Brasil e Argentina concluem exercício militar Arandu

Os exércitos do Brasil e da Argentina concluíram nesta sexta-feira (16) o Exercício Combinado Arandu, realizado ao longo de uma semana na região central do Rio Grande do Sul. A atividade reuniu cerca de 2,8 mil militares, dos quais 400 argentinos, e mais de 600 viaturas blindadas e operacionais. Os treinamentos ocorreram principalmente no Campo de Instrução Barão de São Borja (CIBSB), em Rosário do Sul, além de Santa Maria e Faxinal do Soturno.

O exercício encerrou o ciclo 2024-2026 do Arandu, voltado ao fortalecimento da interoperabilidade, ao intercâmbio doutrinário e à integração entre as duas forças terrestres. A edição deste ano envolveu diferentes escalões de comando e atividades práticas no terreno.

Comando Militar do Sul/Divulgação

O comandante de Operações Terrestres do Exército Brasileiro, general de Exército Kleber Nunes de Vasconcellos, destacou a evolução da cooperação entre os países e a realização de experimentações durante o exercício. Segundo ele, a participação de diferentes escalões contribui para aproximar as forças e ampliar a capacidade de atuação conjunta.

O comandante Militar do Sul, general de Exército Luís Cláudio de Mattos Basto, também ressaltou o intercâmbio de conhecimentos e a proximidade entre os dois exércitos. Já o comandante da Força de Desdobramento Rápido do Exército Argentino, general de Brigada Ricardo Fresta, afirmou que a continuidade dos exercícios é importante para aperfeiçoar procedimentos, táticas e técnicas, permitindo uma resposta mais eficiente em uma eventual operação combinada.

Comando Militar do Sul/Divulgação

Treinamento no terreno

A edição de 2026 marcou a etapa de simulação viva do ciclo trienal do Arandu, dedicada ao treinamento no terreno. No primeiro ano, o exercício é concentrado no planejamento. No segundo, ocorre a simulação construtiva, realizada em ambiente digital, na qual comandantes tomam decisões estratégicas cujas consequências são reproduzidas pelo sistema.

Na fase de simulação viva, os militares atuam em situações simuladas com procedimentos operacionais reais, viaturas e armamentos equipados com Dispositivos de Simulação e Engajamento Tático (DSET). Os sistemas utilizam emissores e receptores a laser para reproduzir a trajetória dos disparos, enquanto sensores instalados em coletes, militares e blindados registram o alcance e o impacto nos alvos.

Um dos destaques foi o tiro real no Polígono de Tiro Tenente De Lacerda, no CIBSB, com a participação de meios de combate dos dois países. Entre as viaturas empregadas estavam os blindados de transporte de pessoal Guarani, do Brasil, e Stryker, da Argentina, ambos utilizando metralhadoras de calibre .50.

Os disparos incluíram ainda os canhões de 105 mm dos carros de combate Leopard 1A5 BR, brasileiros, e TAM 2C-A2, argentinos, além do canhão de 120 mm do blindado de combate sobre rodas Centauro II BR e de foguetes do sistema Astros.

O exercício também contou com incursões aeromóveis e infiltrações de destacamentos de precursores paraquedistas e de uma força-tarefa de Operações Especiais, com aeronaves brasileiras e argentinas. Entre os meios empregados estavam o KC-390 Millennium, da Força Aérea Brasileira, e o CASA C-212, da Argentina. Outra atividade foi a travessia de curso d’água com o emprego de portadas da engenharia do Exército Brasileiro.

A realização do Arandu reforça a cooperação militar entre os dois países e permite que suas tropas treinem procedimentos comuns, ampliando a capacidade de coordenação em operações combinadas.

Via CMS

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