, foram avaliados segurança, capacidade e desempenho dos sistemas.

A atividade dá continuidade às discussões realizadas durante o Simpósio sobre Emprego Militar de Sistemas Não Tripulados da Força Terrestre (SSNTFT 2026), ocorrido em Brasília (DF), em junho deste ano. Na ocasião, foram realizados demonstrações, exposições e debates sobre o emprego desses meios.

Entre os sistemas testados e avaliados na pré-qualificação, estão os Drones Lançadores de Munição (DLM), capazes de transportar e liberar cargas sobre alvos, e o Sistema de Munições Remotamente Pilotadas (SMRP), que engloba o “Kamikaze” e o “Loitering”, nos quais o próprio drone é empregado contra o alvo e é destruído no momento do impacto.



Pré-qualificação combina incentivo à Base Industrial de Defesa e avaliações criteriosas

Ao estimular o desenvolvimento, pela Base Industrial de Defesa, de tecnologias voltadas às necessidades operacionais da Força, a demonstração de pré-qualificação evidencia a aproximação entre o EB e o setor produtivo nacional. Inicialmente, empresas integrantes da BID submeteram 84 sistemas de drones ao processo, os quais passaram por diferentes etapas avaliativas. Ao todo, de 32 sistemas habilitados para a fase de testes práticos, sete foram qualificados até o dia 30 de junho. Esse quantitativo poderá ser atualizado ao término das avaliações, no dia 3 de julho.

O processo de pré-qualificação possui três etapas: na primeira, são testados a segurança, o controle e a estabilidade dos sistemas em voos curtos; na segunda etapa, é avaliada a capacidade de cada drone de executar a sua respectiva funcionalidade, por meio do engajamento de alvos com munições inertes; na terceira fase, é realizada a demonstração do efeito terminal, com o emprego de munições reais para avaliar o desempenho dos sistemas.

 O rigor do processo seletivo demonstra que, para o EB, a capacidade de cumprir determinada função é apenas um dos critérios considerados. Antes de eventuais aquisições, os drones precisam demonstrar condições de emprego controlado e seguro, em qualquer situação de emprego.

No dia 30 de junho, foram realizados testes relativos à terceira etapa. Por questões de segurança, a demonstração foi realizada a uma distância de cerca de 1.500 metros da base de concentração das equipes e transmitida ao vivo por imagens. Na etapa, foi registrada a interrupção do enlace de comunicação e controle de um dos sistemas nas proximidades do alvo. Essa constatação integra o processo técnico de pré-qualificação, servindo para identificar limitações e aperfeiçoar parâmetros.

Na ocasião, esteve presente o general de brigada Carlos Alexandre Bastos de Vasconcellos, chefe da DF. O general destacou a importância da demonstração de pré-qualificação para a modernização da Força Terrestre: “Temos que estar sempre preparados e, nesse preparo, temos que identificar quais são as evoluções da arte da guerra. (…) É por isso que o Exército está mantendo a vanguarda em ciência e tecnologia, precisamos avançar nessa temática”.


CAEx apoia pré-qualificação com estrutura segura e especializada

O CAEx, localizado na Restinga da Marambaia desde 1944, destina-se a apoiar o EB, a BID e outras Forças Armadas em testes e avaliações de materiais de emprego militar. Ao disponibilizar a estrutura necessária para a realização da pré-qualificação, o Centro possibilita que os drones sejam testados em condições controladas, seguras e representativas de emprego. 

​​​​​O chefe do CAEx, general de brigada João Paulo Zago, destacou a importância do apoio prestado: “essa atividade de hoje, por englobar produtos que não têm uma maturidade tecnológica elevada, precisa de uma área protegida, que não ofereça riscos à população ao entorno”.


Da discussão doutrinária à avaliação técnica dos sistemas

A pré-qualificação dá continuidade às discussões realizadas no SSNTFT 2026 e transforma o debate sobre o emprego militar de drones em avaliações técnicas dos sistemas disponíveis. A iniciativa contribui para o desenvolvimento das capacidades previstas no Projeto Força 40, que busca preparar uma Força Terrestre cada vez mais moderna, integrada, adaptável e apta a responder às transformações tecnológicas, geopolíticas e operacionais do futuro.

A partir dos resultados obtidos no processo de pré-qualificação, a intenção do Exército é firmar parcerias com empresas da BID cujas soluções sejam qualificadas, com o objetivo de aperfeiçoá-las, submetê-las a novos testes e, após aprovação, eventualmente adquiri-las.

General Vasconcellos – Chefe da Diretoria de Fabricação


Texto: 1º Ten Barbiero / CCOMSEx
Foto: Capitão Edvaldo / CCOMSEx

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