Entrevista: Marcus Degaut, Edge Group na LAAD Security & Defence

Um ano após  chegar ao Brasil, a Edge Group, um conglomerado de empresas que tem sede em Abu Dhabi, demonstrou o seu compromisso com o mercado de defesa e segurança e a Base Industria de Defesa brasileira. Neste período, a empresa já investiu mais de R$ 3 bilhões no país, tendo adquirido 50% da SIATT que é dedicada ao desenvolvimento de alta tecnologia incluindo software, simulação e sistemas eletrônicos complexos.

“Os planos para o Brasil e a para a América Latina são grandiosos e dão um alento muito importante à Base Industrial de Defesa e Segurança (BIDS) do Brasil porque nós trazemos não apenas a experiência do Grupo Edge de mercados internacionais, mas nós trazemos, especialmente, projetos e recursos, que são fundamentais para alavancar uma base industrial para que ela não dependa, naquilo que diz respeito à projetos, de recursos governamentais. Nós sabemos que os recursos são escassos e esporádicos e, neste sentido, nós podemos acelerar esse processo”, explicou Marcus Degaut, CEO da Edge Group no Brasil.

Uma das referências do CEO da empresa foi em relação ao projeto do MANSUP, o míssil superfície-superfície em fase de desenvolvimento e testes pela SIATT e que teve o seu sexto exemplar lançado no mês de março de 2024. Em alguns casos, a empresa possui toda a capacitação, infraestrutura e conhecimento, mas o fluxo de pagamentos torna a execução das etapas muito mais demoradas.

“Nós estamos fazendo com que a Marinha do Brasil (MB) tenha, no prazo adequado, um produto do estado da arte, e nós esperamos replicar isso com o Exército Brasileiro (EB), com a Força Aérea Brasileira (FAB), com o segmento de segurança pública, o Ministério da Defesa, o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM), agências e outros órgãos governamentais. Os projetos são muito auspiciosos e estão sendo muito bem recebidos”, explicou Degaut.

O Brasil é já considerado um parceiro estratégico dos Emirados Árabes Unidos (EAU) e os planos da empresa são de produzir integralmente os produtos no Brasil, como o MANSUP, e exportá-los para em nível mundial. Os próprios EAU possuem uma encomenda avaliada em 350  milhões de dólares para o MANSUP, além de uma outra nação na África com pedido avaliado em 150 milhões de dólares. “Isso coloca a SIATT em um outro patamar, trazendo junto toda uma cadeia de fornecedores. O nosso foco é a geração de emprego, renda e tecnologia no Brasil, somando com as exportações sem causar desnacionalização e agregando novas capacidades, como um míssil ar-ar, por exemplo” disse o CEO.

Segundo ele, o Brasil conseguiu, nos últimos 40 anos, desenvolver uma BID que tem refinamento e domina várias tecnologias sensíveis, mas só não seguiu mais adiante pela falta de recursos específicos. “Podendo aportar os elementos que faltam para mudar a BID, para que ela se torne global,  nós estaremos construindo aqui, com essa parceria estratégica, uma grande porta de entrada para a América Latina e para todo o entorno estratégico na África”.

Falando em América Latina, a Edge Group já identificou os países com um perfil mais adequado para futuros negócios, avançando, numa primeira etapa, com parcerias na Colômbia, Chile, Equador, Paraguai, Peru e, numa segunda fase, com a Argentina.

O Grupo Edge é focado no desenvolvimento de tecnologias, que vai do hardware ao software, sendo esse segundo o seu principal segmento de interesse. “Todos os nossos produtos começam no Technology Innovation Institute. Eles são desenvolvidos em laboratórios passando pelas etapas de protótipo até serem entregues. O nosso foco é tecnologia, e nós trouxemos uma gama de produtos que vai da comunicação à guerra eletrônica, de drones à plataformas terrestres e navais. Nós estamos trazendo inovação e mostrando que não necessariamente o que existe de mais moderno no mundo está nos EUA ou na Europa, mas também no Oriente Médio e nos EAU que, além de dispor de tecnologia de ponta, também está aberto para parcerias”, completou Degaut.

Hoje o Grupo Edge conta com 42 empresas, estando entre as 20 maiores do mundo com planos de estar entre as 10 maiores num prazo de até cinco anos. A carteira de pedidos global está avaliada em 5 bilhões de dólares, com a perspectiva de atingir 8 bilhões de dólares em 2024.

 

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