Artilharia de selva retoma o tiro embarcado

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No dia 26 de março, o 10º Grupamento de Artilharia de Selva (10º GAC Sl), “Grupo General Manoel Theophilo Neto”, subordinado à 1ª Brigada de Infantaria de Selva (1ª Bda Inf Sl), retoma a utilização de meios flutuantes como plataforma para disparos de artilharia.

Descontinuada desde a década de 80, a utilização de artilharia de campanha embarcada, empregada em atividades e manobras ribeirinhas e fundamental para o apoio de fogo às operações em ambiente de selva, foi retomada com a execução da experimentação realizada na Base de Instrução Felipe Camarão (BI-6), a 83 quilômetros de Manaus (AM).

Para o exercício de tiro foi empregada a 1ª Bateria de Obuses do 10º GAC Sl, com quatro obuseiros Oto Melara M56, de 105 mm e 10,2 km de alcance, que realizaram um total de 12 disparos, e incluiu o ensaio de técnicas de ancoragem das peças de artilharia, bem como observação e condução do tiro, executado por observação a bordo de aeronave HM-1 Pantera, pertencente ao 4º Batalhão de Aviação do Exército (4º BAvEx). Destaque para a presença do próprio comandante Militar da Amazônia abordo da balsa, que executou um dos disparos da bateria.

Segundo o comandante do CMA, general-de-exército Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira, recuperou-se a capacidade de apoio de fogo em ambiente de selva, possibilitando seu emprego junto às demais funções de combate quando do adestramento das brigadas de infantaria de selva.

“A partir de agora, o 10º GAC Sl poderá apoiar a 1ª Brigada de Infantaria de Selva em operações como uma marcha para o combate fluvial e realizar o seu apoio de fogo orgânico, mesmo em situações em que não dispusermos de praia de rio para desdobrar as baterias de obuses e suas peças de artilharia. Vale reforçar que o CMA terá, em 2021, ano de instrução repleto de atividades de adestramento, a fim de que tal capacidade se consolide ainda mais”, detalhou o comandante.

Com informações e imagens da Comunicação Social do CMA

6 Comentários

  1. Uma barcaça desta munida de uma boa artilharia de canhões, foguetes e mísseis seria o diferencial para o EB no biente amazônico e pantaneiro.

  2. Acho que seria interessante para o apoio de fogo ter também um pequeno número de lanchas no estilo da CB 90H armadas com torres do sistema AMOS ou NEMO para chegarem mais rápido e se evadirem com rapidez da posição de tiro além de possuírem capacidade de tiro direto em apoio a operações de assalto anfíbio.

    • Amigo, a CB 90 já foi testada naquela região há muitos anos pelo Exército Brasileiro. Não foi aprovada por diversos fatores e alguns deles é a questão do motor e principalmente a quantidade de galhos/troncos e etc. que corre por essa região. O CB 90 não daria certo.

  3. OBRA, caro amigo por isso eu citei uma lancha “no estilo” da CB 90H, com certeza uma embarcação com as deficiências de operação no ambiente amazônico corrigidas.

  4. Senhores,
    Esse tipo de manobra, favorece o apoio de fogo durante o período das cheias no inverno da Amazônia.
    Durante as manobras de reconhecimento, escolha e ocupação das posições de tiro de uma BO em ambiente Amazônico, deve se lever em conta as condições dos rios, tendo em vista que as suas margens e praias são locais propícios para a tomada de posição de tiro.
    Nas cheias, onde se alaga boa parte do terreno, muitas vezes impossibilitando que a BO ocupe uma posição de tiro. Restando a trabalhosa manobra de abrir clareiras para ocupar uma posição.
    É nessa hora que se faz uso da balsa.
    É uma manobra bem complexa, tendo em vista que a ancoragem das balsas é difícil e qualquer variável interfere na precisão dos fogos.
    Essa manobra também expõe a tropa a um risco maior, uma vez que fica toda BO vulnerável, e um único tiro de contra bateria pode inutilizar toda linha de fogo.
    Outro fator é que a balsa precisa ter a capacidade de transportar de 04 a 06 bocas de fogo junto com suas respectivas guarnições e as 36 granadas de dotações de cada peça, o que requer uma balsa de dimensões consideráveis.
    O que acarreta uma certa dificuldade em se deslocar em determinados trechos dos rios.
    Mas essa manobra geralmente só é empregada em cenários bem específicos, onde se tem a “liberdade” de se empregar tais meios.

    “Árdua é a missão de desenvolver e defender a Amazônia. Muito mais difícil, porém, foi a de nossos antepassados de conquistá-la e mantê-la.”
    Gen. Ex. Rodrigo Octávio Jordão Ramos

  5. Tive a honra de ter sido o segundo comandante dessa Bateria (1ª Bia O do 10º GAC SL, na época 33º GAC SL) em 2000. Fizemos tiro embarcado e tiro a partir de praias de rio, realizando a experimentação doutrinária da Artilharia de Selva.

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