Dinamarca doa CAESAR para a Ucrânia

Por Aurelio Giansiracusa, Ares Osservatorio Difesa (*)

O Governo dinamarquês, após extensas consultas com o Parlamento, aprovou a doação das 19 unidades do sistema de artilharia autopropulsadas CAESAR, de 155 mm, solicitadas há algum tempo pelo Governo ucraniano.

O mesmo executivo declarou que estão em curso avaliações sobre a possibilidade de se iniciar uma rápida aquisição de novas capacidades no setor da artilharia, em paralelo com a doação à Ucrânia do material anteriormente destinado à modernização do equipamento dos departamentos de apoio de fogo do Exército Real Dinamarquês.

Na verdade, os CAESAR representavam originalmente a contribuição de Copenhague para a OTAN como uma modernização de suas forças de apoio de artilharia da Brigada designada para o Comando Aliado de Bruxelas.

Além disso, os dinamarqueses selecionaram uma versão diferente do CAESAR, em comparação com a atualmente utilizada pelos departamentos de artilharia do Armèe de Terre, que adota um chassi Tatra-815 8X8, com cabine blindada para proteção da tripulação e da equipe de serviço, bem como um sistema de controle de fogo diferente. Nos planos originais, os obuseiros autopropulsados ​​CAESAR 8X8 deveriam ter substituído os antigos M109A3, fabricado nos Estados Unidos e que entrou em serviço em meados da década de 1960.

Atualmente, a Nexter entregou os primeiros exemplares à Defesa dinamarquesa, que está realizando toda uma série de testes antes de declarar o CAESAR apto para o serviço. Agora, obviamente, este trabalho será acelerado e orientado no sentido de tornar o mais rápido possível a transferência de materiais para a Ucrânia, cujo pessoal de artilharia terá que realizar o curso de uso e manutenção referente a esta versão.

O Exército Ucraniano vem empregando intensivamente a versão 6X6 do CAESAR contra as tropas russas que invadiram seu território, em linha com o Armèe de Terre, porém, recentemente, surgiram relatos de que cerca de metade dos 18 sistemas doados pela França foram destruídos ou seriamente danificados (N.E.: fato desmentido pelo fabricante e Governo Ucraniano), enquanto a metade restante dos canhões autopropulsados ​​precisa de grandes trabalhos de manutenção, devido ao grande desgaste, o que prova que tais sistemas dispararam milhares de tiros, incluindo a munição guiada US M982 Excalibur, além do limite estabelecido pelo fabricante Nexter, que está levando a empresa a reavaliar sua extensão.

Um CAESAR 6X6 ucraniano castigando posições russas

Matéria original “La Danimarca dona i diciannove semoventi d’artiglieria CAESAR alla Ucraina, publicada em 20/01/2023 e traduzida e adaptada por Paulo Bastos.

 

(*) Ares Osservatorio Difesa é uma Associação Cultural italiana, fundada em 12 de abril de 2019, em Roma, para a análise e estudo de questões nacionais e internacionais relacionadas às áreas de defesa e segurança, e parceira de Tecnologia & Defesa no intercâmbio de informações, para manter os leitores atualizados das notícias importantes que ocorrem entre os dois países.

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Comentários

9 respostas

  1. Gente mas quem é que paga por toda essas doações que são feitas para Ucrânia? geralmente em conflitos assim já vi venda bem facilitada e mais barata de materiais bélicos mas doações a rodo assim e muita doideira.

    1. Quem paga são os cidadãos pagadores de impostos dos países doadores.
      Todas estas “doações” giram em torno disto: encher os bolsos da indústria bélica e de seus politicos lobistas, ao mesmo tempo em que renovam suas frotas de blindados e peças de artilharia doadas.
      Não é por humanidade amigo, e tampouco por uma tentativa de derrubar a Rússia, eles sabem que não dá. É pura e simplesmente por lucros bilionários. Por isto os financiadores do governo de seu títere zelensky alimentam a continuidade da guerra.

      1. E a indústria bélica deve agradecer a quem verdadeiramente propiciou os enormes lucros que ela está tendo e que terá nos próximos anos, para repor todo o material perdido nesta guerra: Putin.

        Se ele não tivesse inventado essa guerra sem motivos, os países do leste europeu teriam muito mais dificuldades para se livrarem de seus velhos equipamentos soviéticos e os países do oeste europeu não veriam seus mais novos equipamentos em uso real. Provavelmente a Alemanha não teria nem comprado o F35.

  2. que desperdício de material… certamente se fizessem uma enquete entre o povo dinamarquês, essas doações que resultam no desmantelamento de sua própria defesa nacional para manter um governo insustentável na Ucrânia seria certamente desaprovado.

  3. Senhores, vou pedir para deixar as paixões e ideologias de lado e também tentarem pensar como um Europeu, um conjunto de diferentes povos que tiveram quase todo seu continente destruído por duas guerras seguidas no século passado, com muito de suas consequências sendo evidenciadas na atualidade (para não serem esquecidas) e que hoje temem que se isso se repita mais uma vez, com a maior crise militar que bate a sua porta, a invasão russa à Ucrânia.
    Para a maioria dos europeus a entrega deste material não só é desejável como também imprescindível, para que estes combates se limitem ao território ucraniano, deixando o seu em paz. Além disso, a Ucrânia se tornou uma espécie de “escudo” para a defesa da Europa de uma instável e poderosa Rússia.
    Tanto isso é verdade que na Alemanha estão ocorrendo diversas manifestações contra a demora do governo de liberar o fornecimento dos MBT Leopard II, e situações semelhantes estão ocorrendo em outros países da região.
    Lembrem-se, a Rússia (uma ditadura oligárquica e criminosa) invadiu a Ucrânia (um país soberano e democrático) do nada, mesmo depois de garantir (e assinar tratados e acordos internacionais) de que não iria fazê-lo, como aconteceu com os nazistas em 1939!!!
    E, novamente, se querem entender este conflito (e a situação das doações à Ucrânia), parem de pensar como um povo que não participou efetivamente de uma Guerra em seu território, que está há milhares de quilômetros do combate, e passem a pensar como um cidadão europeu.

    1. Caro Paulo,

      Pertinente, sua analise.

      Muito já se falou acerca das razões russas para o conflito, mas ainda muito pouco acerca das razões ucranianas e europeias para manter esse engajamento contra os russos.

      Ao se falar de Ucrânia, está a se falar de um país que foi, ao longo de 200 anos, invadido e repartido por todos os seus vizinhos. Agora, que teve a chance de ter seu território histórico sob uma só bandeira, a Ucrânia se vê sob uma nova invasão… Natural que desejem lutar… Aliás, não custa lembrar: houve a invasão da Criméia, a intervenção no Dombass e tudo isso sob o olhar cálido do ocidente, o que somente aumenta a determinação da Ucrânia de lutar… talvez até as ultimas consequências…

      Sobre os demais europeus, vale lembrar que todo o leste esteve sob ocupação soviética, e viveu uma realidade owerliana imposta pelos soviéticos e seus apadrinhados por mais de quarenta anos…!!! Some a isso as tensões da cortina de ferro, que deixou o outro lado sob constante preparo para uma guerra que, embora nunca tenha ocorrido, sempre foi uma possibilidade real e gerou uma série de conflitos menores que quase levaram os europeus as vias de fato…

      A atual geração a comandar a Europa, que nasceu sob a guerra fria, soube transmitir um ideal de liberdade a gerações futuras. E isso é uma verdade especialmente no leste europeu.

    2. O fato é que no início do conflito França, Alemanha e outros não tinham interesses em entrar nesta aventura. A pressão veio toda do governo Biden, que tinha negócios na Ucrânia tendo o filho de Joe, Hunter Biden, como testa de ferro da evasão de divisas, segundo relatório do Congresso dos eua, disponível para download.
      Scholz e Macron fizeram de tudo para não meter o pé nesta jaca nas por fim cederam às pressões em nome da Otan, que é comandada pelos EUA.
      Sugiro aos senhores que deixem de lado esta visão mais superficial sobre um suposto medo de mais invasões da Rússia e enxerguem o fato de que, sim, os interesses que mantém esta guerra em curso são outros e nada nobres por parte daqueles que já destruíram vários países e se colocam hipócritamente como defensores da democracia.

      1. Os EUA sempre consideraram a Europa um amortecedor contra um possivel conflito com a antiga URSS, e a França sabia disso, por isso ela sempre foi contrária a muitas das suas intenções, já a Alemanha teve seu território dividido e “deslocado”. Ambos se tornaram grandes potências, com muito bem estar para seu povo e, naturalmente, farão tudo para preserva-los.
        O faro é que todos esses países cresceram e prosperaram com a força do imperialismos (EUA, Rússia, França, Alemanha,…) e sabem muito bem identificar a atitude imperialista russa.
        A verdade dos fatos é que a Rússia fomentou uma crise, invadiu um território sobrando e anexou parte dele, ou seja, você pode tentar fazer todo malabarismo interpretativo que quiser, mas nada disso anula o fato que a Rússia é o vilão desta história e que os europeus tem todos os motivos do mundo para tema-la, principalmente aqueles que já estiveram sobre seu domínio.
        E sobre a parte “nobres por parte daqueles que já destruíram vários países e se colocam hipocritamente como defensores da democracia”, tirando a “democracia” isso se aplica totalmente à Rússia já que ela sempre “destruiu” nações povos para se manter.
        Aliás, todos os povos que conseguiram desvencilhar da dominação russa prosperaram (e este desejo foi o único “crime” que os ucranianos cometeram), os que não, seguem como as nações mais pobres do continente (como a ditadura de Belarus)…

        Agora voltando ao tema, a maioria dos europeus querem, e cobram, que seus governos ajudem a Ucrânia, mesmo sabendo que irão pagar por isso!

        Uma Curiosidade: o termo BRICS (utilizado em seu alias) foi uma fábula criada pelo banco Goldman Sachs, de Nova York, a partir de um estudo para ganhar mais dinheiro em cima de um agrupamento de países emergentes que não tinha quase nada em comum e um monte de trouxas caiu nessa. É a versão da esquerda para a lenda da urbana do “Fórum de São Paulo” 😀

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