O grupo de defesa e tecnologia EDGE, dos Emirados Árabes Unidos, anunciou a criação da EDGE Europe, sua nova empresa europeia com sede em Paris, marcando um movimento estratégico para ampliar sua presença industrial no continente e participar mais diretamente do esforço europeu de fortalecimento da defesa soberana.
A nova estrutura foi oficialmente lançada em 11 de junho e terá duas bases principais na França: uma sede estratégica no bairro de Chaillot, em Paris, voltada ao relacionamento com governos, investimentos e parcerias, e um polo de engenharia e manufatura em Bordeaux, dedicado ao desenvolvimento e integração de sistemas avançados. A escolha de Bordeaux não é casual: a cidade concentra uma importante cadeia industrial aeroespacial e de defesa da França, além de universidades e centros de pesquisa especializados.
Segundo o chairman do EDGE Group, Faisal Al Bannai, o objetivo é criar um modelo mais ágil de desenvolvimento industrial para a defesa europeia. “A Europa vive um momento decisivo para sua defesa, e a EDGE quer fazer parte desse futuro. Estamos aqui para investir em talento, construir junto à indústria local e desenvolver capacidades duradouras em solo europeu”, afirmou o executivo.
O grupo destaca que pretende atuar de forma integrada em áreas como sistemas autônomos, plataformas aéreas, navais e terrestres, propulsão, inteligência artificial, guerra eletrônica, sensores e comunicações. A proposta é oferecer soluções multidomínio em parceria com empresas europeias, universidades e centros de pesquisa, em vez de competir diretamente com a indústria local.
A EDGE já vinha ampliando sua presença na Europa nos últimos anos, com participações em empresas como a Milrem Robotics (Estônia), Anavia (Suíça) e Flaris (Polônia), além de joint ventures com a Fincantieri e a espanhola Indra, e parcerias estratégicas com Leonardo e Safran. A empresa também citou a aquisição planejada da italiana CMD como parte da expansão industrial no continente.
Com a criação da EDGE Europe, o grupo pretende desenvolver tecnologia diretamente em território europeu, gerar empregos especializados e fortalecer cadeias de suprimento locais, em um momento em que países da OTAN e da União Europeia aceleram investimentos em defesa diante do novo cenário geopolítico global.