Como Forças de Operações Especiais treinam para saltos livres operacionais?

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Por Coronel Fernando Montenegro (*)

O salto livre operacional (SLOp) é usado por Forças de Operações Especiais e Precursores Paraquedistas das Forças Armadas em ocasiões de diferentes matizes para infiltrar pessoal ou material, preparar uma operação de maior envergadura e realizar um reconhecimento especial em áreas de acesso restrito ou obedecendo ao princípio da oportunidade e disponibilidade de meios.

Essa técnica operacional pode ser empregada para em situação de combate ou não; pode ser realizada de dia ou de noite, sendo as condições meteorológicas na zona de lançamento um dos fatores determinantes para o sucesso.

Os paraquedas militares são bem diferentes dos similares desportivos porque viabilizam que os saltadores levem mochilas de grande capacidade com mais de trinta quilos, fuzil e todo equipamento para a missão; assim sendo, são bem maiores e pesados também.

Para a infiltração militar por salto livre operacional, há dois tipos principais. Salto a grande altitude com abertura baixa, em princípio na vertical aproximada do alvo ou, salto e abertura a grande altitude assim que se abandona a aeronave. Essa segunda modalidade, é usada para realização de navegação com o velame aberto em grandes distâncias. Para isso, é importante estudar as correntes de vento nas diferentes camadas para abandonar a aeronave no lugar mais adequado à navegação. Podem ser percorridos mais de 30 quilômetros dessa forma com o velame aberto.

Quando ocorre acima de 12 mil pés, a temperatura é negativa, o ar é rarefeito, ou seja, a concentração de oxigênio é bem menor, podendo provocar desmaios e, até mesmo morte. Por essa razão, se utiliza máscaras de oxigênio.

Um exemplo de emprego recente de salto militar ocorreu na marinha francesa. Um médico cirurgião foi infiltrado via salto duplo um submarino nuclear que estava em alto mar porque a situação do paciente era grave, não havendo tempo hábil nem condições de saúde para ser extraído da embarcação que estava muito distante de um hospital.

Eu tive a oportunidade de participar do primeiro salto livre operacional a grande altitude na Amazônia, ocorreu em 1993, em Roraima, ao norte de Boa Vista, por ocasião da Operação Surumu. O meu Destacamento Operacional de Forças Especiais realizou uma navegação de velame aberto de 27 Km (vinte e sete quilômetros). Na mesma operação, também foi realizada a primeira infiltração por salto tandem, quer dizer, salto duplo conduzindo passageiro.

Recentemente, entre 14 (catorze) e 25 (vinte e cinco) de setembro, o Comando de Operações Especiais (COpEsp) do Exército, em Goiânia, sediou, o Adestramento Conjunto de Salto Livre Operacional para tropas de Operações Especiais. As tropas do Exército que são qualificadas para desenvolver essa atividade são os Comandos, os Forças Especiais e os Precursores Paraquedistas; na Marinha são os Mergulhadores de Combate da Armada e os Comandos Anfíbios e, na Força Aérea, o Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento (EAS), mais conhecido como PARA-SAR.

Mas antes dessa atividade de salto propriamente dito, os militares fazem o treinamento em uma estrutura preparada especialmente para essa atividade.

O simulador de queda livre é num túnel vertical, onde o vento chega ao 300 km/h, essa estrutura é uma das mais eficientes ferramentas na garantia da segurança e habilidade de voo dos paraquedistas.

Além do simulador de queda livre, também existe o simulador de navegação, onde através da utilização de um óculos de realidade virtual, o paraquedista pode praticar a navegação com o velame aberto para atingir zonas de lançamento de naturezas distintas como clareiras na selva, embarcações, topos de edifícios, plataformas petrolíferas, dentre outros lugares.

(*) Coronel Fernando Montenegro é paraquedista militar, liderou de tropas de operações especiais, comandou a ocupação do Complexo do Alemão no Rio de Janeiro e foi Instrutor Chefe do Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS) em Manaus (AM), dentre outras experiências.

 

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