As Forças Armadas Brasileiras socorrem a população de Petrópolis

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Na ultima terça-feira, dia 15 de fevereiro, ocorreu na cidade de Petrópolis, na região serrana do Estado do Rio de Janeiro, uma tempestade que se iniciou no final da tarde e se prolongou por cerca de seis horas e que, de acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), foram registrados 259,8 mm chuva durante o dia todo, sendo 250 mm foram apenas entre 16h20 e 19h20. Esta causou a maior tragédia da história da cidade, ocorrendo fortes enchentes e mais de 200 deslizamentos de terra, que tiveram como consequência mais de 150 mortos, um numero ainda maior de desaparecidos e milhares de  desabrigados.

Diante de tal cenário de calamidade as Forças Armadas Brasileiras rapidamente se posicionaram para prestar o socorro a população e seu pronto apoio operacional, atuando com pessoal capacitado e equipamentos, e auxiliando na coordenação as atividades dos órgãos envolvidos, como o Corpo de Bombeiros, Policia Militar, Defesa Civil e outras, na chamada Operação Petrópolis.

Força Aérea

Uma das primeiras a chegar, ainda na noite do dia 15, foi uma pequena equipe da Força Aérea Brasileira (FAB), com duas viaturas, para auxiliar no resgate e acomodação dos desabrigados e desalojados. Além disso, nos dias posteriores, diversas outras equipes e viaturas foram enviadas.

Também foi disponibilizado efetivo e recursos tecnológicos para dar suporte e garantir a segurança das aeronaves envolvidas nas ações de busca e salvamento na região.  Entre as ações, foi providenciada a instalação de uma Unidade de Serviço de Informações Aeronáuticas (AFIS, do inglês Aerodrome Flight Information Service), conhecida como estação-rádio.

Marinha

No inicio da manha de quarta feira, dia 16, a Marinha do Brasil (MB) deslocou, um comboio com militares e meios de Fuzileiros Navais para Petrópolis e um Grupamento Operativo de Fuzileiros Navais para cooperação com a Defesa Civil.

Ao chegar, os militares realizaram um reconhecimento da região afetada por terra e por ar, utilizando um helicóptero SH-16 Sea Hawk, pertencente ao 1° Esquadrão de Helicópteros Antissubmarino (EsqdHS-1), a fim de identificar as principais necessidades de emprego do pessoal e material.

No dia 17, foram montados de um hospital de campanha com 12 leitos de enfermaria, dois leitos de unidade de terapia intensiva e dois leitos pós-operatórios, além de um centro cirúrgico e três estações de atendimento ambulatorial.

Cerca de 60 viaturas, equipamentos e 300 militares, entre eles militares da área de saúde,  foram inicialmente mobilizados para atuarem na cidade. A MB está utilizando equipamentos para remoção de obstáculos e desobstrução de ruas, como retroescavadeiras e motosserras, duas aeronaves remotamente pilotadas e helicóptero SH-16 e UH-15 Super Cougar.

No dia 19, quatro dias após a tragédia, um caminhão da MB chegou a Petrópolis com dois contêineres e 25 toneladas de suprimentos (água, roupas e alimentos) vindos de São Bernardo do Campo (SP), oriundos do Programa Pátria Voluntária e com as doações entregues no Colégio Santa Catarina, localizado no Centro.

Emocionada, Mônica Chung, a diretora do colégio, destacou, no momento do recebimento dos itens doados, que a mobilização é uma demonstração de amor no meio de uma catástrofe e ressaltou a importância das doações. “A gente teve que unir forças, juntamente com a Marinha e com os responsáveis pelo Programa Pátria Voluntária, para arrecadar o máximo de doações, que serão muito importantes para as famílias que foram afetadas pela situação que estamos passando. Essa mobilização é muito importante para nós”.

Exército

No dia 17, um helicóptero HM-1 Pantera, do Comando de Aviação do Exército (CAvEx), de Taubaté (SP) e  integrada ao Comando Conjunto Leste (C Cj L), realizou sobrevoos de reconhecimento nas imediações de Petrópolis identificando as áreas afetadas com objetivo detalhar o planejamento inicial do apoio que está sendo prestado pelo Exército na região. Estava a bordo o general de exército José Eduardo Pereira, comandante do C Cj L; o general de divisão Kleber Nunes de Vasconcellos, comandante da 1ª Divisão de Exército (1ª DE); o general de brigada João Felipe Dias Alves, comandante da 4ª Brigada de Infantaria Leve de Montanha (4ª Bda Inf L Mth); além de representantes do Estado-Maior do C Cj L. As autoridades reconheceram as regiões de Alto da Serra, Morro da Oficina e Caxambu.

No mesmo dia o C Cj L, realizou uma reunião de coordenação das ações nas áreas atingidas com os militares do seu Estado-Maior no Centro de Coordenação de Operações (CCOp), instalado no Palácio Duque de Caxias, no Centro do Rio de Janeiro, onde foram apresentados os apoios que estão sendo prestados a partir do 32º Batalhão de Infantaria Leve de Montanha (32º BIL Mth), sediado na região, e planejadas as próximas ações em coordenação com a Defesa Civil.

Junto à Defesa Civil, estão sendo empregados equipamentos da Engenharia do Exército para desobstrução de vias e caminhões militares para transporte. Ambulâncias e equipes de primeiros socorros já se encontram em condições de ampliar o apoio na região a partir do 32º BIL Mth que também cedeu seu espaço físico para zona de pouso de helicópteros empregados na Operação.

A 4ª Bda Inf L Mth, empregando militares do 5º Grupamento de Engenharia (5º Gpt E), desobstruiu diversas vias de ligação entre bairros e regiões do município, utilizando viaturas retroescavadeira, caçamba e carregadeira, retirando grande parte da lama, troncos e vegetação do local. Também foram empregados equipamentos de engenharia como motosserras e material de sapa.

O comandante da 4ª Bda Inf L Mth, que comanda a Área de Operações do Comando Conjunto Leste (C Cj L) no apoio ao município de Petrópolis, destacou o trabalho que vem sendo realizado pela tropa desde o acionamento do Destacamento de Resposta Imediata do C Cj L, e evidenciou o esforço diuturno de todos os militares em prol da população petropolitana e dos militares que perderam familiares e amigos.

Operação Petrópolis

O Ministério da Defesa (MD), por intermédio do Comando Conjunto Leste (C Cj L), está apoiando o município de Petrópolis, com o emprego de tropas, viaturas e equipamentos especializados.

São mais de 800 militares envolvidos, da MB (que passou a integrar o C Cj L como tropa a partir do dia 16), do EB e da FAB, trabalhando integrados e coordenados a fim de apoiar os órgãos de Defesa Civil.

Sobre a parte Logística da operação, equipamentos de engenharia como retroescavadeira, pá carregadeira e motosserras estão sendo empregados, além de viaturas de transporte de material e ambulâncias, auxiliando diuturnamente a população petropolitana. Aeronaves militares foram utilizadas na operação colaborando, em especial, para o monitoramento e reconhecimento das áreas mais atingidas em decorrência das fortes chuvas na cidade.

O caminhão utilizado no Comando e Controle da operação é uma unidade móvel que proporciona chamadas de vídeoconferências, apoio à Tecnologia da Informação, monitoramento das tropas no terreno, entre outras capacidades de comunicações.

Neste verdadeiro “cenário de Guerra”, nossas Forças armadas mais uma vez se mostram eficientes, independente de algumas criticas dirigidas a elas, questionando se tem ou não obrigação de atuar. O fato que sempre que o povo sofra com calamidades, quando ele realmente necessita, elas estão lá, arriscando-se para nos salvar.

Com informações e imagens dos centros de comunicação da MB, EB, FAB e MD

2 Comentários

  1. Sei que foge ao tema, porem não seria a hora de comprar H-60 ou um meio de TRANSPROTE e carga similar para a MB? nos últimos anos o vetor H16 vem sido usado constantemente em atendimentos de desastres sendo que este não foi feito para fins de carga e transporte e sim para anti submarino.

    O modelo SH16 tem capacidade de resgate e transporte porem limitado devidos a suíte de eletrônico embarcada, um meio mais focado a carga e resgate sei muito bem aproveitado no NA atlântico e também pela nação e eventuais ocorrências.

    PS meus pêsames e condolências as famílias, que todos fiquem bem, alimentados e abrigados ate que o pior passe

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